Custo por foto, antes e agora

A história de hoje começou em 1993. Em janeiro desse ano meu pai me deu uma Nikon FM2. Tenho essa câmara até hoje. Ela funciona até hoje. Em 1999 ela teve um pequeno problema com a alavanca de rebobinar o filme, consegui a peça e troquei eu mesmo, comprei pelo correio de uma loja em Chicago. O preço do conserto na autorizada aqui no Brasil era proibitivo. Cheguei a comprar um livro xerocado, manual de reparos da fábrica para a FM2, mas ele nunca mais foi necessário. Aqui, a única página que eu cheguei a usar até hoje:

fm2manual

A peça 561 quebrava bastante e foi bem fácil de conseguir. Quebrava porque a câmara batia em algo, veja bem.

O tempo passou, comprei uma segunda FM2, depois uma Nikon 8008s, que também me acompanhou durante muito anos. Juntas as três câmaras fizeram todas minhas imagens nos anos 90. Sem sustos.

A FM2 custava 479 dólares e a 8008s custava 589 dólares, lá na B&H (vou usar o catálogo da B&H como fonte de valores nesse post, para evitar diferenças em função de impostos, taxas de revenda, margem de importador). Como a FM2 ainda está comigo depois de 16 anos, ela custou 30 dólares/ano (480 dividido por 16).

Mas esse paradigma acabou, se foi, não volta mais, já era, nunca mais.

Em 2003 comprei minha primeira digital séria, uma Canon 10D, foi difícil trocar para Canon, mas na época a Nikon D100 deixava muito a desejar, na qualidade da imagem, no lento processamento dos RAWs. Junto com a 10D adquiri um cartão de 256Mb.

cfcards

E foram muito cartões, antes e depois de 2003. Cartões CompactFlash sempre. Depois vieram os de 4Gb e 8Gb… Que custaram mais barato que esse de 2Mb ai em cima.

A 10D custava 1500 dólares na B&H, ainda funciona, são 6 anos comigo, por enquanto 250 dólares/ano (1500 dividido por 6). A 10D precisou de duas limpezas de CCD durante esses 6 anos, limpezas que eu mesmo fiz.

Quando a 10D fez 5 anos, alarmado pelas notícias ao meu redor de que essas câmaras não durariam mais que algumas mil fotos, depois que o grip da 10D empacotou e cansado da demora que é esvaziar o buffer depois de travar após 9 fotos em RAW, adquiri uma Canon 40D.

A 40D custava 1000 dólares na B&H, está há 1 ano comigo, por enquanto 1000 dólares/ano (1000 dividido por 1). E está hospedada na autorizada aqui em São Paulo, o Namba. O obturador morreu, segue um detalhe do orçamento que recebi deles:

Picture 1

O orçamento do Namba acusa o número de imagens feitas com a câmara: 49493. Fui atrás da nota fiscal, a câmara tem 1 ano, 1 mês e 10 dias comigo. ou seja, não há mais garantia. No DPreview a durabilidade estimada do obturador da 40D é de 100.000:

Picture 2

Mal chegou à metade. Coisas da vida. Ou melhor, eis um novo paradigma. Serve para reencontrar bons amigos nas visitas cada vez mais frequentes à autorizada. Quem tem uma lente Canon com IS também vai sofrer com isso o conserto é mais caro que o do meu obturador. Obsolescência planejada na Wikipedia, vale a pena conferir o subtítulo Fair Trade. Um outro texto a respeito. Idéias.

Isso tudo me colocou em busca de uma substituta para minha 40D, caso o conserto dure pouco, preciso ter um backup adequado. Comecei pelo próprio DPreview lendo sobre a 50D. Fui atrás de mais informações sobre o sRAW1 da 50D, sobre o controle de ruído nele, etc e tal.

Achei esse post de Roland Lim, muito interessante. Mas não foi suficiente. Acabei indo parar num site muito curioso chamado Canon Rumors. Lá já há muita falação sobre o que será a “60D”. De tudo que li, captei uma coisa bem simples, todos aquele cartões Compact Flash nos quais investi tanto dinheiro serão completamente inúteis, tudo aponta para os cartões SD.

Dentro desse site encontrei um página onde é mantida uma tabela de preços e estimativas de substituição de modelos, vale a pena consultar antes de comprar.

