E nada. Descolei um Polaroid Digital Palette no centro da cidade. Uma impressora de slides, diriam alguns. Veio de um jeito todo empoeirado, suja que só. Abri a traseira da câmera e (ao lado de um adesivo que diz: CAUTION Do not touch the shutter) jazia um obturador todo amassado. Coloquei as palhetas no lugar. Liguei um computador velho. O tal Digital Palette é um misto de periférico SCSI com monitor, voltagens altas, fiquei com medo dele fritar um computador bom. Conectei o bicho e liguei a força, uma luz verde acendeu e me trouxe esperança. Instalei drivers que achei na internet depois de fuçar horas. Liguei o Photoshop, cliquei em exportar, veio a interface do programa, uma barra de progresso se deslocou de um lado para outro, como se algo estivesse acontecendo no mundo real, mas nem um som, nem um movimento. E nada. Mentira: a luz verde passou a piscar, a esperança se foi.
Autor: Guilherme Maranhão
Rua do Triunfo • Geraldo
Em uma visita à Santa padroeira dos hackers e afins, conheci um figura chamado Geraldo. Simples. Contou que saiu do último emprego, ganhou mil de recisão. Fez o que sabia fazer, comprar e vender coisas de informática. E assim vem pagando suas contas desde então. Garimpando sucata boa nos arredores da Santa.
Caboblo Limpador
Em busca de coisas simples.
Simplificando o ambiente de trabalho.
Diminuindo o número de ferramentas ao meu redor.
Pluracidades
Já percebeu como as pessoas sempre estão indo pra algum lugar?
E a cidade é feita para os carros e não para as pessoas?
Nada que o Milton Santos já não tenha dito anteriormente, mas acho que isso é o pano de fundo dessa história. Pluracidades.
Já no plano da imagem, a padronagem que surge fala um pouco da coisas cíclicas e repetitivas, coisas que aparentemente não tem fim. E há uma separação entre o que se move e o que é estático, isso cria um desconforto, vejo ai um comentário sobre o aparelho, o programa, coisas que li no Flusser.
A elaboração se dá através do uso de um scanner ao invés de uma câmara comum. A imagem passa a ser adquirida em uma fração do espaço muito pequena, mas ao longo do tempo, ao contrário de uma câmara comum que fotografa uma fração de tempo ao longo do espaço. Uma constante no meu trabalho, ir em busca de alterações no cerne do processo de formação da imagem, subverter a ferramenta produzida pela indústria.
Rumos
Foi uma boa limpa que rolou aqui nesse último mês. Muita coisa foi parar em mãos mais hábeis que as minhas, outras coisas novas apareceram por aqui.
Foi um mês de concretizações de planos antigos e de conquistas inesperadas.
Planos para novas investigações não faltam: descobri que há uma enormidade de programas livres rodando em Linux para transformar arquivos RAW em outras coisas (jpgs e tiffs). Preciso saber como isso se dá (sem SSE2).
Andei lendo muito também sobre as novas experiências de instalar o Tiger nos PCs montados. Uma pequena revolução.
Química e oficinas de fotografia
Pensando sobre a oficina lá no SESC e em tantas outras. Às vezes fica a impressão de que os participantes estão à espera de uma apostila, contendo todos os segredos e fórmulas para revelar e modificar o papel fotográfico.
Dai eu invento ali uma fórmula mirabolante de rebaixador, meia colher de chá de ferricianeto, meia colher de sopa de tiossulfato. Não tenho bacharel em química, não! Tanto é que esqueci o brometo, mas tenho a certeza de que ferricianeto e tissulfato juntos vão rebaixar a cópia, de um jeito ou de outro.
O rebaixador funciona. Também funcionaria caso eu colocasse uma colher de sopa de ferricianeto e uma de chá de tiossulfato, faz diferença, mas não deixa de cumprir o propósito.
Antes eu ficasse apenas com a fotografia, mas quero transmitir fotografia, química e uma atitude experimentalista para os participantes, dai não dá, sem apostila não dá!!!
