Aqui em Porto Alegre está sendo bem difícil de achar algo que possa ser aproveitado. Aparentemente as pessoas são um pouco mais conscientes a respeito do que pode ainda ser usado ou não.
A Anna me falou do figura que mora na Bahia, cujo nome temo escrever incorretamente, amigo dela. Pensei em ir lá. Ele reaproveita as coisas, sei disso. Talvez possa adicionar em inspiração ao TCC, afinal não sei ao certo de devo adicionar essa história como um artigo, se é que vai rolar.
Mês: dezembro 2005
Me questionaram meu possível subtítulo, no bar, hoje: “Evolução tecnológica, obsolescência, lixo e o processo criativo na fotografia”.
Seriam o segundo e o terceiro elementos uma redundância. Pois bem, tratei de explicar o seguinte:
Ao meu ver o primeiro item, a evolução tecnológica, torna o conhecimento obsoleto, a isso chamo obsolescência. Essa por sua vez torna os equipamentos redundantes, dai aparece o lixo. Depois vem a conjunção “e” que pergunta que que isso tudo tem a ver com o processo criativo.
O fato da obsolescência é nocivo, porque é o tal conhecimento que é esquecido ou depreciado, trocado por uma tecnologia “nova” e “suficiente”.
A garçonete do Ritz me viu lá ontem à noite. Me seguiu. Me observou. Sacou tudo sobre mim. Leu meus registros nos arquivos das agências de inteligência. Descobriu tudo. Sentou-se à minha frente hoje, num local um tanto inusitado, uma casa de mineiros. Me disse várias coisas. Fingiu ter nascido no mesmo dia em que eu. Me falou do que devo ou não dizer, na vida ou no tcc. Me falou da própria palavra, de como ela é muito mais valorizada. Me mostrou o que é o trabalho, as vivências que nele residem, eternamente, e que podem sucumbir sob as palavras. E falou do sofrimento de quem nasce nesse dia. Fiquei com medo.
Acompanhei uma manhã de filmagens do pessoal do Projeto Estação Rádio Base Fotográfica (www.erbf.com.br). Uma pinhole com 24 furos cria um segundo de imagens projetadas na tela, cortando em miúdos sucintos. No caminho fiz compras numa caçamba ali nas proximidades da Av. Paulista, achei uma caixa com vinis de 47 rpm, Dorival Caymi, Clara Nunes, a coleção da Bianca agradece.
Ontem visitei o que era o estúdio de um amigo, retirei dos “escombros” alguns itens de iluminação bem interessantes.
Usei papel Ektacolor Plus F (processo EP-2) como negativo numa câmara 8×10″, luz de tungstênio. Funcionou. Contato com filtragem zerada, a cor é a cor.
“Minhas angústias, eu as rego todo dia.
Minhas angústias são meu material de trabalho.”
Carlos Reichenbach, em entrevista ao programa Galeria da Rádio CBN, 90,5FM, São Paulo, Capital, dia 11 de dezembro de 2005, às 21h05.
Tem um episódio do programa Cocoricó, da TV Cultura, que é sensacional: o Desconhecido. Lá pelas tantas, o Júlio, que é o personagem principal, revela que não gosta de abobrinha, mas o fato é que ele nunca comeu abobrinha. Papo vai, papo vem, as galinhas conseguem convencer ele de que a salada de abobrinha da Zazá é uma maravilha, ele acaba provando e se delicia.
Essa disposição dele para experimentar o desconhecido acaba por oferecer a oportunidade dele conhecer algo de que gosta muito, a tal abobrinha.
Mais ou menos como descobrir que a gente gosta é do filme subexposto mesmo…