Três perguntas para Isabella Finholdt sobre hashtags

No Instagram você usa algumas hashtags que me fazem imaginar você ali fazendo aquela imagem naquele instante (#shootlikeagirl, #womeninstreet, #girlsinfilm) e eu imagino também que você tem uma certa familiaridade com esses lugares fotografados à noite entre 2014 e 2016. Qual sua relação com esses lugares?

IF: A maioria dessas fotos fazem parte dos dois livros que elaborei pro meu TCC em artes visuais, Verão e Arrebol. Boa parte delas foram feitas no Taboão, no Butantã ou em Pinheiros, que são (ou foram no caso do butanta) lugares que moro e que passo ou frequento diariamente há dez anos. Acho que minha relação com os lugares é de familiaridade e nessa época estava procurando “ver de novo” as coisas que via/vejo todo dia, os ambientes de passagem, a paisagem cotidiana, etc

isabella finholdt

Ainda sobre a hashtag #girlsinfilm, quanto do seu processo ainda é analógico? Porque?

IF: A relação com o analógico pra mim é importante, foi o meio que aprendi a fotografar em 2011. Também pesquisei a construção de uma camera de grande formato em 2016/2017. Também presto serviço de digitalização.
Os dois projetos pessoais que ando tocando são digitais; embora as vezes use a Yashica 6×6 pro projeto do condomínio. Atualmente eu deixei um pouco de lado o analógico enquanto processo de trabalho e pesquisa pessoal, mas de vez em quando eu pego a Yashica, a K1000 menos, pra fotografar porque sou apaixonada pelo formato e por alguns filmes. Para mim as as coisas andam meio juntas, se tenho vontade vou e faço analógico também

E sobre o #workinprogress de retratos, você imprimiu provas para editar esse material? Como funciona essa etapa do trabalho?

IF: Esses retratos que postei são parte do projeto maior que to fazendo aqui no condomínio que moro; tenho algumas provas em diferentes tamanhos…imprimi muitas pequenas (tipo um A5) pra ter uma noção do material que já é grande, e algumas maiores para apresentar na mostra de portfolio do V Fórum Latino-Americano de Fotografia; eu editei algumas séries retratos externos, internos, paisagens etc… e tenho alguns conjuntos que gosto muito e que acho que funcionam bastante, mas a etapa da edição tem sido mais complicada pra mim, a real é que preciso trabalhar mais nesse sentido

Três perguntas para Michela Brígida sobre ensinar e aprender

Você foi âncora do programa online sobre fotografia, o Click na AllTV (uma grande inspiração do Foco Crítico), como foi essa experiência?

MB: Apresentar o programa Click foi um grande aprendizado pra mim, uma experiência que se integrou à minha formação em comunicação, uma vez que tivemos que dominar a rotina de produção, bem como as técnicas para apresentação e divulgação de programa semanal de TV. E tudo isso de forma voluntária. Conciliar todo esse trabalho, sendo uma jornalista e fotógrafa recém formada foi já um aprendizado e tanto!

Alem disso, aprendi muito a respeito desse universo da fotografia, tendo acesso a grandes nomes nacionais e internacionais.

Quantas transmissões você fez e quais o momento mais memorável?

MB: Acho que começamos em 2004. Fomos até 2009. Com um programa a cada domingo.
Houve muitos momentos memoráveis: quando entramos na câmera-caminhão-pinhole de Mica Costa Grande, quando entrevistamos fotógrafos que tenho como referência como German Lorca, Claudia Andujar, Thomas Farkas, Pedro Martinelli. Muitos momentos memoráveis.

Sobre o dia-a-dia nas aulas para a ETEC de Carapicuíba, o que você já aprendeu com os alunos?

MB: Tanto na Etec como na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, eu vejo que o que eu mais aprendo com esses alunos é ser uma pessoa melhor, mais paciente, mais compreensiva, mais humana, a enxergar e valorizar as produções, os novos trabalhos. Eles me ensinam a estar sempre renovando o olhar e isso é muito importante.

A Exa e seu espelho que serve de obturador

Há uns dias eu inclui um link nessa lista lateral, sob o nome de Panorâmica Reflex. É um link para um site sensacional que detalha o trabalho de dois alemães, um deles o responsável por essas modificações de câmeras Exakta para formato panorâmico e foi isso que me fez lembrar das Exa. Vale a pena conferir.

Mas antes, uma digressão sobre esse modelo das Exakta, a CameraPedia abre o verbete da Exa com a seguinte frase: “The Exa is a 35mm SLR developed by Ihagee, and is a simple but reliable version of the Exakta.” Uma câmera simples e essa definição não poderia ser mais verdadeira. O design da Exa foi simplificado com a decisão de transformar o espelho em parte do obturador e isso diminuiu muito a quantidade de partes móveis que precisam ser acionadas pelo mecanismo de disparo da câmera. Quando a Exa é disparada o espelho começa a subir e expõe o filme, logo uma outra peça sob o espelho sobe também e esconde o filme. O sistema não é tão preciso quanto um obturador de cortina, nem pode dar uma gama tão grande de velocidades, mas para uma câmera mais barata ele é bem eficaz. Vale ler esse artigo no Camera Quest também.

