O óbvio flagrante pode ser tão revolucionário. Imagina ser um cara, do nada, resolve revelar um filme exposto num ISO não recomendado pela tabela do fabricante num tempo qualquer usando um revelador desconhecido, ou mesmo um pote, com restos de reveladores diversos. Pelamordedeus, o que pode acontecer?

Kenji diz: a fotografia é um dispositivo explorados por milhares de pessoas nos últimos 170 anos. Você imagina a dimensão disso?

O fazer individual pode ser categorizado em função da “pegada”: compulsivo, impulsionado, puxado, carregado… As barreiras do processo criativo podem minar esses fazeres menos “potentes”.

O fazer pode ser impulsionado pelo material, essa é mais uma maneira do lixo instigar o processo criativo.

Onde a cartilha de linguagem fotográfica encontra o trabalho do lixo? Onde que a perda de pudor para com o equipamento, a descoberta do óbvio, é catalisadora do funcionamento da cartilha. Será?

A cartilha passa pelo lixo? Acho que não, mas passa pela descoberta do óbvio. Já essa (descoberta) passa pelo lixo, que é óbvio. O lixo de fato não é lixo, lixo é apenas a circunstância em que o material foi encontrado antes do processo.

A cartilha deve ser mais aberta: deve falar de tudo, não apenas para iniciantes. A cartilha deve ser para todos, mas deve falar de mim para mim.

A cartilha traz o óbvio revolucionário.

Se eu tivesse que localizar no tempo o momento exato em que isso se deu, eu teria que lembrar do Seu Carlos. Ele me incentivava a comprar as coisas mais baratas de uma forma peculiar. Foma, Talbot, os outros restos da Cinótiva da Rua Conselheiro Crispiniano.

Nota transcrita do bloco azul:

Fechar o texto como uma implosão.