Oficina • Construção de Câmara Digital Artesanal no Porto

Alerta para as oficinas criativas gratuitas do evento Desvelar Objetos Técnicos | Unfolding Technical Objects –>> Construção de uma Câmera Digital Artesanal com Guilherme Maranhão
Dia 09 de Setembro de 2024, das 10h às 16h, na FBAUP – Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

“Desmontando e recombinando sucatas de scanners de mesa é possível construir uma câmera digital. Como será que essa câmera funciona? Que tipos de imagens podemos registar com ela? Esta oficina consiste em libertar a câmara digital potencial dentro de um scanner e descobrir seu funcionamento e as coisas que ela pode fazer que diferem das outras câmaras já conhecidas.”

Inscrições nesse link!

Lembranças emuladas

Estive quase 6 anos distante de algumas caixas de coisas que estavam no ateliê da Rua Tabapuã. Tinha um pouco de tudo ali dentro: negativos, imagens, o que havia escapado da água que os bombeiros usaram para apagar o incêndio no GuardeAqui da Lapa, essas coisas. Aproveitei uma carona e recentemente me reencontrei com essas caixas. Espalhados pelas caixas estavam HDs de diversos computadores que eu recuperei do lixo e/ou tive ao longo do tempo. Muitas pequenas histórias de descobrimentos e algumas arqueologias da era da informação.

Organizei como pude os cabos e conexões e comecei a remendar essas histórias. Fui organizando os arquivos por assunto e comparando com meus backups que estavam já aqui comigo. Num HD, por exemplo, juntei 235Gb de softwares, na sua maioria para Mac. Tem coisa dos anos 1990 para OS 8 e OS 9, depois coisas dos anos 2000 para OS X e por fim coisas para Mac OS.

Nos últimos anos, eu já tinha passado os olhos em fóruns sobre emulação de sistema operacionais e sabia mais ou menos o que estava acontecendo nesse meio. Quando vi esse monte de software guardado, me deu um estalo, fui investigar mais a fundo. Acabei seguindo um guia simples do fórum E-maculation para instalar o QEMU no Windows 10. Levou apenas alguns minutos para instalar o básico e iniciar a máquina virtual com o Mac OS 9, foi impressionante.

Instalei o OS 9.2, porque era o CD que eu já tinha aqui. Juntei as coisas que eu queria instalar e passei para dentro da máquina virtual. Uns minutos depois já estava com meu programinha favorito daquela época tão distante: Pict2Ascii. Ah! Que saudades!

Depois instalei minha cópia do Photoshop 5.0. O mesmo que eu já usava em 1993 para tratar as fotos que escaneei para meu primeiro site. É impressionante como o Qemu é uma experiência confortável – os processadores de hoje tem velocidade de sobra para emular a velocidade com que as coisas funcionavam naquela época. E o monitor tem resolução de sobra para deixar a janela do “Mac” bem confortável também. Parece que foi bom deixar passar tanto tempo assim, para essas coisas evoluirem até aqui.

Fui fuçar nos plugins e ver as coisas bizarras que eu ainda tinha guardadas. Achei um que eu nunca tinha usado: Infrared Camera! Que na verdade é mais uma thermal camera. Hoje em dia isso é um preset de Lightroom, mas naquela época, para poder obter resultados consistentes e reproduzir uma mesma visualidade em várias imagens, só criando um plugin, que trabalheira!

E para terminar a sessão, achei a primeira versão do filtro Flood do Flaming Pear! Uau! Esse plugin permite criar um espelho d’água em primeiro plano que reflete o que sobra da imagem. Esse já era compatível com Photoshop 3.0… Que viagem no tempo e que filtro mais perfeito para falar de questões recentes do nosso mundo!

Para quem quiser entrar na mesma viagem, vale a pena ler o tal fórum Emaculation, depois passear pelo Macintosh Garden e de quebra, para pensar no hardware que está sendo imaginado pelo emulador, assistir uns vídeos do Action Retro ou do This Does Not Compute – ambos canais interessantes do Youtube sobre hardware clássico.

Como saber se seus cartões de memória não são falsos?

Recentemente tropecei nesse projeto de um programa que testa os cartões de memória chamado f3 – Fight Flash Fraud. O programa escreve arquivos até o cartão de memória estar cheio e depois lê os mesmo arquivos para garantir que os dados retornam corretamente.

Acabei baixando a versão para Mac, e sim, leva uma meia hora para testar um cartão MicroSD de 16Gb, nem quero saber quanto tempo leva para um cartão maior, rsrsrsrsrs. Essa versão aparece mais para baixo na página, mais ou menos aqui:

Para Windows há um programa semelhante: https://h2testw.org/

Vale a pena investigar e testar todos os cartões, principalmente aqueles MicroSD que a gente compra para colocar dentro dos smartphones, que podem realmente ser um perigo caso te façam perder fotos preciosas do dia-a-dia. Desses MicroSD, testei um de 8Gb que se mostrou realmente um cartão de 5,5Gb (???) e um de 4Gb que se mostrou um cartão de 3,4Gb (???).

Exposição + Oficina • Desvelar Objetos Técnicos

O evento, que é organizado pela Camila Mangueira, Fabrício Fava e Miguel Carvalhais, deve abrir no dia 05 de setembro de 2024, às 17h30, com essa exposição lá no Museu FBAUP.

Para essa exposição, a Camila fez uma pesquisa dentre os diversos aparelhos de imagens técnicas do acervo do Museu. Também convidou alguns artistas que trabalham com aparelhos semelhantes para compartilharem imagens e experiências, além de mostrarem seus aparelhos e/ou combinações deles.

Vou mostrar uma imagem da série Pluracidades acompanhada da câmara-scanner que foi usada para capturá-la e uma carcaça de um HP 2200c semelhante ao que doou suas peças para a esta câmara.

A Camila veio visitar e fez essa foto enquanto eu dava um talento na carcaça do Scanjet para deixar ele limpinho para entrar no museu.

Além disso, dia 9 de setembro de 2024, das 10h às 16h00, vou oferecer uma oficina de Construção de Câmara Digital Artesanal dentro desse evento – e assim poderemos desmontar um HP 2200c juntos e ver como os intestinos dele podem nos proporcionar uma maneira diferente de ver. Já não prometo que o que eu vou levar nesse dia estará tão limpinho.