A oficina no SESC e as aulas para os calouros do Senac foram duas oportunidades incríveis para por à prova algumas idéias. Surgiram coisas fantásticas disso, como por exemplo a nova versão de câmara feita com scanner que fez até agora imagens de 201 megapixels (duzentos e um). “Not bad”, diriam alguns. Pretendo ir além, mas ainda não sonho com GP, só MP.
O Temporal vem ai.
Categoria: refotografia
Em tempos de CS2 e outros atalhos que imitam o que se fazia “na unha”, percebi que além de estudar fotografia, estudar a música eletrônica seria uma outra maneira de chegar a um entendimento dos textos do Flusser. Talvez alguns de você já tenham ouvido falar de uma caixinha de música chamada TB303, é um sintetizador famoso que inclusive teve músicas dedicadas a ele. Para você terem uma idéia levou 18 meses para a Roland parar de fabricar o tal sintetizador, tão ruim era considerado seu som. Dai um DJ pegou um do lixo e começo a fazer música dançante com ele, isso deu origem ao Acid, estilo de música eletrônica. A coisa virou um sucesso, uma caixinha que vendia na loja por 200 doletas em 1982, é vendida usada no eBay por mil doletas em 2006. Acho que por enquanto isso é só um exemplo de como estamos no em pleno caos, e que ninguém sabe ao certo o que comprar e o que vender, onde investir. O TB303 é com certeza uma caixa preta, mais escura ainda é o emulador dele que eu baixei e instalei no meu laptop, é só o programa.
As ferramentas ficam obsoletas, a câmara de 2MP não é mais rentável. E foi produzida muita sucata, desde as câmaras de Niépce. Mas não são os equipamentos que são perdidos, o conhecimento necessário para operá-los também vai embora. O fotógrafo que fazia retratos em estúdio, usando filme em chapa 13x18cm, luz contínua, retocava o negativo com lápis, entregava a cópia de contato, com sua logomarca gravada em relevo na parte inferior da imagem, dele só restam algumas imagens perdidas em caixas de papelão pelas feiras de antiguidades. E infelizmente essas imagens não são capazes de contar em detalhes o que foi feito para elas existam.
Imagino o homem frente ao aparelho, frente ao computador. O homem nem sequer concebe o funcionamento daquela caixa bege. Flusser sintetiza essa imagem com o conceito da caixa preta.
Nossos corpos, nossas mentes, são feitos caixas pretas pela cultura. Nos ensinam o que fazer com eles, nos ensinam como o corpo deve reagir, como a mente deve pensar e ao longo da vida muitas pessoas experimentam uma certa impotência e uma certa cegueira em relação ao modo como esse conjunto corpo e mente funciona.
Mas fico por aqui, por enquanto…
Aqui em Porto Alegre está sendo bem difícil de achar algo que possa ser aproveitado. Aparentemente as pessoas são um pouco mais conscientes a respeito do que pode ainda ser usado ou não.
A Anna me falou do figura que mora na Bahia, cujo nome temo escrever incorretamente, amigo dela. Pensei em ir lá. Ele reaproveita as coisas, sei disso. Talvez possa adicionar em inspiração ao TCC, afinal não sei ao certo de devo adicionar essa história como um artigo, se é que vai rolar.
Me questionaram meu possível subtítulo, no bar, hoje: “Evolução tecnológica, obsolescência, lixo e o processo criativo na fotografia”.
Seriam o segundo e o terceiro elementos uma redundância. Pois bem, tratei de explicar o seguinte:
Ao meu ver o primeiro item, a evolução tecnológica, torna o conhecimento obsoleto, a isso chamo obsolescência. Essa por sua vez torna os equipamentos redundantes, dai aparece o lixo. Depois vem a conjunção “e” que pergunta que que isso tudo tem a ver com o processo criativo.
O fato da obsolescência é nocivo, porque é o tal conhecimento que é esquecido ou depreciado, trocado por uma tecnologia “nova” e “suficiente”.