Revista Estúdio

Hoje eu recebi um e-mail do Guilherme Tosetto de Londrina que está doutorando em Lisboa. Ele escreveu um artigo sobre meu trabalho Pluracidades que foi publicado no número 18 da Revista Estúdio, uma revista acadêmica sobre imagem das terras do lado de lá do Atlântico.

Para ver a revista, siga esse link: http://estudio.fba.ul.pt/atual.htm e baixe o PDF do número 18, estou na página de número 146.

revista estúdio no. 18

Filme gráfico infravermelho

Há uns anos atrás um xará meu me deu de presente uns rolos de filme para Imagesetter infravermelhos. O que é isso?

Bom, Imagesetters eram máquinas que cuspiam fotolitos prontos a partir de arquivos digitais. O conteúdo do fotolito era gravado no filme com lasers, dependendo da máquina o laser era de uma determinada cor, algumas máquinas usavam laser infravermelho.

Bom, ok. Fui pesquisar e vi que chegou a ter gente que cortou o filme e carregou em máquinas fotográficas de grande formato, mas a informação não ia muito adiante. O tempo foi passando e a cabeça matutando como experimentar esses filmes.

Existe um problema com filmes IR que é a compensação do foco, já que nossos olhos usam a luz visível para focar a lente e o IR acaba focando em outro lugar. Como as câmeras de médio e pequeno formato em geral tem uma marquinha que indica a compensação, achei por bem pensar numa maneira de experimentar nelas.

Dai esse post no Emulsive em março reavivou todas essas idéias. A principio imaginei algo bem mais simples, até para saber em que estado está o filme e como ele vai se comportar com os reveladores de que disponho.

Logo fiz um gabarito para cortar pedaços de 6x83cm em acrílico e no escuro total cortei alguns pedaços de filme nesse tamanho e carreguei em bobinas e papéis 120 recuperados.



Esperei o Sol de manhã de domingo para testar os filmes. Com a Pentax 67 sobre um prédio, expus dois rolos, cada um retirado de um rolo maior de filme, para avaliar o estado dos dois e a possibilidade de usar eles. Instalei filtro vermelho tanto na 105mm como na 55mm. Comecei ambos os rolos com 1/125 de segundo e f/8, abri um ponto a cada foto e terminei com 1 segundo em f/4, ou seja de ISO 100 a ISO 0.18 se estivesse pensando em termos de luz visível, que não é o caso. Fica apenas a indicação de um Sol das 10h da manhã num dia de inverno.

Misturei uma fórmula do Dave Soemarko para obter negativos de tom continuo a partir de filmes litográficos. Pensando que o filme deveria ter bastante contraste e que seria necessário domá-lo. Por outro lado o LC-1b reduz muito o ISO do filme e isso seria um problema caso o filme já tivesse um ISO muito baixo.

Filtro vermelho e LC-1b conjugados formam uma aposta difícil.

Revelei o filme #1 (obj. 105mm) com o LC-1b diluído 1:10 a 20C e durante 10 minutos com agitação continua (filme da esquerda na foto). A imagem de ISO 0.18 ficou visível mas ainda subexposta e/ou subrevelada, existem alguma alternativas: diluição menor (1:5 ou 1:6), experimentar sem o filtro vermelho e ver se o filme responde ao resto do espectro.

O filme #2 (obj. 55mm) foi revelado com Dektol solução de estoque por 5 minutos nos mesmo 20C. A imagem em ISO 3 ficou bem parecida com o fotograma ISO 0.18 do LC-1b, já o fotograma em ISO 0.37 ficou razoável, apesar dos poucos detalhes nas baixas luzes e do contraste exacerbado. É o fotograma que aparece escaneado abaixo, o céu azul aparece negro, as sombras dos prédios perderam todos os detalhes.

Sobraram ainda 5 rolos para testes, estou pensando em tentar melhor o LC-1b, aumentar a concentração, tentar melhorar um pouco a densidade em ISO 0.18 ou abrir mão do filtro vermelho. No balanço, apesar do corte dos filmes não ficar primoroso, eles correram bem pela câmera e carregaram bem na espiral, soltaram um pouco durante o processo, mas nada grave.

Apareceram algumas manchas na imagem, talvez o filme tenha ficado manchado pelo mofo ou pelo tempo guardado, indo mais para o meio do rolo deve ajudar.

Dusting On com Beth Lee

No mês passado eu tive a oportunidade de ser aluno um pouquinho, consegui me inscrever num curso super concorrido da Beth Lee no Sesc Belenzinho e lá fui eu aprender a imprimir pelo método do Dusting On.

Eu tinha acabado de comprar uma nova Pentax 67 e aproveitei o ambiente de aula para fazer uns retratos num rolo de Neopan SS super vencido.

Adelino Nascimento

Mitsuo Yamamoto

Beth Lee, a professora!

Washington Sueto

Beth fotografando e Washington em primeiro plano

Beth em ação!

Renata Voss

Augusto Maçacote

Keiichi Tahara • RIP

Eu sou muito grato ao Nafoto por ter trazido o cara em 1993. Foi uma das primeiras exposições que eu vi na vida e até hoje inesquecível. Eram duas salas com dois trabalhos de uma mesma época, mas distintos. Numa retratos em formato quadrado, ampliados com a objetiva “errada”, cantos fugindo ao branco, uma luz dura. Na outra Paris vista pelas janelas de um apartamento no sotão de um prédio, janelas imundas, a silhueta da cidade.

Das coincidências da vida, meu livro que contem um agradecimento a ele ficou pronto umas duas semanas antes de uma viagem à Tóquio. Mandei um e-mail pelo site dele, ele foi super gentil e me convidou para um chá, tivemos uma conversa sensacional e presenteei ele com um livro, ele ficou surpreso, foi um dia muito feliz. Falamos das nossas janelas, das francesas imundas dele, dos meus filmes mofados, falamos de como assim fotografia é.

Ainda naquela viagem ele me escreveu de volta e fomos jantar no último dia de Tóquio, pude tomar um porre com ele. Saudades.