Nem tive muito tempo de ficar chateado com um engravatado que cancelou um trabalho grande que eu estava fazendo. Um amigo me ligou pedindo ajuda. Ontem seu pai teve o mesmo fim da Francesca Woodman. E eu entendo tão bem porque fotografar nesses momentos, usar a fotografia para entender melhor esses processos, uma vida que se vai. E nessas horas, é engraçado como recorremos ao que nos é mais familiar, àquilo que usamos desde que aprendemos a fotografar. Meu amigo me pediu ajuda para comprar filmes preto-e-branco, iso 400, e me perguntou como tinha sido fotografar a doença de meu pai.
Fotografar não foi nada. Olhar as fotos depois é que foi e é intenso.
Lembrar da fotógrafa que viveu até os 22 anos de idade não é coincidência. Seus olhos claros sempre contrastados nas cópias em preto-e-branco e os olhos do pai do meu amigo: escuros, sempre distantes, densos. Pensei muito nela em Paranapiacaba, recentemente. Me despi em um galpão abandonado, feito de telhas de zinco, com chão de terra, em autoretratos. Lembrei das também ruínas onde ela posava para si mesma, me coloquei um pouco em seu lugar, agora só penso em voltar lá.

O Rafael me lembrou que a arte é uma atividade onde não há limites. Na verdade, é talvez também a única das atividades humanas em que isso (ausência de limites) é aceito, concordamos. E se a fotografia apresenta seus limites ao artista, suas limitações, o que fazer então?

Segue um comentário ao último post, que mais é uma questão ligada à última coluna publicada no Fotosite:
“glauco said… Agora fiquei curioso: onde revelar c41 sem banho branqueador?”

Ora, a resposta mais cretina seria: no laboratório, onde mais você revelaria um filme!?

O fato é que a revelação colorida pode ser feita em qualquer laboratório. No caso do professor Sérgio Ferreira ele usa as processadoras com controle de temperatura e semi-automáticas do Senac para suas aulas, mas nada disso é necessário.
Eu revelo os meus filmes coloridos nos meus tanques de aço inox com espirais, à temperatura ambiente. Sabe aqueles tanques que as pessoas chamam preconceituosamente de “tanques de revelar filmes preto-e-branco”? Sim, eles. E eu até poderia fazer um controle de temperatura por “banho maria”, mas não acho necessário dentro das minhas aplicações.
É só descolar a química, expor um filme teste e descobrir seus tempos de revelação. De preferência discutir os resultados com alguém e/ou mandar copiar as fotos desse filme num minilab para fazer uma avaliação.

Mais um copy and paste:

“Na época da invenção do daguerreótipo a exposição à luz era exageradamente longa e a cada mês ou mesmo semana avanços nas pesquisas tornavam possíveis exposições cada vez mais curtas. Nos anúncios dos comerciantes da fotografia esse tempo de exposição (cada vez mais curto) figurava sempre em destaque. Assim se media o avanço da técnica. Hoje é o megapixel que mede o avanço tecnológico da fotografia. E de lá para cá a história se repetiu exaustivamente. Não é difícil se imaginar a queda de preços que cavaletes e pincéis sofreram na década de 1840.”

Um G3 transmutado em G4 adentrou o atelier, fruto de uma troca feita com um laptop antigo que usava um sistema operacional muito datado, até para mim. Descobri que a ajuda dos foruns eletrônicos norte-americanos sobre informática é inestimável. O dito computador pulou de um score de 566 para um de 1071, no MacBench 5.0, e eu nem sabia o que poderia ser MacBench. O scanner da Polaroid está rápido e certeiro, tiff após tiff.

Os dois primeiros filmes da nova Leica foram um sucesso, foco e exposição correto, o que mais pode se querer de uma câmara. A lente do Dr. Raulino encontrou um lugarzinho onde será aproveitada.

Ainda tomado pelos computadores, descobri um site também certeiro: http://www.threemacs.com/ sobre networking com Macintoshes. Cheio de dicas para quem ainda não se desvencilhou dos beges mais antigos.

E ai, você também se pergunta quem é Sandra Alves?