Químicos domésticos

Há umas semanas atrás um comentário da Michelle me apresentou um figura muito interessante, o Roger Bunting, o artigo dele na Revista Shutterbug é muito bacana.

Ele fala de usar materiais caseiros para revelar filmes. A informação que mais me chamou a atenção foi poder usar água salgada para fixar filmes fotográficos. Genial!

Estou tendo uma dificuldade enorme para encontrar Tiossulfato de Amônia para vender e agora fiquei tranquilo…

Isadora

Recentemente fui fazer uma foto para uma revista que ainda não existe. A personagem é Isadora, ela é surda e adora dançar. Isso por si só assunto para uma vida.

isadora

Mas o fato é que uma das imagens resultantes desse ensaio suscitou inúmeras discussões dentro de mim. Cheguei ao local da foto e fiquei de papo com duas pessoas, uma delas a responsável naquele dia pelo espaço onde a foto seria feita (uma escola de dança). O atraso da fotografada foi providencial, o papo foi indo, lá pelas tantas falamos de vizinhos, ela apontou triste o toldo verde todo furado pelos cigarros jogados do prédio acima da escola.

Olhando o toldo comecei a refletir sobre a incompreensão entre as pessoas, o gesto de jogar uma bituca acessa pela janela de um prédio quando se sabe que o vizinho está logo abaixo, a história de busca de compreensão por parte de Isadora, imaginei a dança dos pontinhos brilhantes ao redor dela.

A foto nasceu naturalmente.

Mais tarde pensei que os furos eram pinholes e no momento da foto sobre mim eram projetadas inúmeras imagens das casas dos vizinhos de cima da escola de dança. Não parei para contar quantos pontos são. Talvez seja legal voltar lá num dia de eclipse do Sol e fotografar o chão de pedras onde deitei para fazer essa foto!

Filme vs Digital

Preto-e-branco digital?

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Hoje em dia, se eu falo Tri-X na sala de aula todo mundo fica com cara de interrogação. É verdade que está cada vez mais difícil de encontrar esse filme p&b no mercado brasileiro.

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O segredo ou solução foi fazer um preset de lightroom paradar o contraste do Tri-X puxado para 800 no digital. Não é nada do mesmo, mas um coisa nova que agrada também, nostalgia é bom, mas não ajuda na hora de fotografar, principalmente debaixo da chuva!

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Ao mesmo tempo que o filme foi sumindo do mercado e o digital foi tomando seu espaço outros avanços tecnológicos foram surgindo, como os vários controles possíveis do flash, a compensação de exposição direto no visor, sem ter que tirar o olho do assunto, coisas que ajudam no dia-a-dia de um fotógrafo que gosta de capturar instantâneos. Coisas que tornam essas fotos aqui possíveis.

Campus Party • Metaboteco

CP em clima de despedida. Hoje é meu último dia aqui. Vou dar uma demonstração de como funciona o scanner para fotografar e está encerrada minha participação.

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O MetaBar de terça ontem foi substituído pelo MetaBoteco.

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O clima era tenso, rolou até pancadaria aqui ontem.

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Muita gente de mala feita essa manhã, muitas barracas já foram embora.

Campus Party • pensando no Flusser

Hoje foi uma dia curto para mim no CP. Aqui continua a oficina tocada pelo Glerm, Bits e Volts na Unha, na foto abaixo. Mas nada mais é muito assim aqui.

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Ganhei um livro que o 2F editou com a história da Metareciclagem, o Mutirão da Gambiarra. O Mutirão da Gambiarra é um esforço colaborativo para promover a coleta, organização e análise da documentação gerada pela rede MetaReciclagem. O livro é uma apostila de 115 páginas, impressa em xerox ou laser gráfico, nada demais, o que conta ali é a história, que está impressa agora, e os textos que são imperdíveis. Alguns só estão na íntegra na web, como esse do Hernani, que dá uma idéia do que foi o projeto Metá:Fora e quais braços ele lançou por ai. Lá pelas tantas, 2F reproduz um texto do Sergio Rosa pinçado do Overmundo, sensacional, boas perguntas, boas respostas.

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A parte mais interessante até agora, do CP, é essa constatação de algumas coisas que Flusser colocou sobre o aparelho (pelo menos para mim, nas entrelinhas). Quando Flusser separa os operadores de aparelhos entre Funcionários e Fotógrafos, pensando na câmara fotográfica, e estabelece o quão escura a caixa preta pode ser para um ou para outro como a diferença que os separa em suas diferentes categorias ele me parece tocar numa questão muito importante. Aqui vieram pessoas que consideram o computador quase transparente, eles só vêem quem está no chat do lado de lá ou o soldado palestino que está tentando matá-lo em um game. E outras pessoas que fazem questão de torná-lo transparente com acrílico ao invés de metal, o que pode tornar o computador ainda mais escuro e desconhecido apesar de suas cores vivas. Por outro lado o pessoal do desenvolvimento parece conhecer a fundo os meandros das máquinas. Alguns se perdem em seu caminho exigindo que o mundo inteiro avance em tandem com a tecnologia, desculpa, isso é inviável! Cada um de nós tem as suas prioridades. Funcionários e operadores avançados vêem nos aparelhos soluções para problemas diferentes.

Essa “forçação de barra” dos desenvolvedores não é diferente da dos que defendem a inclusão digital irrestrita. Para muita gente blog, orkut, youtube simplesmente não querem dizer nada, nem nunca vão querer, é mais razoável e humano deixar as pessoas viverem as suas vidas. Mas isso é só a minha opinião

E pensando na bola que Flusser já tinha cantado, sobre a intenção do aparelho, que é intenção programada nele pelo seu fabricante: o aparelho indústria, chego a uma conclusão que essa “forçação de barra” é exatamente o resultado do que Flusse colocou como o aparelho tentando programar o seu funcionário para melhorado infinitamente.

Nada é definitivo aqui, são só versões, 1.0, 2.0, 3.0, e esse encontro serve para gerar a necessidade da 4.0.