Festival de Fotografia Experimental em Barcelona EXP.20 • Palestra Marc Lenot

Hoje é o segundo dia do festival e acabo de sair da palestra do Marc Lenot. Ele é um professor que estuda a fotografia experimental. Para conhecer mais dos seus textos você pode acessar o site dele: http://photographie-experimentale.com/

Marc dividiu sua apresentação em três partes principais: estratégias para desconstruir a realidade, estratégias para questionar a fotografia e estratégias para questionar o fotógrafo.

Na segunda parte, questionar a fotografia, ele listou algumas das estratégias mais usadas pelos experimentais, são elas: jogar com a luz, jogar com o tempo, jogar com a química, jogar com a impressão, desconstruir ou reinventar a câmera ou usar o corpo humano como câmera. Exemplos interessantes, me pareceu um grupo bacana de subdivisões para olhar os trabalhos experimentais que conheço por ai.

No final ele falou de motivações, ele trabalhou junto ao pessoal da organização do evento para entender quem eram as pessoas que viriam aqui e leu os manifestos individuais que foram usados para criar um manifesto único que será lançado aqui hoje. Ele listou diversos itens, entre os quais: subversão, aversão ao planejamento, perda de controle, pureza, nostalgia e dar tempo à reflexão. De fato, esses são os temas mais recorrentes nas conversas pelos corredores do festival.

Ele citou Flusser um número de vezes, coisa que é importante nas partes do mundo que o conhecem menos, talvez no Brasil e na Alemanha Flusser seja muito mais conhecido que aqui na Espanha. O fato é que essa distinção que Flusser faz dos funcionários para os fotógrafos experimentais que desvendam o conteúdo da caixa-preta é muito importante para os participantes desse festival. No momento das perguntas, lembrei do professor Wladimir Fontes e perguntei ao Marc se ele achava que chamar um fotógrafo de funcionário seria uma boa ofensa. Marc foi elegante e falou que obedecer regras não é um problema em si enquanto alguém sabe porque está as obedecendo.

 

 

A Mamiya da Petra Costa e os fotolivros da Susana Paiva

Essa quarta vou publicar mais uma entrevista na série Fotografia Portuguesa, com a fotógrafa Susana Paiva que vive em Lisboa. Ela cuida do Photobook Club de Lisboa e lá pelas tantas ela fala de como os fotolivros agradam aos fotógrafos que os produzem, mas nem tanto ao público que o compraria.

Venho pensando nessa relação da fotografia e do vídeo na minha vida. Sim, por conta dessas entrevistas e do que elas podem comunicar, do seu alcance.

Para extrapolar, pensei também que Democracia da Vertigem foi indicado ao Oscar de melhor documentário e os veículos que noticiaram isso usaram a foto de perfil da Petra Costa em que ela posa com uma Mamiya RB67 em Brasília. Tenho certeza que ela deve ter feito umas fotos bacanas de Brasília, mas sem dúvida o alcance do seu trabalho em vídeo na mesma cidade foi muito maior. Consigo imaginar ela voltando a São Paulo e levando os filmes no Gibo para ele revelar e fazer contato. Será que essas imagens impressas poderiam contar para tanta gente que o que aconteceu no Brasil foi golpe?

Construção de Câmera Digital Artesanal • workshop no Tira Olhos

Dia 2 de fevereiro de 2020, em Lisboa, na Associação Tira-Olhos, voltarei a oferecer minha oficina sobre como libertar a câmera digital que está aprisionada dentro dos scanners de mesa, fique de olho!

Mais informações e inscrições, direto com a Tira-Olhos no tiraolhos.info@gmail.com

guilherme maranhão tira olhos lisboa

Espero ver vocês lá!

Festival de Fotografia Experimental em Barcelona EXP.20 • Transparência

Daqui a 15 dias começa o Festival de Fotografia Experimental de Barcelona. Tenho me surpreendido cada vez mais com as informações que vou recebendo do pessoal de lá na medida em que os dias se aproximam, eles são super organizados e transparentes.

Dá uma olhada nessa página aqui e se por acaso você já viu isso em algum outro festival, me conta nos comentários:

https://www.experimentalphotofestival.com/transparencia

Eu estarei lá para uma mesa de debates na tarde de sábado, vou apresentar a história de diversos processos experimentais digitais com os quais eu me envolvi.

Décimo segundo episódio da série Fotografia Portuguesa, um season finale of sorts

Décimo segundo episódio da série Fotografia Portuguesa. É uma produção de arquivo com imagens da fotógrafa e áudios gravados recentemente com ajuda e amigas que leram os textos da Fátima. Esse é o último episódio dessa primeira temporada, um season finale of sorts, um especial de natal se quiseres, uma homenagem merecida para essa artista lá e cá!

Fátima Roque

n. 20 de abril de 1960, São Paulo, Brasil
m. 20 de fevereiro de 2019, Santo André, Brasil

Fotógrafa e investigadora da fotografia na área dos processos fotográficos, da fotografia precária, para além da técnica. Fotografa com frequentes incursões pelos rios da Amazônia e a ministrar cursos à população local. Participa em grupos de discussão e atuação nas artes visuais e, especialmente, surrealismo, integrando o Grupo Surrealista de São Paulo.

Expôs individualmente no Mezanino de Fotografia, Instituto Cultural Itaú SP e integrou várias exposições coletivas dentre elas Exposição Internacional do Surrealismo Atual – O Reverso do Olhar/Coimbra; Atelier da Imagem/RJ; Centro Cultural da CPFL/Campinas; Prêmio Porto Seguro de Fotografia; Olhares Paulistanos/Paço das Artes e Outdoors, nas ruas; Luzenças, atual Estação Pinacoteca; Habitat II, em Instambul.

É autora de livros-objectos, dentre eles: Gaveta Fotográfica; Caixas de Quase Nada; Frederich Van Velthem e o Mar de Chacororé; Para sempre não existe; O Espírito do Tempo; O que está não é; “Outras Paragens”; Caderno de Descontroles e Aldeia.

Publicações: Sá, Lúcia – Life in the Megalopolis: México City and São Paulo – Editora Routledge, Londres; Rev. Brasileira de Educação – Anped – Rio de Janeiro; “O que está não é” – Revista Fotofagia; Eder Chiodetto – Revista SENAC e Retrato dos Índios no Brasil – Séc. XIX .

Recebeu alguns prêmios, dá aulas e dedica-se a criação de pequenos livros e pequenas edições. Viveu entre Santo André e Seixas.