Livro • Analógico volume #1

Fui convidado pela Ana Sousa para participar de um livro com o trabalho de diversos fotógrafos que usam fotografia analógica. O livro é editado por José Godinho e será o primeiro volume da série Analógico.

Também estão nesse primeiro volume os trabalhos da própria Ana Sousa e do Bruno Guerreiro, Daniel Rosa, João Ribeiro, Luís Fernandes, Mariana Afonso, Miguel Machado, Nuno Martins e Tiago Thedim.

O Nuno Martins fez um vídeo mostrando e contando mais detalhes da publicação, vou fazer o link a partir dos 8′, quando aparece a minha parte nessa história, mas se você quiser ver do início, basta puxar para lá:

Ainda não recebi meus exemplares, mas eles devem estar nas mãos do CTT em algum lugar entre a GOD Publishing e aqui.

Foi mesmo um susto

Há 20 anos, o que ficou desse dia foi um belo galo na cabeça, um medo profundo de andar de carro perto dos zero graus centígrados e minha Hasselblad quebrada. A bolsa não estava bem fechada e ela saiu voando pelo carro, back e lente foram arrancados do corpo que ficou amassado na lateral e nunca mais funcionou.

Ainda era viável fotografar e revelar filme positivo. Algumas digitais estavam aparecendo com preços mais convidativos, mas nada que se comparasse à beleza de um slide bem revelado. Dois anos depois eu faria o último rolo de filme positivo revelado em E-6 e passaria a fazer todos os trabalhos cor em digital e filme negativo (que o minilab já escaneava). E ainda se passaram muitos anos até que eu tivesse um scanner capaz de trazer para o mundo digital as linda cores dos slides que eu fiz antes de 2003, mas isso é só história.

Desses slides que sobraram dessa época, lá por 2019 eu selecionei um conjunto de 48 imagens. Foi mesmo um número arbitrário, as cartelas de slides que eu tinha eram para 24 slides, eu achava que uma seria pouco, achei que duas seria suficiente. Era um apanhado geral de pastas de slides, não eram as melhores imagens, era apenas uma sequência interessante com coisas que eu jamais mostraria por qualquer outra razão.

Fez muito sentido criar aquela sequência naquela hora. Fiquei com aquela sensação que o sentido iria desaparecer, mas ele insistentemente está ali ainda. É verdade que são imagens que eu mesmo vi muito pouco e elas ainda me causam estranhamento. Coisas que eu vi muito pela lupa, apenas. É verdade que são coisas e lugares que tocam o coração. Eu era jovem. Quero acreditar que há algo mais ali, algo que outras pessoas possam desfrutar. Existem algumas pessoas indiferentes andando pela cidade, algumas pessoas esperando, existem uma sensação de busca, uma procura.

E ter restaurado a impressora colorida, abriu portas para várias idéias que estavam guardadas à espera de dias em que imprimir fosse mais fácil, agora é a hora.

A Mamiya da Petra Costa e os fotolivros da Susana Paiva

Essa quarta vou publicar mais uma entrevista na série Fotografia Portuguesa, com a fotógrafa Susana Paiva que vive em Lisboa. Ela cuida do Photobook Club de Lisboa e lá pelas tantas ela fala de como os fotolivros agradam aos fotógrafos que os produzem, mas nem tanto ao público que o compraria.

Venho pensando nessa relação da fotografia e do vídeo na minha vida. Sim, por conta dessas entrevistas e do que elas podem comunicar, do seu alcance.

Para extrapolar, pensei também que Democracia da Vertigem foi indicado ao Oscar de melhor documentário e os veículos que noticiaram isso usaram a foto de perfil da Petra Costa em que ela posa com uma Mamiya RB67 em Brasília. Tenho certeza que ela deve ter feito umas fotos bacanas de Brasília, mas sem dúvida o alcance do seu trabalho em vídeo na mesma cidade foi muito maior. Consigo imaginar ela voltando a São Paulo e levando os filmes no Gibo para ele revelar e fazer contato. Será que essas imagens impressas poderiam contar para tanta gente que o que aconteceu no Brasil foi golpe?

Fotolivros

Papamosca

Passei um reveillon (2005) muito louco com a Raquel Moliterno e fui testemunha de uma luta complexa entre uma mosca e uma papamosca. Quando chegou a hora de ampliar essas imagens eu acabei pensando em um livro com o PhotoTypeSetting paper. O lance era não cortar o papel, ampliar tudo na sequência para depois só dobrar o papel em sanfona e o livreto assim estaria pronto.

Improper Shipment Procedure Record

Quando eu era jovem (1999) e a fotografia digital começava a aparecer nesse mundão sem porteiras, eu me meti a fotografar processos de embalagem numa fábrica e criar procedimentos para que tais processos respeitassem a ISO da vez lá.

Bom, eu era o figura com uma Mavica pendurada no pescoço, uma pilha de disquetes no bolso vagando por um galpão de logística de auto-peças. (Sobrevivi.) Volta e meia chegava algo muito zoado, peças espalhadas, chapas enferrujadas e eu fotografava pros relatórios dos figuras de lá.

Eu habitava uma casinha dentro do galpão, um pequeno isolamento que me dava um mínimo de sossego. Lá me deixaram uma impressora laser e uma máquina xerox que ampliava e reduzia. Eu logo saquei como imprimir as fotos digitais coloridas em um pb reticulado maneiro. Tá bom, eu não pagava nem o toner, nem o papel, isso foi um super apoio que a TDS deu pro meu trabalho! uhu!

Os relatórios para onde iam as fotos das peças danificadas chamavam Improper Shipment Procedure Records, o livro virou o ISPR.

Obscuro Mito • garanta o seu exemplar!

Obscuro Mito (e ainda é fotografia) de Fátima Roque e Guilherme Maranhão

O livro foi para a gráfica hoje e estará pronto daqui uma semana. São apenas 50 por enquanto!
Quer o seu exemplar? É para já —> deposite apenas R$40 para receber pelo correio. Nos comentários ou por email, basta dar um alô que eu encaminho os dados.

Update 05/05/2018: o livro está pronto e começa a ser enviado dia 07/05 (segunda-feira). Até o final do mês de Maio de 2018 o livro pode ser adquirido direto nesse link do PagSeguro (nesse caso R$43, já incluindo o frete de Impresso Nacional): https://pag.ae/blx8Zss depois basta me mandar seu endereço por e-mail.

Obscuro Mito

A Fátima Roque tinha idealizado esse trabalho sobre o retrato em estúdio, a passagem do tempo, a destruição das coisas. Isso nasceu com um conjunto de negativos que haviam sido atacados pelo meio ambiente, negativos de um estúdio lá na Amazônia. Eu acabei começando a ajudar no escaneamento da coisa e a gente olhava e ia o caminho a seguir para juntar na imagem as cores originais, as cores dos fungos. Depois fui cuidando da impressão de umas provas para a gente sacar melhor o que estava acontecendo, depois fiz um boneco na inkjet, agora testamos uma gráfica que atende pela internet para ver como ficaria o livro impresso em Indigo. Em breve por ai, vamos bolar um jeito da coisa circular.