Polaroid Palette

Há mais de ano eu achei um Polaroid Digital Palette num sucateiro. Minha experiência com ele não foi das melhores. Um aprendizado, sendo bem otimista. O que é um Palette? Um Film Recorder, ou uma impressora de slides/cromos. Um aparelho que imprime uma imagem digital sobre filme fotossensível 35mm.

Passado esse tempo eu achei um outro Palette. Aquele era um CI5000, o dessa semana é um HR6000.

Esse deu alguns sustos de início. Começou nem ligando. Tive que usar a violência com ele, o botão de liga e desliga estava enpoeirado por dentro, imagino. Cedeu, ligou.

Fez todos seus testes, rodando os filtros, etecetera e tal, foi. Conectei ao computador, liguei tudo. Mandei exportar uma foto. Ele engasgou e reclamou que o CRT estava escuro demais para a calibragem. Nesse momento quase desisti, mas resolvi fuçar enquanto ele estava ligado. Retirei a câmara e constatei que o CRT estava sim ligado, o que não devia estar funcionando deve ser o fotossensor que lê o brilho do CRT.

Olhar dentro de um Palette enquanto ele acha que está expondo o filme fotográfico é uma coisa linda. O CRT (um monitor de computador) de 4 polegadas não acende por completo, mostrando a imagem inteira. Pelo contrário, ele funciona mais ou menos como um scanner, mostrando tiras da imagem aos poucos ao filme. Na medida em que ele recebe as informações do computador. Essa tiras, ou linhas, parecem lasers percorrendo a superfície dessa pequena tela, ora verdes, ora azuis, ora vermelhas.

Vou revelar o primeiro filme 35mm de testes e postar algum resultado aqui. O Palette fecha um pequeno círculo, permitindo que um negativo P&B seja tratado digitalmente e devolvido ao mundo da prata para um ampliação em papel fibra clássica!

Lona

O alerta era mais ou menos assim: ano 86, único dono, curada, basta retirar. Essa lona já teve muita história. Na década em que todo fotógrafo tinha uma, ela foi fundo de retratos os mais variados, mas caiu em desuso, ficou esquecida, cehgou a cobrir churrasqueira em dia nublado. Agora passava seus dias tomando sol ou chuva amarrotada nos fundos da casa de um amigo. Fui buscar, sairam bichos indescritíveis de dentro dela, o cheiro era renite alérgica pura! Um pacote de sabão de em pó, uma vassoura, uma magueira na garagem do prédio. Ficou cheirosa! Ainda mostra tudo o que passou, rasga fácil já que o tecido perdeu o vigor da juventude, mas está ai.

Osasco em Lith

Em 1996 comecei a fotografar algumas pessoas, umas 5 ou 6, que sobreviveram à explosão de um shopping na cidade de Osasco, SP. Segui a vida de 3 desses durante um período bem longo, de 3 anos. Fotografei com os filmes que eu pude comprar, que na época eram preto-e-branco. O trabalho foi sendo construído e eu o apresentava com fotos com uma escala tonal comum (como as que eu comentei num post anterior). Em 2000 eu ganhei um envelope de papel positivo para ser usado na indústria gráfica. Acabei fazendo uma espécie de releitura do meu próprio trabalho, brincando com um contraste mais acentuado, interferências físicas na imagem. As imagens perderam o ar de fotografia documental que elas tinham, o que deixou algumas pessoas incomodadas, mas ganhou outras informações.

A foto de cima é a Gil superando a escada da entrada da casa dela, quando ela finalmente voltou a andar. Já esse beijo foi a última foto que eu fiz dela. Era sinal de que ela tinha superado as 33 cirurgias e o ano e meio presa a uma cama e recomeçado a vida, encontrado um amor.

Kodabromide peso simples

Em 1998, a exposição do trabalho sobre Osasco ficou assim. O papel fotográfico usado para ampliar as cópias veio de uma pilha de envelopes amarelos antigos que estava sob uma mesa do laboratório do jornal. Eles não ampliavam p&b fazia mais de 10 anos e esses kodabromides passaram toda sua vida no ar condicionado. Foi uma supresa sensacional ver aquilo funcionando, era papel fibra peso simples, tamanho 30x40cm, tom frio.

ISPR

O décimo primeiro post desse blog era sobre um pequeno livro. Um livro inspirado em alguns relatórios chamados de Improper Shipment Procedure Records.

Naquela época eu procurava uma impressora laser meio baleada para voltar a fazer esses trabalhos. Fiz esses livros enquanto fotografava peças metálicas que chegavam enferrujadas em uma fábrica. Cada foto mostra um defeito. O livro virou ISPR.