Pismo G3

Um grande amigo me deu de presente um laptop apagado. Um Pismo (Powerbook Firewire, ou o computador da Carrie, personagem do Sex in The City). O Pismo é famoso por sofrer quando sua bateria de PRAM falha. Essa é a bateria dá energia ao relógio interno do computador ou mesmo é acionada quando você aperta botão para ligar o aparelho. O Pismo sofria desse mal.

Além disso, a sua bateria principal, que o mantem ligado quando ele não está conectado à rede elétrica, estava mortinha. Não carregava de jeito nenhum, só piscava um luz informando um curto interno. A bateria de um laptop pode ser de diferentes químicas: NiMH, NiCd ou Li-ion. Essa era de Li-ion e para substituí-la só podem ser usadas baterias dessa mesma química, porque a maneira como o computador irá recarregar a bateria depende exclusivamente da química da qual ela é feita.

Uma bateria de laptop, de Li-ion, em geral é feita de células do tipo 18650 (esse é um padrão de tamanho da célula, parece uma pilha AA um pouco maior). Sai a procura de células similares para substituir as da bateria desse computador, imaginando que encontrar uma bateria completa, desse modelo tão antigo seria mais difícil. Novas são até fáceis de encontrar na região da Rua Sta Efigência, no entanto são bem caras.

Um amigo que trabalha numa multinacional me avisou de uma campanha para arrecadar lixo eletrônico nessa empresa e me ofereceu um lote de algumas baterias IBM de LI-ion. Desmontei algumas dessas baterias (que estavam sendo descartadas por estarem velhas, mas que ainda tinham alguma carga) e consegui substituir as células da bateria do Pismo. O computador ficou ligado cerca de um minuto com as células novas (novas para ele). E assim constatei que o problema da bateria do Pismo eram mesmo as células muito velhas.

Essas baterias não desenvolvem memória, o problema maior é um chip que reside junto às células, ele controla o quanto a bateria pode ser recarregada e quantas vezes e aos poucos diminui a carga máxima que a bateria pode aceitar, isso para evitar que as células de Li-ion explodam durante a recarga. Agora é só achar uma alma caridosa que possua um Lombard (irmão mais velho do Pismo) que rode um programa que faz um reset do chip da bateria do laptop, para que ele trate as células mais novas corretamente.

Tive que aprender tudo isso nesses últimos dias para tentar voltar a escanear pelas ruas.

O homem de uma câmara só

O depoimento de Tonho Ceará foi maravilhoso. Com certeza havia quem esperasse dele um discurso de quem ganhou o Prêmio Porto Seguro Brasil 2008, mas o que saiu teve tom de desabafo.

Tonho passou a vida inteira fazendo fotografias do mesmo tipo com a mesma câmara. Isso por si só é algo que eu acho difícil de conceber. Retratos, todo dia, todo ano, no mesmo lugar, mas não foi isso que motivou o desabafo.

Veja bem, ninguém pode achar que a vida dele tenha sido monótona, longe disso, não acho que exista sequer um fotógrafo no Brasil que leve uma vida sem brilho ou sem contrastes. Os desafios da prática diária de Tonho parecem ter sido suficientes para manter a agitação constante.

O desabafo foi motivado por essa luta incessante que já dura uma vida. Tomara que o prêmio sirva de alívio, restauro e descanso, além de recompensa. Quem sabe suas histórias não viram um livro ou um vídeo.

Outro fato inconcebível para os que começam hoje é que a câmara de Tonho ainda o acompanha, a primeira, a única.

Processos históricos do século XX

Difícil por comparação. Essa é a conclusão a que eu cheguei sobre ensinar laboratório p&b nos dias de hoje. Veja bem, não falta entusiasmo da minha parte, mas ensinar a alguém que está acostumado a usar uma câmara digital que até misturar bem o químico é essencial para uma boa revelação é difícil. O lab p&b nunca foi difícil, difícil era o Cor. A gente aprendia como colocar o filme no espiral, isso levava tempo, misturava pacotes de pós em água, cronometrava tudo, de olho na temperatura, tava pronto. Depois tinha que ampliar (ou seja, tudo de novo). Hoje você baixa o cartão pro computador, processa aqui tudo em algumas horinhas, já monta o site ou flickr e manda o endereço pros amigos enquanto toma suco de maracujá, isso é o máximo! O romantismo do quartinho fedido a ácido acético perdeu espaço para o glamour do Apple Cinema Display. E os malucos que aparecem para ter aula desistem quando o filme embola no espiral e sai todo colado (aquelas lindas manchas leitosas, só quem viu vai saber o que são e a dor que trazem).

Construção de Câmara Digital Artesanal no MAC-USP

A oficina de sábado foi sensacional. E depois da oficina anterior (que eu chamei carinhosamente de “a revolta das máquinas”) essa foi um grande alívio, computador e scanners funcionaram perfeitamente. Para os participantes eu juntei uma pequena improvisada galeria. Para baixar as fotos em alta os alunos devem clicar nas miniaturas, entrar nas páginas com as fotos individuais e clicando com o botão da direita na imagens grandes, pedir para salvar as fotos em disco.

macsabado

Bacalhau

Digressão pesada

Existem inúmeras questões complexas que a filosofia nunca resolveu, no entanto o fotógrafo Ricardo Rios esbarrou na solução de uma delas e resolveu dividir com um grupo seleto do qual eu faço parte. E aqui eu divido com vocês:

“Caros,
Minha circular pesquisa de mestrado me levou a resolver a questão posta e assuntada. A posta azeitada é peixe, mas seu devir é processo. Na impossibilidade de verificar a ontologia etimológica em norueguês, se é que a palavra não é anterior a estados-nação escandinavos, e Saramago não atendendo ao telefone por uma tarde inteira (prostado a ler brutalidade em flores), ficamos com as clássificassões taxonômicas da ciência presente no anexo, bem temperado de considerações estéticas práticas.

Abs,
Correntes marinhas”

bacalhau

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