É um emaranhado de coisas. Hoje uma visita ao meu ateliê me fez pensar em toda a complexidade que há nessa história de intenção e resultado, seja na feitura de uma imagem, seja nas escolhas em uma carreira de artista.
Às vezes os resultados surgem nas fontes mais inusitadas. E tem sido um caminho longo até chegar a certos lugares. Tantas coisas outras que tem que ser feitas antes das que realmente queremos fazer.
Pensei muito no filme Santiago. De um dos Salles. De como fiquei feliz quando o filme acabou e não tinha nenhum logotipo de nenhuma empresa, de nenhum orgão federal. Aquele filme é dele, do João. Bom, é verdade que eu não tenho nem pai diplomata, nem avô barão, mas com a sucata eu viabilizei algumas imagens sem o logo do MinC no verso. E o João não fez o filme assim de bate-pronto, levou um bom tempo, para juntar a energia suficiente para pô-lo em movimento. Parece que a coisa funciona assim, tudo tem seu tempo, cada foto, cada trabalho, cada ensaio, cada série, cada exposição, cada publicação, cada contato, cada amizade, cada solução, cada impressão.
E a gente tem que perceber que nós somos um, nosso trabalho é outro, cada um a sua velocidade, cada um tem seu alcance.