Uma amiga cobrou imagens explicativas na última coluna. Um amigo me chamou de Zé Arame. Alguma repercussão. Vou tentar bolar uma saída para ter mais imagens, talvez aqui, para explicar coisas mais técnicas nas colunas. Também prometo continuar mexendo com arame e similares.
Levei os dois monitores (os que causaram meu repente de raiva do último post) para uma loja no centro, um presente para um técnico em Macs. Assim, quem sabe, eles têm um fim melhor.

Monitor de computador já é outra história. O coisinha chata que dá nos nervos quando não quer ceder e funcionar direito.
Um amigo me arranjou uma tecla de espaço que fazia falta num teclado desses que apareceu por aqui, cola quente nele. Um outro me mandou um tripé de iluminação com uma perna solta, algumas marteladas e tudo bem. Uma sombrinha precisando umas costuras. Um terceiro amigo me mandou um Gitzo baleadésimo, essse deu trabalho, mas passou.
E a vontade de martelar um monitor desses? Raiva!

Revelei uns filmes preto-e-branco (alguns que aguardavam há meses no laboratório, outros mais recentes, de Paranapiacaba). Eram rolos de Fortepan 100. Várias experiências com esse lote de filme que estava bem vencido. O revelador escolhido foi o FX1, uma fórmula do Crawley, algo semelhante ao Beutler. O resultado foi interessante, típico de um filme nessa velocidade com um revelador que promove tanta acutância.

Passei no centro atrás de mais scanners. Quero modificar um para uma tarefa mais específica. Achei dois HP2200C que aceitam bem as modificações. A idéia é aproximar o foco da lente, restringindo campo de visão e diminuir a distância que o carro se movimenta. Visando com isso aumentar a “densidade” da resolução: escanear com mais dpis uma área menor, tal como a de um negativo de médio formato.

Achei outra imagem que se por um lado não é nada muito importante esteticamente, por outro guarda um momento onde muita coisa mudou de rumo dentro da minha cabeça. Essa caçamba de lixo fica nos fundos de uma lojinha de equipamento fotográfico em Houston. Eu fiz a foto quando visitava a cidade para o Fotofest de 2000. Essa foi a primeira caçamba na qual eu entrei, a primeira de muitas (faltou uma foto de dentro, só lembrei depois que atravessei a rua). A caçamba era bem limpinha, facilitou. E eu sabia mais ou menos o que procurar dentro dela. Enchi um saco com tele-converters velhos, filtros para flashes e outras tranqueiras que o pessoal da loja não conseguia mais vender. Voltei de viagem e distribui presentes para os amigos. Entrar mesmo na caçamba, só no primeiro mundo, lá as caçambas são altas e exigem esse esforço, aqui as caçambas são baixas e você só precisa estender o braço e se espantar com as coisas que as pessoas jogam fora.

Repescagem é uma palavra muito associada ao futebol. E não é algo glorioso passar de fase num campeonato através da repescagem.
Às vezes olhamos nossos negativos e contatos com muita pressa. Uma foto ou outra fica para trás. Não basta ter percebido o ângulo ou a cena. Não basta ter tido o tempo ou a habilidade de fazer a foto. Ainda tem que lembrar que o negativo está ali e fazer com que ele vá para o papel.
E assim muita coisa nunca deixa de ser apenas um negativo.
Repescagem para mim é olhar caixas e caixas de negativos, em busca daqueles esquecidos. Aqui um que eu encontrei ontem, de 1999. Me pergunto como não me empolguei com a composição simétrica, nem devo ter visto o negativo direito, senão, teria ampliado a imagem.