Exposição + Oficina • Desvelar Objetos Técnicos

O evento, que é organizado pela Camila Mangueira, Fabrício Fava e Miguel Carvalhais, deve abrir no dia 05 de setembro de 2024, às 17h30, com essa exposição lá no Museu FBAUP.

Para essa exposição, a Camila fez uma pesquisa dentre os diversos aparelhos de imagens técnicas do acervo do Museu. Também convidou alguns artistas que trabalham com aparelhos semelhantes para compartilharem imagens e experiências, além de mostrarem seus aparelhos e/ou combinações deles.

Vou mostrar uma imagem da série Pluracidades acompanhada da câmara-scanner que foi usada para capturá-la e uma carcaça de um HP 2200c semelhante ao que doou suas peças para a esta câmara.

A Camila veio visitar e fez essa foto enquanto eu dava um talento na carcaça do Scanjet para deixar ele limpinho para entrar no museu.

Além disso, dia 9 de setembro de 2024, das 10h às 16h00, vou oferecer uma oficina de Construção de Câmara Digital Artesanal dentro desse evento – e assim poderemos desmontar um HP 2200c juntos e ver como os intestinos dele podem nos proporcionar uma maneira diferente de ver. Já não prometo que o que eu vou levar nesse dia estará tão limpinho.

Saudades do José Luís Silva

Foi graças ao Bento Bueno que nos conhecemos. O Bento sempre dava uma canelada na caixa da Toyo GX ao levantar da cama, anos a fio. Ele acabou decidindo vender todo o equipamento de grande formato e me pediu ajuda. Anunciei um monte de coisas do Bento num fórum, era o Esquina da Foto talvez. O José Luis Silva entrou em contato para comprar uma objetiva, talvez.

Sei que foi em 2012 porque o meu filho Felipe era recém nascido. E eu estava passeando com ele, falei que podia parar pelo estúdio e pegar a objetiva, o Zé falou que passava lá rapidinho para vê-la.

O Felipe tinha dormido finalmente quando cheguei ao estúdio. Deixei ele no carrinho e organizei as coisas do Bento sobre a mesa. O Zé chegou e viu o Felipe dormindo. Foi falando bem baixinho para me ajudar a mantê-lo assim.

Ele olhou as coisas que estavam a venda, nós começamos a conversar. O Felipe continou dormindo por mais de uma hora e nós ficamos amigos, ali, durante aquela soneca dele.

Penna Prearo, José Luís Silva, Elisa Bueno e eu. Fotografando em um ferro velho no interior do estado de São Paulo.

Tínhamos muitas das mesmas preocupações: como garantir a qualidade dos nossos trabalhos, como mostrar nossos trabalhos, como ganhar algum dinheiro com nossos trabalhos. Tínhamos visões diferentes na maioria desses assuntos, mas respeito mútuo pelos nossos esforços em seguir esse caminho.

E reconhecíamos o respeito de ambos pela fotografia em si. E nossas maiores dificuldades nesse campo também.

Obviamente o Zé levava as coisas muito mais a sério do que eu. O site e o Instagram deixam isso bem claro e vale uma visita agorinha, enquanto ainda estão lá. Tem um link quebrado no site, é uma pena, uma outra conta de Instagram que não existe mais, talvez.

Saudades das nossas perambulações pela Zona Leste de São Paulo e nossas caminhadas pelo Centro e por Higienópolis. Quando diminuiu meu tempo para sair e fotografar assim pela cidade, nossas ligações telefônicas continuaram. Ano passado, mesmo com a distância, pusemos em dia as fofocas fotográficas e as nossas conversas sempre francas… Porra, Zé, tão cedo!

Em busca de novos caminhos para o processamento de imagens digitais

Comecei na fotografia em 1991, em um país do terceiro mundo. Desde então, sou fotógrafo profissional. Eventualmente, me mudei para um país europeu. Ao longo do tempo, experimentei muitos caminhos diferentes e, na maior parte desse período, me considerei um artista. No entanto, foi a imagem digital profissional que me sustentou. Investiguei programação por muito tempo e entrei na onda do Processing quando foi lançado, assim como o Arduino, entre outros. Passei por várias oportunidades de trabalhar com processamento de imagens, sem imaginar o quanto isso poderia ser divertido. Sempre fui, sem dúvida, um fotógrafo experimental.

Muitos anos depois, enquanto trabalhava como fotógrafo de e-commerce, tive acesso a uma plataforma de aprendizagem. Durante uma baixa temporada, decidi refrescar e expandir minhas habilidades em programação e, logo, fui capaz de realizar coisas que nunca pensei serem possíveis, especialmente depois de tanto tempo.

