Acompanhei uma manhã de filmagens do pessoal do Projeto Estação Rádio Base Fotográfica (www.erbf.com.br). Uma pinhole com 24 furos cria um segundo de imagens projetadas na tela, cortando em miúdos sucintos. No caminho fiz compras numa caçamba ali nas proximidades da Av. Paulista, achei uma caixa com vinis de 47 rpm, Dorival Caymi, Clara Nunes, a coleção da Bianca agradece.
Ontem visitei o que era o estúdio de um amigo, retirei dos “escombros” alguns itens de iluminação bem interessantes.
Usei papel Ektacolor Plus F (processo EP-2) como negativo numa câmara 8×10″, luz de tungstênio. Funcionou. Contato com filtragem zerada, a cor é a cor.
Categoria: refotografia
Tem um episódio do programa Cocoricó, da TV Cultura, que é sensacional: o Desconhecido. Lá pelas tantas, o Júlio, que é o personagem principal, revela que não gosta de abobrinha, mas o fato é que ele nunca comeu abobrinha. Papo vai, papo vem, as galinhas conseguem convencer ele de que a salada de abobrinha da Zazá é uma maravilha, ele acaba provando e se delicia.
Essa disposição dele para experimentar o desconhecido acaba por oferecer a oportunidade dele conhecer algo de que gosta muito, a tal abobrinha.
Mais ou menos como descobrir que a gente gosta é do filme subexposto mesmo…
O óbvio flagrante pode ser tão revolucionário. Imagina ser um cara, do nada, resolve revelar um filme exposto num ISO não recomendado pela tabela do fabricante num tempo qualquer usando um revelador desconhecido, ou mesmo um pote, com restos de reveladores diversos. Pelamordedeus, o que pode acontecer?
Kenji diz: a fotografia é um dispositivo explorados por milhares de pessoas nos últimos 170 anos. Você imagina a dimensão disso?
O fazer individual pode ser categorizado em função da “pegada”: compulsivo, impulsionado, puxado, carregado… As barreiras do processo criativo podem minar esses fazeres menos “potentes”.
O fazer pode ser impulsionado pelo material, essa é mais uma maneira do lixo instigar o processo criativo.
Vale tentar encontrar um paralelo entre a sobreposição e a dupla exposição (meus etéreos) e a reutilização. A utilização por duas vezes, enfim…
Onde a cartilha de linguagem fotográfica encontra o trabalho do lixo? Onde que a perda de pudor para com o equipamento, a descoberta do óbvio, é catalisadora do funcionamento da cartilha. Será?
A cartilha passa pelo lixo? Acho que não, mas passa pela descoberta do óbvio. Já essa (descoberta) passa pelo lixo, que é óbvio. O lixo de fato não é lixo, lixo é apenas a circunstância em que o material foi encontrado antes do processo.
A cartilha deve ser mais aberta: deve falar de tudo, não apenas para iniciantes. A cartilha deve ser para todos, mas deve falar de mim para mim.
A cartilha traz o óbvio revolucionário.