No início deste ano participei de um open call para uma exposição de fotografia estenopeica organizada pelo António Campos Leal.
E ele descreve a exposição assim:
“Pela primeira vez convidamos os praticantes de Fotografia Estenopeica – nacionais e residentes em Portugal – a enviar trabalhos para uma apresentação integrada no “Worldwide Pinhole Photography Day” / Dia Mundial da Fotografia Estenopeica.
E pela primeira vez a Fotografia Estenopeica foi “convocada” para estar em destaque no Festival Internacional de Fotografia de Avintes. Doze autores responderam ao convite e fizeram-se representar com o seu trabalho.
São eles: Adelino Marques, Ana Sousa, António Campos Leal, António Martins Teixeira, Augusto Lemos, Conceição Magalhães, Centro Educativo de Santo António no Porto_“Este_Espaco_Que_Habito”, Fábio Simões, Guilherme Maranhão, Óscar Valério, Séverine Morizet e Rui Apolinário.
Sala aberta é a mostra coletiva de fotografia estenopeica que reúne os trabalhos destes autores, os quais nas suas diferenças nos mostram alguns dos caminhos criativos que a Fotografia Estenopeica nos propõe.”
Aqui abaixo a minha imagem que faz parte desse grupo de 12.
Em fevereiro comecei a falar dessas idéias nesse post aqui.
Para resolver o backfocus, descolei um pouco dois step-ups que faziam parte do tubo da objetiva, dei um quarto de volta e voltei a colar.
Juntei os itens para rebobinar o filme gráfico nos papéis de filme 120 e fiz um filme teste.
A primeira imagem era algo que eu pensava em fazer no futuro, múltiplas exposições. A segunda imagem foi feita em ISO 8, não ficou OK, mas mostra os fungos crescendo na beira do filme. A terceira imagem, feita em ISO 2, serviu para aferir a velocidade desse filme.
Em fevereiro comecei a falar dessas idéias nesse post aqui.
Comecei a desmontar a parte da frente da Dacora Digna para saber quais seriam as possibilidades de montar a objetiva. A objetiva em si já tinha um helicoidal e talvez precisasse apenas de remover o trilho que acopla com o rangefinder do corpo Mamiya.
Com o corpo da Digna sem objetiva comecei a brincar com a 65mm na sua frente enquanto um despolido improvisado ocupava o lugar do filme. Determinei que precisaria de uns 2 cm de espaçamento para que a coisa funcionasse.
Imaginei um parassol HN-3 da Nikon para um teste com cola quente, mas ele é mais comprido que 2cm. O HN-1 é curto demais. Na mesma caixa de acessório esbarrei nuns anéis de step up e setp down para filtros.
Juntei alguns até conseguir um espaçador de 22mm. O foco ficou longo. Fiz novamente com 17mm, ficou curto. Recombinei para chegar a algo entre 18mm e 19mm. A imagem parecia perfeita. Olhei com uma lupa e conclui que merecia um teste com filme.
Usei cola quente preta e um tanto de fita adesiva preta para segurar tudo no lugar durante o teste. Escolhi um Fuji Neopan Acros 100 solitário que eu tinha guardado. Mais um pedaço de fita e criei um flap sobre a janela vermelha do filme, só para ter certeza que não ia vazar muita luz ali (a câmara é de 1958 e filmes pancromáticos de alta sensibilidade não eram nada comuns).
Sai num sábado pela manhã, levei até tripé, mas não precisou, o Sol não me decepcionou. Fiz algumas imagens usando a hiperfocal, mas em outras escolhi aberturas e assuntos que poderiam me dar mais clareza de qualquer erro da montagem da objetiva.
Nesse momento foi que me dei conta que ainda não possuo um espiral para revelar filmes 120. Tinha umas coisas a estorvar aqui e coloquei nos classificados do Slack do meu trabalho.
Com os trocos fui a uma loja no Porto e consegui um espiral que me faltava. Na Casa China aqui ao lado eu encontrei uma tampa de silicone que se ajustou ao meu tanque. Com um potes de vidro fiz uns graduados para medir as químicas e pronto.
Fotografei os negativos em 50MP para poder observar os detalhes da imagem. Tem um problema de backfocus bem sutil. Não aparece muito nas imagens aqui porque o dia estava claro e o diafragma fechado. Vou ter que encontrar uma maneira ali na minha montagem de espaçar a objetiva do corpo mais um ou dois décimos de milímetro.
Já é no mês que vem o Festival de Fotografia Analógica na ADAO, no Barreiro.
Estarei lá com um workshop
Armadilha para o acaso: estratégias para receber o inesperado
Encontros, arranjos e formas únicas que só a fotografia pode ver. A partir de foto-jogos, os participantes terão oportunidade de discutir as maneiras em que a fotografia pode funcionar como uma armadilha para o acaso.
Foto: Guilherme Maranhao
Na primeira parte do workshop há uma apresentação sobre diferentes artistas e as maneiras que cada um se aproveita do acaso. Depois o conceito de foto-jogo é apresentado. Além disso, o formador oferecerá ideias de foto-jogos que os participantes podem jogar com suas próprias câmaras fotográficas. Na segunda parte do workshop vamos criar um foto-jogo com papel fotográfico que vamos velar parcialmente e usar para fazer cópias de contato.
