exercício de memória, os artigos:

-anos 70 – sobre materiais fotográficos dos anos 70, dai o nome, como Ektachrome 160T 35mm e Plus-X 5×7″.

-atalhos digitais e analógicos – sobre coisas que li em Monforte e Troop, pequenas notas sobre a utlidade do sal de cozinha no quarto escuro e sobre as possibilidades de dissolver a imagem feita em impressora laser.

-materiais de artes gráficas – um pequeno relato do quanto esses materiais que consegui do Sr. Seara em London, Ontário, foram úteis no processo de renovação do trabalho sobre Osasco.

-juntando lixo – inicialmente chamado Sobre o Tempo, esse artigo conta como esperar o tempo certo pode fazer diferença no aproveitamento de coisas. como duas câmaras 4×5″ e mais uns pedaços avulsos viraram três!

-grandes formatos – correndo para o chuveiro com uma cópia enorme em papel colorido, lavar cópia de 1.3×1.6 metros não é nada fácil, principalmente numa residência…

-revelador cor – experimentos sobre um pequeno kit de revelação c-41, e como estiquei a capacidade dele.

-reforma do Durst 605 – conta o desafio de encontrar e produzir as peças necessárias para fazer o tal ampliador funcionar por 85 reais.

-secadora de papel – um pequeno guia de materiais simples e de fácil acesso para construir rapidamente uma secadora de papel fibra.

-foto montagens – um relato do processo de produção das séries de Cadeiras e das Plurais.

-ccd linear – bom, tem esse que eu cheguei a preparar, mas nunca foi utilizado, sobre o lance de criar os scanners para construir câmaras de ccd linear.

ainda me ronda a cabeça a tal conceito da imagem feita através do software. o software pode recriar o equipamento analógico, será?

isso me faz pensar em Flusser, como sempre. Flusser dizia que a câmara fotográfica era já em si um pensamento, um software, o tal programa. a câmara digital por sua vez assume isso com mais clareza. o software está mais claro como o elemento que interage com o referente (ou os photons por ele emitidos) para a criação da imagem.

mas então, quando poderemos reprogramar as nossas 10Ds e D100s? e partir para uma maneira nova de fotografar com essas câmaras? o programa da câmara, ou o programa do Flusser, será dominado por nós um dia?

quão ruim é a cor de uma imagem produzida por uma câmara de 6MP sem o tal filtro AA? poderemos arrancar essa merda desse filtro de anti-aliasing que borra todas as nossas imagens e sermos felizes? e dai aproveitar e fazer umas imagens em infravermelho bem legais?

Os materiais vencidos ou estragados, de um modo geral, não apresentam a consistência, de unidade a unidade, dos materiais dentro do prazo de validade e armazenados de maneira segura. Mas penso que a isso se resumem suas diferenças.

Não há uma quantidade enorme de acaso relacionada ao uso desses materiais.

passeei de carro com uma moça francesa hoje. lembrei do filme de agnes varda: les gleunesses, que se traduz por as respigadeiras, um quadro de um cara que eu sempre esqueço o nome. no quadro, mulheres catam do chão os restos da colheita que segue adiante. na frança é permitido por lei entrar em propriedade privada e recolher do chão exclusivamente o que for deixado para trás por aqueles que fazem a colheita para o dono da terra, ou algo assim. o filme de varda fala das pessoas que vivem assim, sem desembolsar dinheiro para comer. fala daqueles que encontram no lixo tudo que precisam, ou quase tudo. um advogada, lá pelas tantas, descreve o que é pegar uma geladeira na rua: é uma aquisição especial, porque o produto pertence a ninguém (dai o subtítulo desse blog). um conceito interessante. o lixo na frança não pertence ao estado. em outros países pertence, é uma maneira de tornar legal a disposição que o estado der para o lixo. aqueles que pegam lixo no japão se arriscam com a polícia. e assim vamos. mas o filme é imperdível, e inesquecível para mim. de lá para cá tenho incluído o filme em todas a bibliografias de todos os trabalhos que faço por ter essa certeza de que tudo mudou depois dele.

em lyon um figura muito gente boa explica para agnes que a prefeitura publica pequenas cartilhas que explicam para eles e outros como ele, onde ir para encontrar o lixo mais interessante. agnes corrige o moço: a prefeitura de lyon explica aos moradores onde ir para deixar o lixo! é tudo uma questão de perspectiva.

o mundo é muito rico. as pessoas não são tão brilhantes assim. o lixo, por sua vez, acaba sempre bem recheado. boa noite.

ainda penso nas coisas que joguei fora uns blogs atrás. ainda não me arrependi, mas estou quase. o espaço é um limitante, e preciso lembrar disso bastante no texto que pretendo escrever. não adianta defender que as coisas têm seu tempo e que temos que esperar elas acontecerem. as coisas ocupam espaço. hoje vou buscar um baú que me ajudará a ocupar melhor o espaço.

já são uns vinte filmes para revelar guardados num ziplok. é um espanto. usar filme é uma coisa já meio remota.