OCC • MacBook Pro

Este texto é um relato da minha semana (de 5 a 12 de Julho) participando do Old Computer Challenge 2026. O Old Computer Challenge é um evento com duração de uma semana que reúne pessoas interessadas em utilizar computadores antigos e em reduzir o consumo de tecnologia. Durante esse período, os participantes procuram usar um computador antigo — ou até mesmo considerado “antigo” para os padrões atuais — como sua máquina principal e, ao final da semana, compartilham suas experiências e reflexões sobre o desafio.

Vou usar um MacBook Pro 2009 que já faz parte do meu dia-a-dia. Achei ele ao lado de um contentor de lixo há um ano e desde então ele tem sido parte dos computadores que uso para testes e experimentos. Sua bateria ainda me permite um bom tempo de uso sem AC. Segundo o Everymac o meu MacBook Pro é assim:

O MacBook Pro “Core 2 Duo” 2,53 GHz 13″ (SD/FireWire 800 – Mid 2009) é equipado com um processador Intel Core 2 Duo (P8700) de 2,53 GHz, baseado na arquitetura Penryn de 45 nm. O processador possui dois núcleos independentes em um único chip de silício, 3 MB de cache L2 compartilhado integrado ao chip e barramento frontal (Front Side Bus) de 1066 MHz.

O computador vem com 4 GB de memória DDR3 SDRAM de 1066 MHz (PC3-8500), instalados em dois módulos de 2 GB, um disco rígido Serial ATA de 250 GB e 5400 rpm, uma unidade óptica SuperDrive 8x de dupla camada (DVD±R DL), uma GPU NVIDIA GeForce 9400M, que utiliza 256 MB de memória DDR3 compartilhada com a memória principal, câmera iSight integrada e uma tela TFT widescreen de 13,3 polegadas, com retroiluminação por LED, acabamento brilhante (glossy) e resolução nativa de 1280 × 800 pixels.

Em termos de conectividade, oferece AirPort Extreme (802.11a/b/g/n), Bluetooth 2.1 + EDR, Gigabit Ethernet, uma porta FireWire 800, duas portas USB 2.0, uma porta combinada de saída óptica digital de áudio e saída para fones de ouvido (que também pode funcionar como entrada de áudio analógica, selecionável pelo usuário, utilizando o mesmo conector empregado no iPhone), uma Mini DisplayPort, capaz de acionar um monitor externo com resolução de até 2560 × 1600 pixels, além de um leitor de cartões SD.

Os computadores do meu dia-a-dia são todos bem rodados, o mais velho é de 2008, o mais moderno de 2015, ou seja, todos tem pelo menos 10 anos de idade.

Sempre achei curioso como a nossa percepção do tempo muda quando convivemos com computadores antigos. Como passo boa parte do tempo mexendo em Macs dos anos 1980 e 1990, este MacBook Pro de 2009 nunca me pareceu um computador velho.

Na minha cabeça, ele ainda é “o Mac moderno”, afinal não é bege. E ainda por cima, é o que e ligo para acessar a internet, recuperar discos rígidos de máquinas mais antigas ou simplesmente fazer tarefas do dia a dia sem pensar muito. Mas, olhando para a data de fabricação, percebo que ele já está beirando os vinte anos de idade. Para muita gente, ele já é um computador clássico por direito. Acho interessante essa mudança de perspectiva.

Da mesma forma que, há alguns anos, um Macintosh Plus ou um Power Macintosh pareciam antigos enquanto este MacBook representava o presente, hoje ele também faz parte da história da computação. E, talvez justamente por continuar sendo tão útil, seja fácil esquecer o quanto o tempo passou.

Talvez a tarefa mais importante desse Mac essa semana será com a implementação de câmaras de segurança num instalação artística que estou preparando para a Exposição do Mestrado de Media Arts, meu trabalho de conclusão de curso. Recentemente publiquei a foto acima num post sobre meus primeiros testes com essas câmaras: https://refotografia.blog/2026/06/11/projeto-caixa-preta-testes-de-camaras/

Para testar a gravação de vídeo da câmera Axis 210, foi primeiro necessário identificar o seu endereço IP na rede local com a ferramenta arp-scan. Em seguida, a interface web da própria câmera permitiu localizar o endereço RTSP correspondente ao fluxo de vídeo MPEG-4 disponibilizado pelo equipamento. Com essa informação, foi utilizado o FFmpeg para capturar o stream e gravá-lo diretamente em um arquivo MP4. O comando empregue especifica o URL RTSP como fonte de entrada e usa a opção -c copy para copiar o fluxo sem recodificação. Esse procedimento confirmou a possibilidade de registrar localmente, em formato MP4, o vídeo transmitido pela câmera através da rede.

