Mais uma vez as fotos da últimas intervenções chegam ao site do RXDCC, você já pode conferir o que fizemos nesse fim-de-semana:
Maio • Exposição, Oficinas e Intervenções
Muitas atividades acontecendo nesse mês, vou contar um pouco de tudo nesse post.

Amanhã e depois, sábado e domingo, 7 e 8 de maio, no Sesc Belenzinho, das 13h às 17h com o Penna Prearo apresento mais um vez o Lambe-Lambe-Quem-Você-Pensa-Que-É? Não tem como não achar a gente, a roupa laranja clássica, no meio da praça na entrada do Sesc, ou se chover, sob a marquise! Isso faz parte da programação que é apresentada junto à exposição do Retrato Pintado, vale a pena conferir.

Na terça, dia 10/05, às 19h abre no Ateliê Fidalga a exposição A Conversão de São Paulo, com curadoria de Juan José Santos. Vou mostrar a série Vzor, visões do mundo que me cerca pela minha janela cotidiana. Com lindas molduras na cor grafite da Rebeca da Somar!
Depois, a partir do dia 11/05 rola a oficina para a construção de um lab portátil no Sesc Belenzinho, esse lab ficará lá e servirá a outras atividades na sequência.

No dia 14/05 chego em Campinas para a Oficina de Construção de Câmera Digital Artesanal no Sesc de lá. Estou levando 3 scanners para desmontar e vamos tentar fazer uma câmera ali na hora. Além disso levo algumas prontas para nossa diversão!

Volto a Campinas no dia 28/05 para a Oficina de Megapinhole, estou levando papéis enormes e calhas para revelação. Vamos construir uma câmera grande com papelão e revelar umas fotos!
Se der certo, dia 29/05 ainda em Campinas, na recém inaugurada Casa de Eva da querida Ana Angélica Costa, rola um café com foto pela manhã, a confirmar.
Ufa!
ICE e filmes preto-e-branco
A tecnologia ICE no escaneamento consiste em escanear o original com uma luz infravermelha e utilizar essa imagem para determinar o que é imagem e o que é sujeira nos arquivos obtidos com luz branca de originais tais negativos coloridos e positivos coloridos. O software processa as duas imagens e faz comparações entre as duas para localizar a sujeira.
Com filmes preto-e-branco a coisa não funciona tão bem, já que a prata reflete luz infravermelha tanto quanto a sujeira. Bom, isso provoca uma certa confusão por parte do algoritmo que faz a “limpeza”, que pode ser bem interessante como essa solarização localizada que ocorreu em um negativo de Tri-X escaneado no Pakon F135 Plus com o ICE ligado.
LED RGB no ampliador 8×10″
Descobri que as fitas de LEDs RGB vm acompanhadas de controles remotos que fazem eles mudarem de cor e que mesmo quando a corrente elétrica é cortada e volta, eles possuem memória e mantem a cor selecionada anteriormente, ou seja, são perfeitos para uma cabeça colorida ou multicontraste de ampliador.

Nesse primeiro teste a luz não ficou uniforme, mas já mudei o caminho dos fios e consegui melhorar a situação. Luz verde deve dar baixo contraste com os papéis de contraste variável e luz azul faz o alto contraste.

Ainda aguardo encontrar um pedaço de isopor para rebater os cantos e uniformizar a luz nas beiradas do negativo.
Helios 44M-4 convertida para Nikon F
As Câmeras Renzo
Qual não foi o meu espanto ao ver dois trambolhos muito interessantes na vitrine da loja Angel no centro de São Paulo esses dias. Me aproximei cautelosamente e li os dois cartões, um sobre cada câmera:
“Câmera Renzo – Artesanal
•Formato Panorâmico 24×70
•Filme 35mm
•Lente 35mm f/3.5”
E na outra câmera:
“Câmera Renzo – Artesanal
•Formato Panorâmico 55×184
•Filme 120
•Lente 75mm f/3.5”
Fui até o balcão e pedi informações sobre as câmeras e seu construtor, dono, etc.
O Claudio me contou do Sr. Renzo e se ofereceu para nos colocar em contato. Retornou pelo telefone alguns dias depois e marquei um encontro com ele lá na Angel mesmo onde estavam as câmeras.
O início de nossa conversa foi um pouco tensa, acho que o Sr. Renzo estava muito curioso para saber porque tanto interesse pelas suas câmeras. Comecei então a mostrar algumas imagens no meu celular, fotos de projetos, de coisas construídas e de idéias ainda sendo matutadas.

Um pouco mais tranquilo, o Sr. Renzo me contou um pouco de sua história. Engenheiro aposentado, filho de uma italiana e um decendente de franceses, Sr. Renzo lembra da sua participação no XI Salão Internacional de Arte Fotográfica na Galeria Prestes Maia em 1952 ao lado de Geraldo de Barros, German Lorca, Eduardo Salvatore, Francisco Azsmann entre outros.
O Sr. Renzo começou cedo a construir coisas, incentivado pelo pai que também foi engenheiro, construiu seu primeiro ampliador aos 15 anos usando uma câmera 6x9cm francesa. Me contou que a grande inspiração sempre foi a falta de dinheiro, diz ele sorrindo. “Não pode comprar, tenta fazer”. Nessa anos todos fez diversas coisas, desde mais ampliadores, uma câmera pinhole em madeira e uma câmera tipo field de formato 6x9cm também.

Note bem o marginador feito de chapa de metal e imãs. Dá um ótimo aproveitamento do papel para imagens sem margem.
Já as câmeras panorâmicas são projetos bem mais complexos. Instruções de uso de ambas estão em adesivos espalhados pelas superfícies das câmeras, faça ajudar a memória.

Essa é a vista traseira da câmera 35mm com o takeup spool prateado do lado esquerdo, as guias do filme douradas no centro.

Esse disco do topo serve para armar o obturador periférico e o botão no centro dele controla o diafragma.

Pela frente se vê uma fenda e a objetiva escondida ali atrás. A tampa (visível na parte inferior) precisa ser fechada para armar a câmera.

Esse é o obturador em ação:
A câmera 120 é um pouco maior, tem a frente em couro para a objetiva se movimentar.

O visor de arame ajuda na composição e também serve como alça.

As etiquetas continuam lá!

A traseira.

Um detalhe da madeira no fundo da câmera que foi usinada para formar o trilho por onde se movimenta a objetiva quando esta gira.

Com a câmera 120 o Sr. Renzo conseguiu fazer uma ampliação com 2 metros de comprimento. Ele considera o resultado muito bom, a boa nitidez da câmera se deve ao fato da fenda só usar o centro da imagem projetada pela objetiva e das velocidades serem muito altas evitando borrões.
As câmera ficarão por tempo indeterminado na vitrine da Angel na galeria da Rua 7 de abril, 125, a visita vale a pena!

