Tem dias em que muita coisa dá errado. E mexendo com coisas velhas e computadores enferrujados, esse dias são cada vez mais frequentes. Ontem foi um desses dias, em que tudo pifou, saiu até fumaça de um micro, um fio derreteu, um resistor virou vapor. O ferro de solda saiu da caixa de ferramentas mas não foi capaz de consertar nada por aqui. Só trouxe mais cheiro ruim.
Quando finalmente relaxei, me sentei para escanear uns slides. Dai a revolta tomou conta do Performa e o monitor se recusou a calibrar, travou, apagou e foi embora. Não voltou mais, nem ligou de novo, não quer mais mostrar nada.
O G3 ficou instável com a memória que eu adicionei a ele, tive que tirar fora. E tudo voltou a ser como a alguns dias atrás. Engraçado.

O melhor desse fim-de-ano repleto de bad computer days é que a Leica do meu bisavô voltou do conserto. O Celso fez ela voltar a funcionar. E agora estou fotografando de novo com ela. E isso é ótimo.

Mais um copy-paste:

Não me incomoda a tecnologia em si, me incomoda o fato dela não conseguir conviver em harmonia com o talento e o conhecimento individuais de cada fotógrafo. Isso fica evidente dadas as circunstâncias em que o marketing utilizado pela indústria fotográfica insere a tecnologia, como solução única, na cultura fotográfica. O resultado disso pode ser constatado pela existência de fotógrafos que medem a imagem pela câmara que foi usada para fazê-la e não pelos atributos da imagem em si, dentre eles: processamento, grão, ruído, montagem, manipulação, composição, matéria, suporte, tamanho, referente, resolução, formato, momento, dificuldade, luz, foco, profundidade de campo, bidimensionalidade, perspectiva, reprodutibilidade, degradação, acaso, intencionalidade, intervenção, gradação de tons e contraste.

Só um rápido copy-paste antes de dormir. Enquanto eu pesquiso como instalar USB 2.0 no G3.

O bricoleur de Levi-Strauss precisa fazer um inventário das suas possibilidades, ele é um handyman. E trabalha com o que está à mão. Seu estoque são as possibilidades que ainda restam às coisas de que dispõe. Os universos de imagens dos aparelhos que rodeiam um fotógrafo que lida com o lixo estão desfalcados, os aparelhos não estão mais completos. Um aparelho não é só a câmara fotográfica. Cada tipo de câmara depende de um conjunto de coisas para funcionar. Um sistema, o filme que serve na câmara, o laboratório que revela aquele filme, e tudo mais, até o papel para ampliar aquela fotografia. A câmara pode até ainda existir, mas e o filme específico dela? O universo de imagens que essa câmara pode oferecer a seu operador fica restrito, é necessário reprogramá-la talvez (dai a necessidade de um bricoleur com um “q” de programmeur).

A Carla me diz que na D1X a velocidade de sincro podia ser superada tremendamente, chegando a ser possível usar o flash em 1/1250. Cheio de possibilidades.
Nessa última semana li sobre coisas muito específicas relacionadas ao conserto de Macs. Chip CUDA, bateria PRAM, naveguei num site francês que explica como usar uma fonte ATX em substituição a de um Mac 6400. Ainda não restabeleci a tranquilidade na placa lógica do 6500, mas parece que a tal bateria PRAM deve resolver tudo.
Esses são os lugares onde o Google pode nos levar. Só depende da habilidade de encontrar palavras boas o suficiente para achar certas coisas e ótimas para afastar outros assuntos.
E assim caio no assunto da lexicografia. Visitei o departamento de mesmo nome na ABL, no Rio. Me fez lembrar de um papo com a minha vó. Fui pesquisar e descobri que o vocabulário de Shakespeare tinha 29.000 palavras. Nada mal para alguém que viveu na época em que ele viveu e que não era um nobre. Há controvérsias.

Um grande amigo me presenteou semana passada com um Power Macintosh 6500/300. Um computador muito imponente no seu tempo e cheio de possibilidades até os dias de hoje. Essa semana finalmente tive o tempo de tentar ligar o aparelho. Nada como a felicidade de ouvir o “boing” da inicialização da máquina que parecia estar morta. No entanto a felicidade durou pouco, depois de checar alguns detalhes, abrir e fechar o Photoshop para sentir a velocidade do processador, o computador apagou e não quis ligar mais. Algo esquentou demais lá dentro.
Meses atrás eu havia recebido de um conhecido um outro Mac de presente, um 5500/225, que possui a mesma placa mãe desse 6500, que veio com o mesmo defeito aparente. Naquela época me desfiz do computador guardando apenas o HD com programas interessantes.
Mistério. E o 6500 com certeza vale o esforço de encontrar alguma solução.

Para ser capaz de demonstrar sobre o que falava meu texto do TCC, cujo assunto é o mesmo desse blog, eu me pus a criar um quimiograma imenso no próprio dia da apresentação. O quimiograma deveria juntar 100 folhas de papel fotográfico tamanho 18x24cm, acabaram sendo apenas 92. Com minhas duas mãos e o auxílio de um saco plástico amarelo de um livraria imprimi os 92 quimiogramas e com 378 alfinetes prendi as folhas em um tecido de algodão.
O painel ainda molhado serviu para explicar o mais simples: certas coisas parecem impossíveis, mas não o são. Uma caixa de papel velado virou um painel fotográfico e as provas eram e são irrefutáveis.