Para poder usar uma das lentes do Dr. Raulino, acabei tomando uma atitude sobre a antiga câmara do meu bisavô. Lá fui eu para a Rua São Bento, levar a IIIa para o Celso dar uma olhada. Revisão geral, trocar o semi-espelho do rangefinder e colocar um couro novo por toda a máquina. Preço justo, prazo longo, pelo menos assim dá tempo de juntar a grana para pagar o Celso!
O curioso é que ele, da mesma maneira que o Otávio da Angel fez, ao ouvir a história dos pertences do Dr. Raulino imediatamente foi em busca de um catálogo de preços e valores de equipamentos antigos. Quanto vale a tal lente do Dr. Raulino que serve na IIIa do meu bisavô? Nada exorbitante não. Mas isso parece ser o mais importante por ai.
Novamente perguntei pro Celso quando ele vai aceitar um estagiário. Não quero remuneração, não quero vínculo algum, quero estar ali umas duas manhãs por semana, e aprender. Aprender as coisas que o Celso sabe, e que provavelmente vão se perder no dia em que ele se aposentar. Não quero fazer uso comercial disso, só consertar as minhas coisas. Mas acho que o Celso vai levar tudo embora com o seu corpo.
Levei coisas sem esperança para as prateleiras do Hugo. Ele ficou super feliz. Pensei até em pedir algo em troca, uma coisa que tivesse esperança de funcionar, mas não achei nada lá. O fotolog da Sharon me deixou triste. O amor que temos pelos cães é lindo. Rebobinei filmes bem antigos para usar. E fiz uma limpa aqui, muita coisa tomou outro rumo. Ainda busco um mac velho.
“Pela presente solicito autorização para uso da série de fotografias “Tal”, constante do catálogo “Tal”, a título gratuito, a fim de compor o meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) para obter o título de Bacharel de Fotografia no Centro Universitário Senac, cujo título é “Tal”. Coloco-me a disposição para outros esclarecimentos e informo que além dos créditos fornecerei cópia do trabalho para seu arquivo.”
Será necessário?
O corpo tem infinitas possibilidades. Sorte daquele que acredita nisso, saber disso só não basta. Já um homem frente ao computador, ou acredita poder entender a máquina, ou acredita que a máquina pode mais que ele.
Como Flusser bem colocou, o universo das possibilidades (imagens) do aparelho fotográfico é finito. Já o universo de possibilidades (imagens) que um corpo (e mente) pode produzir não o é. O aparelho é finito, a imaginação não.
Pensando na hibridização, para a mesa-redonda de quinta-feira na Fnac:
Há que se encontrar um saída, ou se abre mão do controle sobre a câmara, e se foca completamente em encontrar a imagem a ser registrada, ou se explora a mistura de meios e processos, buscando algum controle ainda possível através de algum processo em vias de se tornar completamente obsoleto.
