Nada a perder

Meu primo Claudio que adora uma aventura sempre aparece com um desafio para mim. Da última vez eram 2 lentes problemáticas. A 28-90 havia caído no chão, o foco não girava. Lente de plástico é um negócio complicado. Consegui desmontar e montar de novo, ficaram pedacinhos de plástico preto pela mesa toda, mas a lente funcionou. A 80-200 de plástico também estava dura, mas era o sal na rosca do foco (a lente deu um mergulho no mar), tive que encontrar um espaço para jogar graxa na rosca e com movimentos suaves fui fazendo a lente voltar a mexer. A sujeira que havia em um dos elementos ficou lá, impossível desmontar sem quebrar.
De outra vez foi uma Canon Rebel. A câmara também deu um mergulho, ou o caiaque virou, já não lembro, mas era água doce. A câmara até ligava, mas de repente parava no meio do rolo de filme. Estranho. Usei um método secreto: a câmara ficou uma semana toda sobre o mármore da janela do ateliê pegando sol. Secou mesmo! E funciona impecavelmente até hoje.

Leituras de Portfolio

Fui levar Pluracidades para as leituras de portfolio no Forum. Vinte minutos é pouco tempo para uma conversa profunda, às vezes o que vale é ter o trabalho visto por alguém novo, não necessariamente ouvir opiniões formadas rapidamente. Mas o fato é que alguma pessoas gostam do risco de falar sobre um trabalho que nunca viram para alguém que não conhecem em 20 minutos. O resultado deles assumirem esse risco é quase sempre bom, mas quem ouve deve saber separar idéias muito distantes de outras mais pertinentes, e tentar aproveitar isso ao máximo. Em Houston em 2000, no primeiro dia do FotoFest, vi o inglês Mark Sealy por uma fotógrafa argentina a chorar em 20 minutos. Minha leitura era a próxima na fila dele, fui esperando toda a maldade do mundo. No fim das contas, Mark é um cara sincero e não esconde o que pensa, ele falou coisas em tom muito ríspido comigo, coisas sérias, as mesas ao lado pararam seus trabalhos esperando ver outra pessoa chorar e foi por pouco, mas descobri que ali (na fala dele) tinha um desejo enorme de ver meu trabalho desabrochar. Segui fotografando.

Em busca do software para o PFU DL2400 pro

Há três nomes para ele: PFU DL2400 pro, Qubyx Lynx A3 ou até Heidelberg F2400. É verdade que a Quato virou Qubyx enquanto ele ainda era vendido, de modo que na realidade são quatro nomes. Encontrei ele num galpão onde homens com marretas separam o plástico do metal do computadores e similares. Ele seria destruído pelo cobre que há dentro dele e não é muito, não. Um scanner em perfeito estado de funcionamento, para originais até o tamanho A3, com resolução até 2400 dpi sem interpolação. Mas para fazê-lo escanear de verdade é necessário um software, e ai a coisa complica. Ainda estou procurando.

Dentro de um PowerMac 8500

Limpo, lembro que foi o que me veio a mente no momento em que vi esse PowerMac 8500 pela primeira vez (pensei nos meus “sucatões” sujos e faltando pedaços do acabamento externo). Mas o 8500 não ligou de primeira, nem soou o apito tradicional, talvez uma memória mal encaixada. Tive que abrir o gabinete do computador, que diga-se de passagem é dos mais chatos. No entanto, a razão pela qual ele não ligou logo ficou aparente. Nos slots a poeira provoca pequenos curtos e não há computador que ligue. Tudo porque o computador em si age como filtro de ar quando está ligando com suas ventoinhas funcionando. Um pincel macio, uma tosse da minha parte, e tudo estava funcionando de novo.