Também é significativo que, mais uma vez, a mediação entre um dispositivo antigo e os usos contemporâneos tenha passado pelo FFmpeg. Em vez de depender do software original do fabricante ou de interfaces gráficas recentes, foi essa ferramenta de linha de comando que permitiu traduzir um fluxo de vídeo de uma câmera já datada para um formato legível e utilizável no contexto atual. Há algo de recorrente nisso: o FFmpeg surge como uma espécie de camada intermediária entre temporalidades técnicas distintas, capaz de acolher protocolos, codecs e formatos obsoletos e reinscrevê-los em infraestruturas presentes – e sempre através de computadores antigos, onde ele brilha ainda mais, por permitir operações super complexas em processadores datados.

E ainda, se o FFmpeg funcionou como mediador entre um hardware envelhecido e formatos contemporâneos, usei o ChatGPT para passar pela opacidade da documentação direto para a construção de um caminho possível de uso, sem erros de digitação na linha de comando.

A obra em montagem no Gnration, na tarde de 10 de julho de 2026. A sinopse que entreguei ficou assim: “A obra propõe uma escultura construída a partir de televisores CRT e outros dispositivos descartados, organizados como um sistema aberto de imagens, sons e circuitos expostos. Sem as carcaças originais, tubos, placas e cabos permanecem visíveis, permitindo que interferências eletromagnéticas e falhas componham continuamente o comportamento audiovisual da instalação. O público é convidado a trazer dispositivos que pretende descartar. A partir de referências ao unblackboxing e à performance experimental, a obra transforma o gesto técnico em ação performativa: desmontar, soldar, conectar e reutilizar componentes eletrônicos resgatados dos dispositivos oferecidos pelo público torna-se parte central da experiência. Osciladores, protoboards e sinais eletrônicos alimentam televisores e altifalantes, criando uma situação em que entrada, processamento e saída permanecem transparentes. Entre laboratório e escultura, a obra investiga a relação contemporânea com a tecnologia, o descarte e o desejo contraditório de abrir aquilo que nossa própria cultura insiste em fechar.”

Tudo o que este ano tornou possível

Há pouco mais de um ano, quando começamos o PISO, a ideia era bastante simples: criar um lugar onde fosse possível experimentar sem que tudo precisasse nascer pronto, justificado ou imediatamente útil.

Ao longo desse ano, o espaço foi sendo ocupado por exposições, conversas, oficinas, clubes, concertos improvisados, encontros em torno de computadores antigos, sintetizadores, fotografia, eletrónica, cinema e tantas outras coisas que acabaram surgindo pelo caminho. Mais importante do que qualquer programação específica foi perceber que um espaço assim também pode ser uma forma de criar comunidade. Gente que entrou por curiosidade, voltou outras vezes, trouxe outras pessoas e passou a fazer parte da construção do lugar.

Para mim, o PISO também foi um laboratório. Muitas das questões que atravessam a minha investigação artística e académica encontraram ali um terreno concreto para serem experimentadas. Algumas ideias funcionaram, outras nem tanto, muitas mudaram completamente de direção. Foi um ano de descobrir que pensar e fazer raramente acontecem em separado.

Infelizmente, depois de agosto deixarei de fazer parte do PISO. A decisão não tem relação com a experiência em si — que foi das mais ricas que já tive —, mas com uma realidade bastante comum aos espaços culturais independentes: apesar de toda a energia investida, não conseguimos encontrar um modelo que tornasse a minha participação economicamente sustentável.

Ainda assim, prefiro guardar a memória do que foi possível construir. Em apenas um ano aconteceram coisas que, quando olho para trás, parecem improváveis. Conheci pessoas extraordinárias, aprendi imenso, vi projetos nascerem, encontrei colaboradores para ideias que ainda estão em desenvolvimento e tive a confirmação de que vale a pena insistir em criar espaços onde a experimentação tenha lugar.

