Luxúria, do artista Pedro Bastos, é uma exposição-instalação apresentada em três museus do Norte de Portugal: o Museu Nacional Soares dos Reis, o Museu do Abade de Baçal e o Museu de Alberto Sampaio. A abertura inclui a exibição do filme “Luxúria”, uma projeção analógica em 35 mm com música ao vivo de Rui Souza.
O projeto é inspirado por iconografias medievais da luxúria presentes em esculturas religiosas da região, o trabalho desenvolve uma leitura contemporânea e poética desses temas, combinando pesquisa literária e fotográfica.
O filme projetado foi impresso com serigrafia, quadro a quadro. Imagina o trabalho que isso deu!
A regra é simples: na Alemanha podes deixar items dos quais quer se desfazer à sua porta, contanto que caibam numa caixa de papelão devidademente identificada, em geral se escreve “zu verschenken”. Assim esses objetos não serão considerados lixo fora de lugar e poderão ficar ali até que alguém que esteja passando os queira levar consigo.
É um tanto agradável andar por um lugar onde a civilidade e o senso de comunidade tem tanta força que essas caixas se tornaram hábito e tem uma, mesma que já vazia, na porta de cada prédio.
Ainda assim, existem pontos de recolha para pequenos aparelhos e têxteis em todos os bairros, em geral junto aos pontos de recolha de recicláveis.
Ainda assim, alguns items acabam se tornando trabalhos artísticos pelas ruas…
Finalmente começou!!!! Abro esse post com uma selfie rápida no fim da montagem, ainda na bagunça.
Aqui segue o press release sobre a exposição e o projeto:
A obra de Fátima Roque está em destaque na primeira exposição do ciclo Fotógrafas Experimentais que, até novembro, vai revelar dez mulheres pioneiras na área da fotografia. A iniciativa integra o programa da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, depois de ter sido escolhido no âmbito do programa Todo-o-Terreno.
“Fotógrafas Experimentais” celebra a fotografia como campo de experimentação e resistência criativa, cruzando-se com o rico património fotográfico de Braga. De fevereiro a novembro, no café anexo à padaria Amor&Farinha, serão apresentadas as investigações visuais de dez fotógrafas através de exposições, conversas e oficinas. A cada mês, há uma exposição dedicada a uma artista diferente. Cada uma delas traz a sua abordagem única, desde técnicas pré-industriais até à reutilização de tecnologias modernas, explorando a fotografia como gesto político e poético.
Cada ciclo mensal integra também uma oficina dedicada a diferentes técnicas fotográficas. As oficinas funcionam em formato de aulas abertas, sem necessidade de pré-inscrição. A primeira exposição inaugura às 18:00 do dia 4 de fevereiro e é dedicada a Fátima Roque (1960-2019), artista que inspirou este projeto. Roque foi fotógrafa e investigadora da fotografia. Fez frequentes incursões pelos rios da Amazónia, não apenas para fotografar, mas também para ministrar cursos à população local. Integrou o Grupo Surrealista de São Paulo, tendo exposto individualmente em várias instituições brasileiras e internacionais. “Fotógrafas Experimentais” é impulsionado pelo TiroLiroLab, coletivo de arte e tecnologia que propõe práticas sustentáveis e inovadoras. A iniciativa integra o programa da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura no âmbito do programa Todo-o-Terreno.
Para encerrar meu ciclo de 4 aulas no Nébula fiz uma aula sobre o uso de filme raio-x em câmaras de grande formato.
Revelamos os negativos ali na sala mesmo, com meu laboratório portátil feito de cartão e madeira.
Era um dia chuvoso, tivemos que nos posicionar bem próximos às janelas para ter luz suficiente.
O grande desafio do dia era manter os químicos na temperatura certa, sendo que dentro da sala de aula estava 15C. Além do material de laboratório, levei comigo uma grande cafeteira elétrica. Deixei ela cheia de àgua, que se manteve quente durante toda a aula. Sempre que achava que era o momento, adicionava um pouquinho daquela água bem quente aos químicos e deu certo.
Ah! Nada mais bracarense que uma chuva fraca e persistente!
Assim foi a oficina de quimiogramas que fez parte do núcleo de artes visuais do Nébula, sob uma garoazinha bracarense.
Usamos uma das mesas de merenda do Campo das Carvalheiras no centro histórico de Braga, num dia nada especial para isso…
Reaproveitamos uma caixa de papéis fotográficos bem pequeninos da Gevaert, um Ridax tamanho 8x8cm, fibra, peso simples, brilhante. Usei Rodinal bem diluído para dar uma revelação bem lenta, perfeita para iniciantes em quimiogramas.
Conseguimos muitos meios-tons, ficou muito bacana!
Faltou mesmo foi uma bebida quente para manter o corpo mais quentinho!
Agora que já faz mais de um ano que adotamos a Polenta, uma cadela sem ração definida que tem muitas características de uma raça conhecida como podengo português, comecei a olhar para as fotos que fiz ao longo de incontáveis passeios com ela pelo bairro.
No fim da minha rua há um terreno vazio, um grande descampado com uma vista incrível para o vale do Rio Cávado. No outro lado do vale estão Vila Verde e o Prado, que são menores que Braga. Ao longe uns montes mais altos com turbinas eólicas e se pudéssemos ver além, veríamos a Espanha.
Polenta adora farejar, mas gosta também de sentar e ficar sentindo os diferentes cheiros que vêm no vento. E eu entro na onda e fico observando o tempo passar, os detalhes de cada estação, a forma das nuvens, como a vegetação da época balança ao sabor do vento.
Às vezes as nuvens filtram a luz do Sol, tem vezes que é a fumaça dos incêndios. Tem dias quentes com um vento gelado. E agora nesse início de Outono teve uns dias perfeitos, nem quentes, nem frios, com um vento constante.
Depois de um tempo, vendo sempre a mesma paisagem, várias vezes ao dia, algumas coisas que pareciam tão relevantes e dignas de uma imagem, começam a se tornar corriqueiras. Me pego esperando um dia ainda mais incrível, nuvens com um desenho ainda mais complexo ou intrigante, coisas desse gênero.
Já sei mais ou menos a que horas os postes de iluminação urbana vão acender ou apagar, fico esperando aquele momento em que tudo vai se alinhar para que a exposição automática do smartphone seja capaz de lidar com essa riqueza de tons.
Mas tem vezes que a situação exige abandonar qualquer plano previamente estabelecido e arriscar tudo num frame impensável com o Sol quase ao centro da imagem. A natureza é que manda, boa parte das vezes.
Um dia a Polenta me acordou mais cedo, chegamos no descampado ali pelas 6 das manhã, o Sol ainda não tinha nascido pelas nossas costas, mas uma luz matinal já iluminava essas nuvens sobre o vale do Cávado. A Lua, que ainda não tinha ido dormir, se escondia por trás de umas nuvens fininhas, quase na linha do horizonte. Agradeci a Polenta, pensei em William Turner, fiz uma foto tremida e cheia de ruído.