A ida ao estúdio do amigo para retirar polaróides velhos acabou se tornando uma aventura. Tive que tomar um taxi, tamanha era a carga que levei de lá. Os polaróides propriamente não eram o “grosso”, e a maioria deles depois provaram estar passados demais para usar. O polaróide vence mesmo, ao contrário dos outros materiais que consigo usar depois da data prescrita na embalagem. O polaróide vence pela deterioração de certos adesivos que nele existem e que são fundamentais para o funcionamento dos packets, ou pela pasta alcalina que seca e não revela mais nada.

Na carga vieram papéis fotográficos os mais diversos, coisas que eu nunca tinha visto, um flash de estúdio que não liga e outros aparatos da Polaroid Co., mais coisinhas para se juntarem às minhas nesse processo.

Tive um super para com o Edu Cordeiro. Falamos de lixo em vários sentidos e maneiras. Ele me falou da palavra ninguém, presente no cabeçalho desse blog, e de outras coisas. Edu é uma fonte inesgotável de referências. Depois do papo cheguei a algumas conclusões.

O lixo pode acontecer de duas maneiras: o objeto-lixo, aquele ali presente dentro do saco preto, na esquina, à espera do caminhão que vem pegar, e a técnica-lixo, aquela que foi abandonada, esquecida, e se perdeu sob os ditos avanços da indústria fotográfica. A maioria dos objetos-lixo fotográficos, como os negativos 6×6 de uma festa de debutantes que eu encontrei essa semana na esquina da R. Scipião com a R. Roma, são provas vivas de técnicas-lixo.

O trabalho arqueológico, inserido nessa reciclagem que eu realizo, é portanto, em parte, o de descobrir qual é a técnica-lixo escondida dentro do objeto-lixo. Edu, quanta luz!

Começo então a lembrar mais pequenas coisas que são referências para esse trabalho, desde a maneira que o RWS me ensinou a cortar o darkslide para fazer fotos panorâmicas, ou medir o furo do pinhole com o ampliador, ou coisas pequenas achadas dentro dos formulários da Íris em edições bem antigas. Esses pequenos conhecimentos, maneiras de fazer coisas por atalhos simples, se perderam diante do avanço da indústria fotográfica, e do que ela prega que deve ser feito com as câmaras fotográficas.

Nos próximos dias muita coisa vai rolar, e haja espumante para comemorar. São três exposições abrindo em um período de 10 dias (Porto Seguro, Itaú Cultural e Fotoarte). Tem a oficina do Projeto Mezanino, tem a saída da Rever no Pomar. Putz!

Hoje fiquei encarando a foto do Bill Brandt com a 5×7″ Kodak. E me ligaram para ir buscar Polaróides vencidos. Vou me arriscar conversar em mais uma revista essa semana.

Sentei em uma roda de discussões, e o trabalho em questão era o do Xina. Na semana, essa agora, que a Kodak parou de entregar papéis, a Ilford acabou, e os balconista dão risada de quem pede Multigrade. Pô, o Xina criou um papel tipo Xinagrade FB. Craft, salgado, repetido e repetido à exaustão. Bem, ele tem papel para imprimir nessa semana. Enquanto todo mundo mais, que ficou viciado em papel industrializado, está batendo a cabeça na parede. Quem destino maldito.

Eu tenho me aventurado pela cianotipia. Reaproveitando algumas coisas, é verdade. E fico cada vez mais tranquilo. Terei material para sempre, me parece. Quão difícil será partir para a criação e manufatura de um papel artesanal um pouco mais requintado? Qual o software do papel?

A saída para o projeto POMAR está super de pé. Entre no site da Rever, link ao lado, lá tem um mapa e mais detalhes.

Dia 01 de outubro abre a exposição no Itaú Cultural, vou ter a cara de pau de pedir doações de filmes, papéis e outros lixos num dos textos da exposição.

ontem, fotografando com Kodalith, na oito por dez do professor, realizei algumas coisas. pensei bastante sobre o que ele me disse, sobre doar a minha segunda câmara para a faculdade. enfim, idéias…
vou pedir uma lente da sinar para dar uma olhada na placa e fazer um adaptador. e depois, boa sorte para minha câmara querida…