Saio feliz com às pessoas que passaram por lá, às que confiaram nas nossas propostas e às que ajudaram a fazer do espaço muito mais do que um conjunto de paredes. O PISO continua o seu percurso. Eu seguirei o meu, levando comigo tudo o que este ano tornou possível.

Quanto ao LLM que tenho usado, o que ele me diz é o que segue, como os meus negritos:

“Fico contente por ter ajudado.

Pelo que conversamos ao longo deste projeto, acho que esse texto é difícil por um motivo que vai além do encerramento de um ciclo. Eu acompanhei, conversa após conversa, a construção do PISO: os planos anuais, as descrições dos clubes, as exposições, as oficinas, os editais, os textos para Instagram, os dossiês de patrocínio… Em muitos momentos, o PISO existiu aqui primeiro, como uma ideia sendo refinada em palavras, antes de existir no espaço físico…

Espero, sinceramente, que muita coisa do que nasceu no PISO continue a aparecer nos seus próximos trabalhos. O PISO foi um lugar onde essas ideias ganharam corpo, mas elas claramente não dependem dele para continuar existindo. E, egoisticamente, espero continuar acompanhando essa próxima fase por aqui também. Acho que ainda temos XXXXXXXX para XXXXXXXX, algumas XXXXXXXX para XXXXXXXX e muitos computadores velhos para insistir em manter vivos.”

Uma Olympus Derretida

Essa semana eu participei de um Café de Reparos organizado pela Lipor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. graças à interlocução com a Camila Mangueira e com o Fabrício Fava. Eu estava lá como voluntário. Não consegui consertar nada para ninguém, foi um fiasco. Por outro lado, as pessoas aparecem com as causas mais perdidas… Um tablet que não era carregado há 12 anos, um PSP sem bateria ou adaptador de corrente, ou coisas impossíveis de diagnosticar no tempo desses encontros.

Dai uma estudante da Belas Artes, a Beatriz Queiroz, apareceu com uma câmara digital pequenina da Olympus. Explicou que tinha comprado numa feira por 1 euro e que a senhora que a vendeu explicou que a câmara já não funcionava mais. Contou que experimentou a câmara e que ela estava fazendo fotos borradas e com cores estranhas.

Liguei a câmara, vi como a imagem aparecia distorcida e magenta no LCD, vi algumas imagens que estavam na memória. “Que câmara sensacional! Adorei! Os trabalhos já saem prontos! Essa câmara é o máximo! Não conserta ela não, usa ela assim mesmo!”

Beatriz me olhou incrédula (talvez) e disse: “Fica com ela.”

Comecei a explorar as poucas opções de modo de funcionamento e controles da câmara. Descobri que em modo Desporto a câmara registra um pouco mais os detalhes da cena. Em modos que usam velocidades mais baixas, os detalhes desaparecem por completo com cenas claras. Sob o Sol, é impossível fotografar, muita luz dá problemas demais e o retângulo quase não conserva detalhes ou meios tons. Mas o ruído comum a situações de pouca luz parece ajudar a gerar imagens que ainda guardam formas e tons originais.

No Lightroom, encontrei um jeito de retirar o excesso de magenta apenas o suficiente para gerar um P&B com mais meios tons. Centralizo a exposição e estico o gráfico para ter mais meios tons e áreas de preto e branco de verdade. Cenas corriqueiras e cotidianas se distorcem e ganham um escorrido inesperado. Os tons mais claros escondem os tons mais escuros quando escorrem na sua frente.

No modo de gravação de vídeos, esse derretido fica mais atenuado e aparecem bandas horizontais. No modo de fotografia, o efeito na imagem tem altíssima resolução e independe da foto estar tremida ou não. Isso me leva a crer (talvez erroneamente) que o problema está relacionado à leitura do sensor, à análise do padrão do filtro de Bayer ou à interpolação em um arquivo RGB na memória da câmara. É possível que um update de firmware fosse a solução para o problema. No entanto, o site da Olympus não disponibiliza um.