Sábado, 06/Maio, das 14h30 às 17h30 na ADAO – Rua da Recosta nº1, Barreiro, Portugal
30 Euros
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Desencavei um monte de scans de recortes antigos. Esses recortes iam para o lixo em 2016. Minha mãe gentilmente se ofereceu para escanear todos. E isso ficou guardado até recentemente. Tive que encontrar umas informações sobre as fotos que eu fiz sobre a história da explosão do Osasco Plaza Shopping em 1996. Acabei gastando um tempo vasculhando aquilo tudo. Acho que fiquei surpreso de ver as coisas que eu fazia há quase 30 anos.
Entre 1995 e 1997 estive como freelancer para o jornal O Estado de São Paulo e para o Jornal da Tarde. Coisas do dia a dia da cidade, nada muito sério ou grave, ou seja features, no hard news. Operação Magia Negra diz a legenda da imagem, esse foi um dia interessante: circulei com uma patrulha da polícia pelos cemitérios da cidade a procura de pessoas praticando rituais religiosos não autorizados.
Usava mais a 50mm e as teleobjectivas, raramente apelava para a grande angular.
Ainda em 1997 passei a trabalhar para o jornal A Folha de São Paulo. Tentei incorporar uma linguagem um pouco mais dinâmica, comecei a usar mais a 24mm e me aproximar de tudo. Também comecei a ver mais imagens impressas em cores. O ano era 1998 e tinha gente a descobrir a internet. E, aparentemente, eu já estava lá para fotografar (em filme). Acredito que usei a 24mm e virei a câmara na diagonal because all cool kids were doing it. E como não notar aquele Brad Pitt ali na parede da ginasta, ele ajuda a datar essa imagem.
Sobre a 24mm, no início usava a da Nikon, depois achei uma Tokina 24-40mm/2.8 que andou comigo bastante. Ainda tenho saudades daquela lente, era bem prática como lente única. E foi com ela que eu fiz a foto a seguir.
Um dia em especial estava contratado para trabalhar como assistente de uma fotógrafa de estúdio. Quando chego ao estúdio, descubro que ela faria ali a foto oficial da campanha Lula/Brizola. Negociei com o assessor para fazer um making of em exclusivo e já liguei para o jornal para negociar a pauta (nessa época eu era freelancer avulso). Minha primeira capa pela Folha.
O departamento de fotografia da Folha de São Paulo tinha naquela época uma estrutura de trabalho mais horizontal. Dentro disso duas coisas eram importantes: um procedimento claro e objetivo de como submeter pautas novas pelos próprios fotógrafos (em geral os fotógrafos cumprem as pautas ditadas pela redação, mas na rua algo pode saltar aos olhos e nós tínhamos como sugerir ou submeter isso facilmente) e uma pesquisa diária com leitores que chegava ao departamento contendo informações de como os leitores tinham percebido as fotografias do jornal do dia anterior.
Chegando de volta de uma pauta, numa tarde, vi essa cena num posto de gasolina abandonado ali na Vila Buarque. Conversei com aquele homem, pedi sua autorização para fotografar, colhi uns dados, anotei uma frase dele. No dia seguinte essa imagem me rendeu número 1 em recall (sem o jornal na mão, era a fotografia que mais leitores se lembravam de ter visto).
Depois de alguns anos fotografando essas pautas em jornal, a evolução natural era procurar as revistas. Era a possibilidades de ganhar um pouquinho mais e ter uma pouquinho mais de tempo livre.
Tudo começou com a tal Super8 que eu consertei. Falei dela aqui no post do dia 23 de fevereiro de 2023. A sério? Sim! 23/02/2023.
Estava com um deadline do Festival de Avintes na cabeça, algo relacionado ao Dia Mundial da Fotografia Estenopéica. E comecei a pensar em câmaras para construir. Essa ideia deu origem a uma conversa, mas isso talvez vire algo mais um dia. Mas decidi não construir nada agora.
Há muitos anos que eu não fazia uma fotografia estenopéica, ou pelo menos eu pensava assim. Tinha esquecido a solargrafia do ano passado. Fui olhar a câmara que eu usei, não era o que eu queria.
Queria usar filme raio-x, porque o revelador estava pronto. Lembrei da câmara 13x18cm inspirada na do Bill Brandt.
Quando percebi já tinha preparado o furo, colado numa placa orfã para dessa minha point-and-shoot de 13x18cm. Num ímpeto, fui para a garagem. Tem esse scanner que eu peguei no lixo, estou tentando fazê-lo voltar a funcionar, a luz já acende quando ligo na eletricidade. Com a luz ligada, fiquei dançando com ele sobre minha mesa de trabalho, por uns 15 minutos.
Pronto, a chapa foi exposta.
Medi a temperatura da água, era 13,6C. Dobrei a quantidade de Rodinal, dobrei o tempo de revelação. Já está.
Fiz outras imagens além dessa, escolhi uma para mandar.
Passo tanto tempo sem considerar o pinhole, mas quando o faço, tudo vem tão fácil. É dessas coisas que vem de tanto tempo atrás, que ainda estão comigo e, com sorte, sempre estarão.