Processos Fotográficos • perdas e ganhos

Recentemente durante uma entrevista do Foco Crítico (programa que apresento com Fausto Chermont) surgiu o assunto das perdas dos processos fotográficos. Falávamos com Ralph Gibson e ele contava da impressão de seu primeiro livro: http://www.ralphgibson.com/1970-somnambulist.html

A história que ele contou era de quanto ele teve que aprender e investigar sobre os processos de litografia naquela época e procurar pessoas que o atendessem para que ao invés de perder no processo de impressão e acabasse ganhando algo novo e inesperado. Nasceu ali um longo relacionamento dele com os livros.

No início do ano de 2015 queria preparar duas imagens da série Ser Cor e Ser Rio para uma feira. Mandei os dois arquivos para o Lucio Libanori, da Gicleria, imprimir e montar. O Lucio alertou para possíveis problemas de gamut. O arquivo dessa série é produzido em um software antigo, sem CMS, mas que é o que permite criar esse tipo de imagem, assim toda espalhada pelo ambiente do RGB.

Fomos adiante e fizemos as cópias, o trabalho realmente perdeu alguma coisa, algo que provavelmente é imperceptível. No entanto, nenhum método de impressão atual poderia resolver o problema.

O Lucio fez um vídeo de tela enquanto ele comparava os gamuts da imagem e da impressora dele, antecipando as perdas em todas as direções.

Confesso que me bateu um orgulho de ter conseguido criar um arquivo tão complicado e uma tristeza ao encontrar as limitações do processo.

Ver o Mosaico de Bayer

Era uma idéia antiga conseguir ver o Mosaico de Bayer.

Em Belo Horizonte fui convidado a ir no Laboratório do CBEIH para usar um microscópio eletrônico de varredura para investigar minha coleção de CCDs.

Fui recebido pelo Vinicius Abreu que me ajudou a olhar para um CCD de uma Sony Cybershot antiga com até 6600x de aumento. O microscópio dele era capaz de ir até 1.000.000x, mas não era necessário.

Pudemos medir um fotodiodo do CCD: 1,33µ.

vários ccds montados na bandeja de amostras de um microscópio eletrônico de varredura

Começamos com 3 espécimes: 3 CCDs retangulares e um linear (da esquerda), quebrado ao meio para caber na bandeja.

Screen Shot 2015-10-16 at 6.36.59 PM

E está ai a imagem a 3750x na tela. Depois que os Tiffs chegarem, prometo que mostro aqui.

Legal é que até dá para perceber as diferentes cores, o que é bizarro, já que o microscópio de varredura é feito para perceber volume e o CCD é completamente liso. Enfim, mistérios!

 

 

95mm Printing-Nikkor • montagem em helicoidal

A objetiva 95mm Printing-Nikkor é uma objetiva usada em equipamentos de telecinagem para na hora da cópia alterar o tamanho do fotograma. Por exemplo, para copiar filme 16mm em filme 35mm que será projetado e vice-versa. Ou seja, ela é otimizada para 1:2 ou 2:1 dependendo da posição, possui roscas idênticas em ambas as extremidades (45mm) para ser montada nos equipamentos. Uma outra característica pouco comum é que ela tem o plano de foco extremamente corrigido e quase nenhuma distorção quando usada nessa situação.

95mm printing-nikkor lens

Comecei a estudar a possibilidade de montar a lente num suporte que tivesse rosca M42 e ao mesmo tempo um helicoidal para possibilitar o foco.

helios 44m helicoidal

Removi o conjunto ótico de uma objetiva Helios 44M, usei um anel de um adaptador T-Mount para fazer um espaçador e até coloquei um adaptador de Pentax M42 para Nikon F.

A próxima imagem mostra o espaçador sendo colado na frente do helicoidal.

IMG_8441

Se usado com o adaptador para Nikon F, a objetiva pode ser focada no infinito, o que não é super interessante, mas pode ser útil. Com a rosca M42 posso montar a objetiva num fole e dai sim obter os 1:2 ou 2:1.

IMG_8444

O anel de diafragma da Helios nada faz, está desabilitado.

Oficina • Câmera Oca

O Roger Sassaki e eu estamos bolando uma oficina nova desde Junho passado.  A idéia era oferecer uma maneira simples de abrir as portas do grande formato para quem não tem câmera fotográfica e fazer as pessoas botarem a mão na massa e desvendar o interior da caixa preta.

oficina guilherme maranhão roger sassaki

Com os processos mais acessíveis da fotografia analógica hoje em dia sendo o filme raio-x e a placa de vidro emulsionada fomos criar uma câmera que pudesse atender a esses processos, algo que pudesse ser oferecido em forma de kit e que fosse montado durante uma oficina curta onde tivéssemos a oportunidade de explicar o funcionamentos do equipamento e os procedimentos pertinentes a esse tipo de equipamento fotográfico.

oficina guilherme maranhão roger sassaki ambrótipo

Assim nasceu a oficina para montar a Câmera Oca. O aluno recebe um kit que inclui todas as peças necessárias para a montagem de uma câmera 13x18cm no estilo sliding box. A câmera aceita tanto chapa de vidro quanto filmes raio-x e inclui uma objetiva que o próprio aluno monta também.

Os professores acompanham todo o processo de montagem e não é necessária experiência com marcenaria. A montagem oferece uma maneira única de entender como a câmera funciona e o aluno terá a oportunidade de fazer um ambrótipo ao final da atividade. Acreditamos que poder montar uma câmera própria de madeira é algo muito bacana, divertido e altamente gratificante, temos construído nossos equipamentos por um bom tempo e são experiências inesquecíveis. A gente espera poder dividir isso com vocês.

 

oficina guilherme maranhão roger sassaki

 

De 10 a 14 de Novembro de 2015

Mais detalhes em: http://www.imagineiro.com.br/

Foco Crítico

O Fausto Chermont e eu passamos o ano nos encontrando por conta de várias conversas e volta e meia o Fausto insistia na idéia da gente gravar isso. As noites de segunda sempre foram nosso horário de se encontrar e do meio do ano para cá já foram 10 pilotos e agora 2 programas ao vivo, estamos nos divertindo.

Então o Foco Crítico é um programa ao vivo toda segunda às 22h que vai ao ar pelo Periscope…….

UPDATE: Todos os vídeos do Foco Critíco agora estão nesse canal no Youtube!