Recentemente fui demitido e isso foi muito bem-vindo. Terei tempo para pensar e planejar meus próximos passos, o que tem sido ótimo, de verdade. Usei esse tempo até agora para desenvolver aplicativos simples. Recentemente, terminei um trio de aplicativos que refletem a fotografia experimental que venho praticando todos esses anos.

Um lida com a mistura de canais de cores, outro cria scans de fenda a partir de vídeos (que era a sensação quando o Processing foi lançado), e o último aplica solarização em imagens. Tudo isso são técnicas que pratiquei em primeira mão no mundo analógico ou no digital experimental. Tem sido realmente interessante pesquisar mais sobre a matemática por trás das imagens.

Enfim, agora estou em busca de novos caminhos para o processamento de imagens digitais. Alguém tem alguma idéia?

Originalmente publicado em https://news.ycombinator.com/item?id=40575014

Slitscans a partir de vídeos

Fazer slitscans a partir de vídeos é uma moda que já passou. A maioria dos programas que você encontra no GitHub para isso já tem quase 10 anos que foram publicados. Naquela época eu estava experimentando com a linguagem Processing para fazer a mesma coisa.

O tempo passa e me encontrei querendo colocar minhas habilidades de Python em prática, foi quando lembrei desses programas e resolvi fazer algo parecido, mas com um toque diferente.

Tenho diversos vídeos de timelapse feitos ao longos dos anos. Sempre mantive a câmara estacionária e deixava a paisagem mudar gradualmente ao longo do dia. Bom, e se eu usasse um software de slitscan para varrer a imagem e juntar uma linha vertical de cada momento em um único frame que resumisse o dia? Seria visualmente interessante esse panorama?

Para experimentar seria importante um programa mais complexo de slitscan com possibilidade de estabelecer a posição de início do slit, a sua velocidade ao longo do frame de vídeo, se o resultado que se pretende é horizontal ou vertical, etc.

São mesmo muitos detalhes e ainda está longe de estar completamente funcional, mas um pequeno teste já rolou e o vídeo acima, gerou a imagem abaixo com 480 por 360 pixels:

Por hora é menos interessante do que eu sonhei, mas ainda não desisti.

ULF do Sr. Arlindo

Em 2020 estive em Coimbra para conhecer as histórias e a loja do Sr. Arlindo. A Fátima Roque me falava muito dele desde 2012, tanto que escrevi esse post aqui em homenagem a essa história com as fotos que a Fátima me mandou e com a entrevista que gravei com ele em 2020.

Agora na segunda quinzena de Abril de 2024 estive por lá novamente e foi muito bom saber como andam as coisas na Diorama. Adorei ver que o Sr. Arlindo continua cheio de idéias e novas construções! Cheio de energia!

Logo depois que passei por lá chegou a pandemia. Sr. Arlindo me conta que ficou trabalhando sozinho ali na sala dos fundos da Diorama, recombinando as coisas que ele já tinha para criar essa câmara de ultra grande formato (28x35cm e 30x40cm).

A câmara tem diversos movimentos, anda sobre 4 rodas, tem foco motorizado e um obturador elétrico com controle de tempo digital. Brutal!

Uma pequena placa na frente contém uma dedicatória, um poema, sua assinatura.

Uma bela construção, cheia de ideias interessantes. Fiquei vidrado com os grampos de marcenaria sendo usados como os standards da frente e da traseira, uma ótima solução!

A Diorama ou o Sr. Arlindo não estão nas redes sociais, é uma ótima desculpa para ir conhecer Coimbra e ele.

Grid

Deve fazer uns dois anos que eu achei um projetor no lixo. Acho que por ele só ter uma entrada VGA deixou de ter utilidade, não havia errado com ele, nem a lâmpada estava velha (coisa que é comum). A resolução era baixa, apenas 800×600 pixels (SVGA).

Eu tinha essa ideia de fotografar alguns objetos com um grid projetado neles, sei lá, olhar para as linhas e para os limites, não sei bem, talvez seja apenas a intersecção das formas.

Mas foi essa semana que sobrou um tempo extra, tirei o carro da garagem, montei um estúdio improvisado ali, levei o projetor, liguei um laptop antigo, fiz um grid adequado. Experimentei com o tempo, com a altura do projetor, com o ângulo etc.

Fiz umas imagens com o smartphone para testar, enquanto faço uma lista mental dos objetos que pretendo fotografar.

O primeiro teste ficou escuro, é difícil fotometrar essas linhas e saber como vão aparecer num filme sensível a luz verde. Acabei optando por colocar um difusor sobre a luz da minha mesa de trabalho e deixar ela ajudar nos volumes (que é a foto que abre esse post).