Fotoativa

Fui conhecer a Fotoativa em Belém. São 24 anos de histórias. A Tília e o Miguel me contaram um cadinho delas. Hoje a Fotoativa mora em uma casa cedida pela prefeitura, uma mansão na cidade velha, com um tanto a mais de passado. A casa é do século XIX.

Eles têm um laboratório p&b, algumas salas e um grande espaço meio galeria, meio sala, com portas que dão para a Praça das Mercês, nos fundos do prédio da antiga Alfândega.

Tive a oportunidade de assistir uma aula do Miguel para um grupo de recém iniciados ao pinhole (câmaras de orifício). A aula funciona como uma brincadeira de telefone sem fio, o que propicia uma super-interação entre os alunos.

O que eu vi foi uma instituição com 24 anos bem vividos que ainda tem a energia para fazer um grupo bem heterogêneo de pessoas bricarem como crianças. Homo ludens diria Flusser. Que lugar mais acolhedor.

Roraima, rumo norte

Uma planície enorme. No horizonte recortes no céu. Os carcarás curtem pousar no meio da estrada, o carro vai chegando e podemos assistir um vôo lindo. Para Amajari pegamos a BR-174, sentido Norte. A bússola marca N o tempo todo. Dia nublado. Ao lado direito da rodovia um morro invade as nuvens que estão baixas. Chove agora. Esse lado de Roraima é parecido com o cerrado, mas eles dizem lavrado. Km 572. Ao longo da estrada está a linha que traz eletricidade da Venezuela para Boa Vista. Gilvan acompanha Bon Jovi num cover de Bridge Over Troubled Water. Quem dirige é Arquimedes. Uma reta só. Campos de arroz. Uma raposa morta no acostamento depois do Urariquera. Buritizais entregam de longe para onde corre e se esconde a água da chuva. No Km 598 as árvores começam a parecer mais altas. Fica tudo mais verde, apesar ainda retorcidos os troncos. Ciclistas. Com a bússola apontando Oesta agora, viramos na RR-203. Arquimedes aponta o platô no horizonte. Uma silhueta azulada linda e sem texturas. Uma cruz na beira do asfalto. O vôo de um carcará só. As árvores somem. Um tuiuiu. A ruína de um bar. Um post sem foto.

No Acre

Em Rio Branco conheci a Carmem. Quanta energia. Aprendi bastante. No avião, indo e vindo de uma cidade para outra, li Flusser. Ele questiona até onde vai a intenção do aparelho numa fotografia e a intenção do operador. Ele acredita que o aparelho fotográfico nos programa para esgotar o programa dele próprio. Assim, logo achamos que nosso aparelho é obsoleto, o que nos faz querer adquirir outro aparelho mais novo do aparelho indústria fotográfica. Será?

Chico Divino em Paraty

Chico

Fotografei o artesão Chico Divino lá em Paraty. O Chico ficou famoso pelas suas representações do Espírito Santo, as famosas pombinhas e ganhou esse apelido. O Chico gosta de passar na frente das construções e descolar pedaços de madeira que possivelmente acabariam no lixão da cidade ou boiando pelo mar. Com essa madeira ele faz sua arte.

Porto Alegre • Natal de 2007

POA – Fui ao brique (a feira de antiguidades dos gaúchos) em busca de câmaras antigas passíveis de reformas, fotografei tudo com Plus-X super-vencido na 6×4,5.

Achei, não no brique, mas através da internet, um equipamento fotográfico modificado artesanalmente. É uma câmara Exa que foi instalada em uma tábua de madeira para fazer fotos 3×4, o segredo é que o negativo fica já do lado de lá da tábua, que estaria dentro do laboratório e pode ser cortado um a um evitando o desperdício de filme.

É a segunda Exa que eu vejo em modificações do tipo. Essa câmara parece a preferida porque tem um sistema de avanço do filme que aceita várias mudanças simples. O botão de avanço puxa o filme e é o próprio filme que fazendo girar o “sprocket” arma o obturador e levanta o espelho. Ambas as câmaras foram adaptadas para operar com 30m de filme de uma vez só.