Rio Grande do Sul

Seis horas de carro entre POA e São Miguel das Missoes. Planalto. Dois campos de milho recém colhido metade já tem soja brotando, o que dá um verde e amarelo divertido para a paisagem.

RS-342, perto de Ijuí. Resolvo fazer uma lista das coisas que li ou ouvi no Sul essas dias: cangibrina, exu mal despachado, mais feio que o diabo no meio das taquareiras, chuco, gringo, brigadiano, mais feio que um paraguaio baleado, engoliu com chumbada e tudo, na beira da lomba, tachão no eixo.

De volta a POA, que os locais carinhosamente chamam de Forno Alegre. Vale a pena ver o Brique Fotográfico do Didi, uma lojinha de usados na Rua Dr. Flores.

Sentido Pirenópolis

Passa uma placa, deixo o DF e entro em Goiás. Paramos no Jerivá, talvez eu esteja enebriado pela paisagem, mas acho a coxinha páreo para a do Veloso em São Paulo.

Aqui os platôs tem todos a mesma altura e a estrada sinuosa sobe e desce os suaves vales entre eles. É o Planalto Central! A terra é avermelhada, a vegetação típica do cerrado, retorcida. Um buritizal aqui, outro ali.

Passamos Abadiânia, me contam de um curandeiro São João de Deus e de estrangeiros que vem aos baldes para vê-lo.

Enveredamos pela GO-338. Nos aproximamos de um pouco de chuva. Um tantinho de emas no campo ao lado. Uma semeadeira a pleno vapor. Vaquinhas. Um cavalinho. Uma reta enorme. O céu escurece. A estrada faz uma curva e escapamos da chuva.

Bacalhau

Digressão pesada

Existem inúmeras questões complexas que a filosofia nunca resolveu, no entanto o fotógrafo Ricardo Rios esbarrou na solução de uma delas e resolveu dividir com um grupo seleto do qual eu faço parte. E aqui eu divido com vocês:

“Caros,
Minha circular pesquisa de mestrado me levou a resolver a questão posta e assuntada. A posta azeitada é peixe, mas seu devir é processo. Na impossibilidade de verificar a ontologia etimológica em norueguês, se é que a palavra não é anterior a estados-nação escandinavos, e Saramago não atendendo ao telefone por uma tarde inteira (prostado a ler brutalidade em flores), ficamos com as clássificassões taxonômicas da ciência presente no anexo, bem temperado de considerações estéticas práticas.

Abs,
Correntes marinhas”

bacalhau

Clique para ler.

W. H. Auden fala sobre fotografia

Tudo começou porque eu estava ouvindo o CD do Renato Russo chamado: The Stonewall Celebration Concert. No próprio disco há, impressa, uma citação a um poema de W.H. Auden. Quem é esse cara? Que duas linhas mais maravilhosas, por sinal.

Digitada a primeira linha no Google apareceram inúmeros lugares para ler o resto do poema, entre eles esse. Acessei também o Wikiquotes e descobri que é dele o poema da cena do funeral no filme Quatro Casamentos e um Funeral. Coincidência, mas até ai, nada de mais. Fuçando um pouco mais na Wikiquotes encontrei um pequeno achado, uma citação de W.H. Auden falando de fotografia, segue o link e uma transcrição:

“Normally, when one passes someone on the street who is in pain, one either tries to help him, or one simply looks the other way. With a photo there’s no human decision; you’re not there; you can’t turn away; you simply gape. It’s a form of voyeurism.” In Paris Review “Writers at Work” interviews, 4th series (p.247) [entrevista concedida em 1972]