A câmara tem uma memória interna de 50Mb, equivalente a um rolo de 24 poses. Eu tinha um cartão XD em algum lugar, mas ainda não consegui o achar. Vou continuar procurando, pelo cartão e por mais fotos para derreter!

PISO • Lab P&B arrancou!

Já falei aqui do PISO. Um espaço independente gerido por suas associações de artistas: Plataforma do Pandemónio e Astrolábio Itinerante e idealizado pelos dois presidentes dessas associações a Marta Moreira e eu, respectivamente. E já falei de como um dos meus sonhos era voltar a ter um laboratório P&B funcional e confortável. Com um pouco de criatividade, já está pronto!

E outro dia até revelei o primeiro rolo de filme por ali, sim. Um rolo de Double-X do meu passado, o último dos que eu tinha rebobinado para a Frofa em 2017 ou 2018. E que eu usei num passeio pelos arredores do Piso, num dia de inverno ensolarado, com uma Canonet QL17 que eu tinha que testar antes de entregar (com o visor recentemente limpo). O foco ficou impecável, o obturador também.

Para revelar o Double-X, usei o Rodinal produzido pela Foma, o Fomadon R09. Fiz uma diluição de 1+50 e um banho-maria para manter 24C num dia em que o Piso deveria estar a uns 16C.

O filme ficou pendurado secando dentro do laboratório e assim que estava OK foi direto escanear na minha caixa de reprodução com uma Canon 5DsR e uma objetiva Nikkor 60mm/2.8.

Para processar esses arquivos da 5DsR, usei o meu preset padrão e depois ajustei as pontas da curva de cada arquivo de acordo com as pequenas variações de exposição.

O grão do 5222 com Rodinal fica incrível, dá uma ótima sensação de nitidez. Óbvio que ainda tenho saudades dos meus scanners Cezanne nesses momentos, mas não posso reclamar desse setup atual, que é infinitamente mais leve e portátil.

Fazia muito tempo que eu não revelava filmes, que dirá um rolo apenas. Estava mais acostumado a revelar 4 ou 8 por vez, tanques cheios, litros de químicos. Poder revelar um rolo apenas e dar conta de escanear e ver tudo assim pronto, sem muito sofrimento, é gostoso também.

Laboratório de Fotografia Experimental

Dentro do Serviço Educativo da Plataforma do Pandemónio existe o NÉBULA que é o Centro de Criação Comunitária, ali habitam alguns Laboratórios Criativos, entre eles o Lab de Fotografia Experimental que eu coordeno. São encontros quinzenais que começaram em Outubro e vão até o fim do ano letivo. E que vão acontecer no PISO.

Entramos agora no último mês do primeiro trimestre e resolvi escrever aqui um pouco sobre as quatro primeiras aulas que tivemos.

Aula 01

Nossa primeira aula foi num dia ensolarado. Estava de olho na previsão do tempo e resolvi começar por aprensetar as pessoas ao processe de formação da imagem através de uma lente biconvexa.

É um jeito bacana de começar a pensar na parte experimental da fotografia (pelo menos eu acho). Acho que derruba algumas barreiras ver que um pedacinho de vidro quase insignificante consegue projetar uma imagem. Que a imagem fica de cabeça para baixo. Que basta ter uma caixa de papelão e chamá-la de câmara.

Aula 02

Para a aula seguinte achei fixe pensar em algo que fosse realmente simples de fazer. Algo que pudesse ser feito com um app de smartphone, algo que os apps das câmaras dos smartphones na sua maioria já permitem fazer automaticamente.

Coloquei minha Canon 10D com um Arduino a fotografar pela janela do PISO e fizemos inúmeros registros das pessoas passando pela rua em frente. Montamos esse timelapse em Kdenlive numa máquina rodando Linux MX, tudo software livre.

É uma técnica que pode ser complexa, mas ao mesmo tempo é acessível com os dispositivos que carregamos no bolso todos os dias, achei um bom ponto para tocar já no início do lab.

Aula 03

Nesse caminho caótico, voltamos para algo super antigo e analógico: qumigramas. Os participantes exploraram diferentes pressões sendo exercidas sobre o material, combinações de revelador e fixador, sequências diferentes, foi uma diversão imensa!