Quem acompanha o blog há mais tempo, talvez tenha visto posts que fiz sobre duas Exas modificadas que eu possuía. Bisbilhotei longamente as modificações que fizeram nessas câmeras e cheguei à conclusão que a simplicidade da câmera é a razão da sua escolha para essas finalidades. Não foi diferente, quando o Marco Kröger resolveu fazer uma panorâmica ainda mais versátil, depois de ter usado o modelo Varex nas suas primeiras câmeras, ele se virou para a Exa e não teve que lidar com a modificação de mais um obturador de cortina.

Três perguntas para Celso Eberhardt sobre tempos distantes

De passagem pela oficina do Celso Eberhardt, gravei 3 perguntinhas para ele sobre o passado distante.

Qual que é a sua memória mais antiga consertando câmeras?

CE: Eu tinha 13 anos, estava começando. Uma máquina pequena, 35mm, de fole, talvez fosse Zeiss, com a mola do obturador quebrada, tinha que desmontar tudo e eu não sabia como fazer. Ai eu comecei a desmontar e desmontei toda a máquina. Tinha um funcionário do meu pai falou: não é assim! Tirou, trocou a mola para mim, montou para mim. Mas isso ficou gravado na memória, era um obturador Compur.

Celso Eberhardt na oficina da Rua São Bento, 279.

Qual foi sua câmera predileta?

CE: Eu nunca tive uma câmera predileta. Eu usava uma Petri Color, porque eu viajava e nem focava. Ela tinha um automatismo arcaico, ela tinha tudo pronto. O fotômetro funcionava mil maravilhas e era foco fixo. Eu viajava de carro e colocava a câmera no para-brisa e fica clicando as coisa que eu achava bonito, sem olhar e sem parar.

E Leica quando começou a consertar?

CE: Me pai sempre fazia Leica e eu estava acostumado a ver as Leicas antigas de rosca, as primeiras M3. Foi um processo normal de aprendizado e de conserto, com a supervisão dele, no final da década de 1960, início dos 1970.

Três perguntas para Wagner Lungov sobre gelatina seca

A gente conversou recentemente e você me contou que já tinha feito 19 fornadas de gelatina seca. Quais caminhos te motivaram a produzir seu próprio material fotossensível?

WL: Foram vários pontos somados: Independência, diversão no processo de fazer, custo mais baixo que o de filmes comprados e possibilidade de usar algumas câmeras que foram feitas para vidro.

A gelatina seca apesar de ser vidro como o colódio, é um pouco mais prática no manuseio. Em geral, quanto tempo leva entre a produção das chapas e o processamento? Já levou suas chapas numa viagem?

WL: Ainda não tive o problema de chapas “vencidas”. Já usei até dois meses após a fabricação e processei semanas após a exposição. Sim, já levei em viagens e muitas vezes saio para fotografar apenas com placas secas. Não vejo muita graça em fazer o mesmo assunto com placa e filme, normalmente ou é um ou outro.

O negativo é uma placa de vidro de 6,5 x 9 cm a a câmera uma alemã da década de 30 chamada Patent Etui. Clique na imagem para conhecer mais trabalhos do Wagner!

Você fez diversas variações lote a lote, qual foi o aprendizado mais interessante a partir dessas mudanças? Qual foi a dificuldade mais complexa de superar?

WL: Depois de fazer o curso do Roger Sassaki, no Sesc, comecei no meu laboratório com uma fórmula muito simples que tem no livro do Josef Maria Eder. Depois li muito sobre o que cada reagente faz e como cada parte do processo afeta o resultado final. Construí vários aparelhos para eliminar interferências manuais e poder repetir algo exatamente igual da última vez. Daí comecei a fazer variações, uma coisa por vez, nunca duas ao mesmo tempo, observando o resultado e ajustando a dose. Mas são tantas variáveis que mesmo na 19ª fornada ainda faltam muitas coisas a testar. Mas já passei a fase de frustração, isto é, da emulsão ficar imprestável. Isso aconteceu umas quatro vezes, mas hoje confio que vou conseguir usar e a dúvida está se vai ficar razoável, boa , ótima… Tenho feito fotografias sem tripé em fotos externas, já usei até 1/250s f/5.6. Já dá para pensar como ‘fotografia’ e não apenas como ‘tentando fotografar’.

A maior dificuldade foi acertar a viscosidade da emulsão para dar uma cobertura uniforme e sem falhas. Isso depende da gelatina, da concentração e da temperatura basicamente. O aprendizado mais interessante foi desenvolver uma forma de lavar a gelatina mantendo o controle de quanta água ela irá absorver. São coisas bem técnicas, mas o processo é mesmo técnico. Acho que não dá para ficar na tentativa e erro sem tentar antecipar na teoria qual é a validade de cada nova hipótese.

Exposição • Lambe-lambe: The Street Photographers in São Paulo in 1970s

O MIS-SP organizou o material da pesquisa de Márcio Mazza de 1973 e colocou na exposição Lambe-lambe: The Street Photographers in São Paulo in 1970s que está disponível na plataforma Google Arts & Culture. Uma pena que seja só em inglês até onde eu pude ver, mas os depoimentos em vídeo são originais, captados por Márcio no centro de São Paulo com os fotógrafos que ainda atuavam ali:

https://artsandculture.google.com/exhibit/EQKiczTDBudLLw