Retomando a idéia dos valores anuais e etc, pensei em uma comparação, escolhi uma câmara popular entre os profissionais, a 5D Mark II, e um tipo de trabalho também popular, a fotografia de casamento, pesquisando sites fica claro que uma 5D Mark II pode ser adquirida por um fotógrafo norte-americano em uma loja local com metade do que ele ganha fotografando um casamento grande. Aqui no Brasil a situação é outra, um bom fotógrafo vai precisar juntar todo o faturamento obtido com 2 a 4 casamentos grandes para ir ao centro da cidade deixar 10mil reais e adquirir a mesma câmara.

Bom, o digital não barateou em nada a fotografia. Os impostos de importação não ajudam em nada a nossa situação, a desunião dos profissionais não ajuda. E a concorrência por preço os coloca em uma desvantagem terrível em relação à aquisição de equipamento fotográfico.

Minha intenção não é entrar tanto no mérito da fotografia profissional, mas de fato, essas são as pessoas que mais sofrem com esse novo paradigma. E ao mesmo tempo essa é a classe que poderia lutar contra essa situação de importação e etc, facilitando a aquisição de equipamentos aqui em Terra Brasilis.

Já a obsolescência planejada é uma outra história, de terror. Bens mais duráveis ficarão mais tempo fora da lata do lixo, de diga-se de passagem não é um buraco sem fundo. Forçar esse ciclo de consumo, anual, é muito barra pesada por parte da indústria (Flusser tinha razão). Trocar de equipamento em busca de vantagens (qualidade, resolução, etc) é uma coisa, ser forçado porque o equipamento é mal feito, ou feito para quebrar, é outra. E assim, se eu for forçado a adquirir uma outra câmara, provavelmente serei forçado a adquirir outro computador, e por ai vai…

Scanmaker II, testes

Fiz um teste para ver as possibilidades de um scanner Microtek ScanMaker II, vintage de 1993. Ele tem uma tampa com iluminação para o escaneamento de transparências até 8×10″ e chega a 600 dpi (uau! em 1993…), no entanto só usei 300 dpi para os testes.

Escolhi um negativo colorido complexo, com velatura e muita prata (por conta da falta de branqueamento).

testescan

Os 8 bits por canal não foram suficiente para decifrar a cor do negativo tão escuro, resultou um color cast amarelo violento no arquivo digital. A mancha branca é da imagem e foi resultado de um buraco no lensboard da câmara 8×10″, um acidente casual. Algumas manchas azuis bem suaves aparecem no centro da imagem, artefatos da captação da imagem. Com um negativo p&b de contraste normal o scanner se saiu bem melhor.

testescan2

Aqui as correções necessárias após o escaneamento foram bem poucas, só inversão e a aplicação de uma curva bacana.

Scanner com DSLR, objetivas

Hoje cheguei ao estúdio e percebi que havia esquecido minha lente macro em casa. Tinha que fazer algumas reproduções de negativos 35mm e sem ela seria complicado. De repente me ocorreu que eu tinha o fole comigo e a lente de ampliador nele adaptada. Mas essa montagem gera imagens de 1:1 para mais e para reproduzir negativos 35mm com uma digital com crop 1,6x não funciona, ou seja, eu precisava algo em torno do 2:1. Vasculhei uma gaveta, achei tubos de extensão, uma 135mm da Contarex, não ia dar certo. Dai me ocorreu pegar uma lente de scanner e adaptar no próprio fole, para ficar mais próxima ao CCD do que a lente do ampliador, não deu certo também, mas acabou encaixando dentro de um tubo de extensão que preso a outro mais curto deu o resultado desejado. Os tubos e o fole são para Nikon, um adaptador que eu construi para colocar as lentes da Nikon na Canon foi necessário e fui em frente.

lentes

Fixador, ufa!

Finalmente! Foi uma pequena batalha descolar esses dois galões. Juntos eles são 100Kg de Tiossulfato de Amônia.

tissulfato

Cada 5 litros de fixador levam aproximadamente 700ml desse líquido. Sim, o Tiossulfato de Amônia vem diluído, solução de 56%. Ou seja, com esse tanto imagino que os próximos 3 a 5 anos de fixador estão garantidos. A grande vantagem de comprar o Tiossulfato separado do resto do fixador é poder formular um fixador alcalino, que é mais “archival safe”.