“Agora para o escuro!” queria dizer que eu ia entrar no laboratório para ampliar algumas coisas. Entrei e passei o resto do dia, como há muito não fazia, foi bom.
Ampliei várias coisas pendentes e descobri vários envelopes de papel que simplesmente foram direto para o lixo, completamente velados. Os fibra não vão exatamente para o lixo, eu fixo, lavo e seco para usar o verso nos processos históricos do séc. XIX.
Usei uns raio-X pela primeira vez, e é muito interessante revelar coisas com as bordas redondas. Fiz fotogramas usando a luz do ampliador inclinado, seguindo umas dicas do Saggese. Pretendo usar de negativos para cianótipos.
Hoje duas pessoas me pediram um visita para retirar materiais velhos.
Autor: Guilherme Maranhão
A montagem na sexta foi estressante. A imagem feita pela xerox, e depois escaneada, fico intrigante. O escâner fez sucesso na abertura da exposição e alguns ficaram aglomerados a sua volta para brincar um pouco. Divertido. As imagens vermelhas estão em todo o lugar, no site do Itaú Cultural (página de abertura), na fachada em um imenso banner, nos elevadores, nos catálogos e no livretos que trazem a programação do mês. Ontem o ritmo continuou, com a oficina que aconteceu lá também.
Agora, para o escuro!
Para ilustrar o processo de criação das imagens da exposição do Itaú, seria exposta a câmara com a qual foram criadas as imagens. Acabou que não rolou, e a vitrine não seria possível. A solução foi usar uma outra câmara de fenda, mais comum, chamada de máquina de xerox, para registrar a imagem da câmara. Escaneei, fiz besteiras no Photoshop, e mandei embora.
A ida ao estúdio do amigo para retirar polaróides velhos acabou se tornando uma aventura. Tive que tomar um taxi, tamanha era a carga que levei de lá. Os polaróides propriamente não eram o “grosso”, e a maioria deles depois provaram estar passados demais para usar. O polaróide vence mesmo, ao contrário dos outros materiais que consigo usar depois da data prescrita na embalagem. O polaróide vence pela deterioração de certos adesivos que nele existem e que são fundamentais para o funcionamento dos packets, ou pela pasta alcalina que seca e não revela mais nada.
Na carga vieram papéis fotográficos os mais diversos, coisas que eu nunca tinha visto, um flash de estúdio que não liga e outros aparatos da Polaroid Co., mais coisinhas para se juntarem às minhas nesse processo.
Tive um super para com o Edu Cordeiro. Falamos de lixo em vários sentidos e maneiras. Ele me falou da palavra ninguém, presente no cabeçalho desse blog, e de outras coisas. Edu é uma fonte inesgotável de referências. Depois do papo cheguei a algumas conclusões.
O lixo pode acontecer de duas maneiras: o objeto-lixo, aquele ali presente dentro do saco preto, na esquina, à espera do caminhão que vem pegar, e a técnica-lixo, aquela que foi abandonada, esquecida, e se perdeu sob os ditos avanços da indústria fotográfica. A maioria dos objetos-lixo fotográficos, como os negativos 6×6 de uma festa de debutantes que eu encontrei essa semana na esquina da R. Scipião com a R. Roma, são provas vivas de técnicas-lixo.
O trabalho arqueológico, inserido nessa reciclagem que eu realizo, é portanto, em parte, o de descobrir qual é a técnica-lixo escondida dentro do objeto-lixo. Edu, quanta luz!
Começo então a lembrar mais pequenas coisas que são referências para esse trabalho, desde a maneira que o RWS me ensinou a cortar o darkslide para fazer fotos panorâmicas, ou medir o furo do pinhole com o ampliador, ou coisas pequenas achadas dentro dos formulários da Íris em edições bem antigas. Esses pequenos conhecimentos, maneiras de fazer coisas por atalhos simples, se perderam diante do avanço da indústria fotográfica, e do que ela prega que deve ser feito com as câmaras fotográficas.
Nos próximos dias muita coisa vai rolar, e haja espumante para comemorar. São três exposições abrindo em um período de 10 dias (Porto Seguro, Itaú Cultural e Fotoarte). Tem a oficina do Projeto Mezanino, tem a saída da Rever no Pomar. Putz!
Hoje fiquei encarando a foto do Bill Brandt com a 5×7″ Kodak. E me ligaram para ir buscar Polaróides vencidos. Vou me arriscar conversar em mais uma revista essa semana.
Sentei em uma roda de discussões, e o trabalho em questão era o do Xina. Na semana, essa agora, que a Kodak parou de entregar papéis, a Ilford acabou, e os balconista dão risada de quem pede Multigrade. Pô, o Xina criou um papel tipo Xinagrade FB. Craft, salgado, repetido e repetido à exaustão. Bem, ele tem papel para imprimir nessa semana. Enquanto todo mundo mais, que ficou viciado em papel industrializado, está batendo a cabeça na parede. Quem destino maldito.
Eu tenho me aventurado pela cianotipia. Reaproveitando algumas coisas, é verdade. E fico cada vez mais tranquilo. Terei material para sempre, me parece. Quão difícil será partir para a criação e manufatura de um papel artesanal um pouco mais requintado? Qual o software do papel?