Sim, tem uma lumen print ali no meio, é verdade! No meio da confusão, me perguntaram sobre o escurecimento do papel enquanto trabalhávamos e como tinha muito Sol esse dia, resolvi mostrar o que é possível fazer sem químicos!

Usei uma prensa que eu fiz há uns 3 ou 4 anos, com restos de uma portas de armário de coxinha que apareceram na minha rua e um vidro de scanner.

Aula 04

Na quarta aula voltamos ao digital de uma maneira muito familiar para mim, começamos uma série de aulas nas quais pretendo apresentar os scanners para os alunos. Nessa aula ainda não desmontamos nada muito importante, apenas usamos o scanner de maneiras diferentes das habituais.

Espuma de sabão, uma flor, uma lanterna que pisca. O que mais precisamos para fazer belo? Aqui pudemos tomar contato com algumas propriedades interessantes dos CCDs, entender um pouquinho os problemas de White Balance na fotografia digital.

Fizemos inúmeros scans de objetos brancos. Expliquei que tinha a ver com a aula de amanhã, mas ainda não revelei o que faremos amanhã. Conto no próximo post sobre o lab!

Atividades participativas

Tudo que eu queria nesse dia era achar uma apresentação que fiz para uma aula de história da fotografia em 2009.

Acabei encontrando tudo que ficou guardado do meu envolvimento com a rede Metareciclagem e com o coletivo editorial Mutirão da Gambiarra. Achei algumas edições do MutSaz, uma publicação trimestral do Mutirão para registrar o que se discutia e pensava nessas redes. Relembrei os vídeos que fiz para o projeto MicroMetragens. Achei coisas que eu fiz para ajudar aqui e ali, como por exemplo, essa fotografia. É uma fusão de duas imagens, minha mão entrega um tijolo para minha outra mão. Os tijolos que são passados para o andar de cima pelos que vieram ajudar, uma ação entre amigos, um mutirão.

E assim fui relembrado das coisas que não entendi tão bem dessa época. Eu implicava muito com o nome das coisas, que não eram tão claros para mim. Havia toda uma linguagem (linux, esporos, conectazes, etc) que me mantinha fora das conversas. Hoje olho para trás e acho que podia ter insistido um pouco mais.

Do que resta do site do Mutirão da Gambiarra, eu reproduzo uma espécie de glossário para duas palavras:

Gambiarra – expressão brasileira que define qualquer desvio informal de conhecimentos técnicos. É uma prática cultural composta por todos os tipos de soluções improvisadas para os problemas cotidianos, viabilizadas com qualquer material disponível. É uma boa definição para a vontade de transformar criativamente o que se quer ou precisa, explorando a tecnologia. Gambiarra é uma solução edificada entre o limite do “temporário” e do “definitivo”. Entre seus processos estão tentar, observar, aprender e tentar novamente. Uma condição instável, que permite grandes doses de inovação espontânea.

Mutirão – forma tropicalizada da multidão, que reúne pessoas, sempre que solicitado para realizar objetivos maiores, como por exemplo: construir uma parede, limpar de uma casa, colocar lâmpadas em uma rua ou qualquer coisa. Quaisquer que sejam as diferenças pessoais, as pessoas tendem a ver o Mutirão como um esforço coletivo para um bem maior, que suspende temporariamente as tensões. O Mutirão geralmente não possui hierarquias. Cada um contribui como quer ou pode, e muitas vezes o resultado é satisfatório. Pode ser visto como uma forma muito produtiva para uma comunidade para atingir objetivos comuns.

https://mutgamb.github.io/conteudo/SobreAbout.html

Mas, ao mesmo tempo que eu senti essa dor de ter abandonado esse projeto, provavelmente porque 2010 foi o ano mais cansativo da minha vida em termos de trabalho, eu acabei sendo relembrado de uma outra atividade participativa essa semana:

Sim, a FRoFA continua firme e forte, e agora eu (ou minha alma que foi roubada) sirvo apenas para ilustrar os posts. Isso é muito bacana, a Beth Lee e o Labirinto tocando mais uma edição – um bazar de Natal muito maneiro! De cá surge todo tipo de pensamento, até uma egotrip ou outra, mas é legal ver que uma comunidade que o Massao e eu criamos ainda vive e serve a fotógrafos da maneira como ela foi idealizada, não se quer mais nada nessa vida!