em dias de mudança tem sempre aquela coisa de passar os olhos por todas as coisas que estão guardadas. a gente acaba achando algo em que não tinha mexido durante um tempo, e percebendo quantas coisas tinha guardado para um dia…

bom, essa semana anda assim. coisas me lembram de idéias que tive um dia. a conclusão que chego é que certas coisas acabam esquecidas porque essas idéias – fotos que queria fazer com isso ou aquilo – morreram, ou porque a idéia em si nem era tão legal assim, ou porque a coisa em si não era tão completa assim para a execução da idéia, às vezes um pouco dos dois.

isso é mais ou menos o teor do artigo “sobre o tempo”, em que relato o tempo que leva para as coisas aparecerem que se completam entre si e que possibilitam a execução de uma idéia (foto).

quero me esforçar para evitar que coisas simplesmente fiquem esperando nas prateleiras do atelier – limitar o lixo. gostaria de ficar apenas com as coisas que são acompanhadas de boas idéias, mesmo que estejam incompletas.

então, será que reciclar o lixo fotográfico é reprogramar esses equipamentos e materiais fotográficos? será que é dai que vem esse estranho sentimento de quando falo de software ou de papel mofado, falo de mesma coisa?

revirei uma caixa de cabos de computador, encontrados no lixo da tds lá no canadá. resolvi que alguns realmente deveriam ir para outras mãos, alguns ficaram, e possivelmente conectarão coisas inusitas um dia. paralelo para serial, etc e tal.

e teve uma experiência esses dias que foi fabulosa, ainda no tópico software/programa/flusser.

fui danças no milo’s garagem. assisti ao que foi descrito a mim como um “live PA”. enfim, dois jovens bem apessoados, trajando roupas quase comuns, cada um com seu laptop ao qual adicionaram um console. os ditos consoles que cada qual trazia nada mais eram do que uma peça de tamanho aproximado do dito laptop, mas cheio de dials e sliders (botões de girar e de deslizar).

dançávamos à música que esses dois jovens criavam mexendo esses botões. na tela, que ambos olhavam atentamente nada mais do que uma inteface cheia de número, gráficos, uma outra representação do console que eles tinham ali talvez. interfaces para controlar o software/programa.

fiquei pasmo!

a conversa finalmente rolou. com o luish, fomos ao atelier olhar umas coisas e falar, de flusser, do programa, e de softwares. o programa. luish contou de produção de filmes através da vetorização de imagens de vídeo. eu falei de iluminar uma cena com a luz (LED) infravermelho de um controle remoto. a discussão voltava sempre ao programa. hoje olho a minha 10D como um sensor CMOS preso a um palm dedicado. nada mais, só isso.

olho para o dauphin e imagino prendê-lo a um CCD também, e imagino também tudo que deveria aprender para conseguir programar esse conjunto.

a grande questão, em torno dos programas, que veio à tona várias e várias vezes hoje é como e o que aprender para programar. para ser capaz de desmembrar o firmware da DC50, para acionar a Polaroid 320 pelo cabo serial… etc.

a reciclagem desse lixo cibernético que eu já acumulo exige mais estudo. a experiência com os scanners para criar fotos digitais de fenda foi interessante, mas foi superficial até demais. agora, o desafio é entrar no mundo da eletrônica e no da programação.

andei tentando me informar sobre o FILE que se aproxima, é no fim de outubro. queria levar o trabalho do CCD linear, para o simpósio.

fui no ano passado e curti o que vi, dos trabalhos apresentados lá. um ambiente interessante, idéias, intenções e sucitações.

verbo sucitar (escreve assim?). me lembra a expressão inventada pelo prof. “sucita angústia e causa mal estar”.

mais doações esse mês, talvez.

andei meio de cama, e por isso o sumiço.

hoje volto e trago boas novas, mas ainda estão no bolso.

tem dias que somos abençoados com acontecimentos que reforçam a confiança que a gente tem de não está fazendo cagadas tão grandes assim. essa foi uma semana desses acontecimentos, um atrás do outro.

com relação ao lixo, e aos assuntos que trato aqui nesse espaço, dois acontecimentos fundamentais: a chamada para a exposição do prêmio porto seguro e a aquisição de duas imagens pelo museu de arte moderna de são paulo. na verdade, para quem mora em são paulo, e ouviu aquele foguetório ontem à noite, isso era eu comemorando a confirmação pelo e-mail que chegou do MAM.

nessas horas tenho a certeza de que ainda não me perdi, e me foquei demais no lixo e nas apropriações, ainda ando em uma direção, parece.

agora, sobre o livro do Duchamp. pegou o breu. mas o tal do thomas, o biógrafo, bem que quis dar uma enrolada duchampiana no prefácio… safado o carinha!