Festival Zer01, La Rochelle

Nessa semana que antecede a Páscoa, vim com um grupo do Mestrado em Media Arts da Universidade do Minho (do qual sou aluno) para o Festival Zer01 em La Rochelle na França – um festival de arte híbrida e cultural digital. A semana de atividades aqui é parte de um BIP do Erasmus. BIP é Blended Intensive Program, um tipo de atividade de curta duração que permite o encontro de alunos de 5 ou mais escolas num determinado evento. Aqui um bom link que explica o que pode ser um BIP.

As atividades desse BIP compunham uma parte das atividades do Festival e essa parte foi intitulada Campus e aconteceu num casarão histórico em La Rochelle: Maison Henry II. Cada aluno que se candidata a participar do BIP precisa explicar o que vai fazer, apresentar, etc e tanto a instituição que envia o aluno, como a instituição que recebe o aluno, precisam validar essa apresentação e/ou atividade. Alguns criaram uma nuvem!

Junto ao Carlos A. Correia, eu vim a La Rochelle apresentar a performance de O Outro que Bate. A Maison Henry II fica a uns 50 metros da catedral de La Rochelle e dali podemos ouvir os sinos e assim fazer uma versão local da performance. A foto abaixo o Carlos fez durante um ensaio nosso aqui.

A organização do festival também preparou uma série de atividades para os participantes do Campus. Entre elas algumas conversas com artistas que estavam terminando de montar suas obras aqui para o festival. Em especial, a conversa com os artistas canadenses Peter Van Haaften e Michael Montanaro foi muito interessante, falamos de detalhes técnicos de instalações em geral, de como tornar certas obras mais integradas aos espaços onde estão sendo mostradas e falamos também de questões sobre como preparar certas obras para transporte e montagem em locais distantes. Com tantos festivais diferentes de arte digital nos cinco continentes, obras de grandes formatos precisam ser pensadas também levando em consideração seu transporte marítimo, por exemplo.

Antes da minha apresentação, aproveitei alguns detalhes que vieram à tona no ensaio e os dias aqui para refinar ainda mais o meu looper/sequencer em PureData (algumas atualizações já estão no meu Github, mas as de ontem à noite ainda não).

Adicionei ainda maneiras de misturar sons de diversas partes do patch e um sequenciador de baixo e outro de cliques. Preparei samples do som da chuva, dos sinos da Catedral da Sé e da Igreja de São Vicente em Braga. E depois fiquei treinando usar o “instrumento”.

Nossa apresentação correu bem e aqui tem um pequeno trecho gravado pela Diana Gil:


No fim foi uma semana muito intensa aprendendo palavras em línguas novas, pronuncia para nomes irlandeses, sobre a proximidade da Roménia e do Brasil, etc. Foi também um ótimo momento para repensar estratégias para o Piso, para minhas atividades em Braga e na mundo académico. E ainda descobri o Hydra, um sintetizador de vídeo que roda no browser ou num editor de texto chamado Pulsar-Edit. Em breve, um pouco mais sobre isso!

Feira de Bièvres • Junho de 2023

Já falei aqui dessa feira que acontece todo início de Junho nessa cidade que fica dentro da região metropolitana de Paris. Essa é a segunda vez que vou lá e resolvi experimentar uma maneira diferente de ir dessa vez.

Preparei uns cartazes para prender na minha mochila, como os que eu vi por lá da outra vez. Fiz uns testes em casa para ver qual se lia melhor. Assim poderia evitar ficar preso a uma mesa o dia todo.

Também tentei contornar todo o lance de ficar em hotel. Peguei um vôo no sábado bem cedo do Porto para o aeroporto de Orly. Dali segui de ônibus até a estação de trem e depois de trem até Bievres. Cheguei lá ainda antes de alguns vendedores montarem suas mesas, foi ótimo.

Dei uma primeira volta na feira. Gastei 20 euros nos primeiros 4 itens (5 euros cada) e já quase fiquei sem espaço para mais coisas. Fui almoçar e voltei para feira depois.

Peguei um dos itens que eu queria vender e comecei a andar com ele na mão. Fui oferecendo para visitantes e vendedores até que encontrei um interessado. Assim já abri espaço na mochila e ganhei uns trocados.

Foi então que encontrei algo que há muito tempo me interessa: uma Reflex Korelle. Essa era o terceiro modelo, de 1939.

Esse exemplar estava com o obturador travado meio aberto e tinha um preço que refletia essa situação. Decidi arriscar fazer dela meu projeto de reparo para 2023.

Ainda percorri a feira inúmeras vezes até às 19:30 e achei outras coisinhas interessantes por preços módicos.

Sai com 9 novos itens para aproveitar em meus projetos e muitas ideias novas na cabeça.

Feira de Bièvres • Junho de 2022

Desde que ouvi o Wagner Lungov falar dessa feira que fiquei muito curioso. A princípio, a feira acontece todo início de Junho nessa cidade que fica dentro da região metropolitana de Paris. Pela cidade passa a linha C do RER e esse é o jeito mais fácil de chegar lá.

Além de visitar a feira, me interessei também por vender algumas coisinhas. Assim que as inscrições abriram, eu logo reservei o menor espaço disponível.

A feira ocupa o espaço ao redor da prefeitura de Bièvres. É uma área de estacionamento, mas que também pode receber feiras.

Existe opção de reservar um espaço de grama, pura e simplesmente, ou uma mesa com cobertura já montada. Há também espaços para veículos grandes.

Junho costuma ser seco, mas acabou chovendo em ambos os dias. Contei com a ajuda dos meus vizinhos de espaço: Bernard, Jean Paul e Gege. Eles me emprestaram uma mesa e me deram muitos conselhos.

E um pouco de vinho.

O perfil do visitante de sábado é bem comprador, o de domingo é mais turista. Meus itens eram específicos e mais caros, vendi bem no sábado só.

O meu vizinho de fundo tinha lotes e lotes de coisas velhas e de pouco valor, era buffet a quilo de coisas fotográficas. Foi bem nos dois dias. E quando passou a hora do almoço de domingo começou a vender sacos plásticos por 10€ que você podia encher com o que encontrasse. Faltando 30 minutos para encerrar a feira os sacos passaram a ser gratuitos.

Coisas caras são caras em Bièvres, coisas baratas são baratas. Algumas coisas difíceis de encontrar, são fáceis de encontrar em Bièvres. Depois de ter vendido todas minhas câmeras grandes, acabei achando uma Linhof Technika II 13x18cm aqui.