Lembrança • Abrindo uma foto grande

Desde o ano 2000 que eu tenho feito umas fotos grandes, começando pela série Plural. Sempre foi uma grande dificuldade abrir as fotos para vê-las por inteiro, que dirá tomar a distância necessária para olhar com calma como ficou a estrutura das montagens.

Essa primeira imagem é uma tentativa ainda em 2000 de abrir a primeira Plural, com 1×9 metros de tamanho. Não foi possível ver ela inteira mesmo com a ajuda da Faró, Gabi e Percília.

Anos depois, em 2005 o Tadeu Chiarelli me convidou para uma leitura de portfolio lá no MAM, eu levei toda a série de Plural que está pronta na época (6 imagens) e abri as imagens no piso do museu numa segunda-feira tranquila. De quebra subi numa escada e fiz essa foto abaixo registrando o “evento”. Foi a última vez que vi essas fotos abertas e nem foi de frente.

MegaVision S-2

A MegaVision é um fabricante pioneiro de backs digitais, sendo o primeiro a oferecer um back digital para venda ao consumidor. Esse aqui é um S-2 de 1996 com um CCD de 31x31cm com 4MP e pixels de 15µ (uau).

O filtro IR-cut desandou e ficou todo irregular impossibilitando fotografar com foco.

Achei uns vidros de 0.5mm guardados desde a pré-história e consegui (sem me cortar, nem arranhar o vidro) cortar um pedaço de tamanho idêntico ao original.

Usei uma cola de silicone bem comum para colocar o novo vidro no lugar e fazer uns testes. O sensor tem umas duas manchinhas que ele adquiriu de 1996 para cá, mas vamos ver no que dá. O software não foi tão difícil, depois que eu descobri uma página escondida no site do fabricante com os arquivos para instalar esse back num Mac OS9: http://mega-vision.com/tech/downloads/ (o site do fabricante omite o s no final de downloads e os links não funcionam, demorei uma semana para sacar de onde era o problema).

Quando os backs digitais chegam ao lixo

Já foi em outro post aqui eu falei sobre o valores dos scanners na década de 1990 e como ele acabaram indo para sucata logo depois por conta do fim da interface SCSI nos computadores novos. Backs digitais no início dos anos 2000 eram bem caros, 12 mil dólares era o preço de um back econômico como o DCS Pro Back da fotografia abaixo. E não era só isso o investimento, por vezes um computador específico era necessário para operar o back e interpretar suas imagens.

Mas chega uma hora que mesmo com uma qualidade de imagem ainda alta, 16 MP e pixels grandes, o back perde tanto valor e utilidade que ele vai pro lixo mesmo. A Horseman chegou a criar uma câmera mais ágil para que as pessoas pudessem acoplar a seus backs mais antigos e dar uma sobrevida a eles com objetivas mais interessantes, mas até essa câmera foi descontinuada (uma pena).

Como aproveitar esses sensores maravilhosos (que foram feitos às centenas, nem aos milhares, nem aos milhões)?

Ateliê

Essa página da Biblioteca Time Life de Fotografia é incrível, uma fotografia relativamente moderna (anos 1970) de uma recriação de um estúdio de tintypes como se fosse nos idos de 1860. Bom, talvez eu tenha achado tão incrível porque ela me apareceu justamente no meio de um enorme trabalho que eu realizei entre janeiro e fevereiro de 2018. Reproduzi digitalmente aproximadamente 5000 fotografias, muitas delas dessa época, produzidas em espaços como esse, iluminadas dessa maneira.

Logo, essa imagem explica a luz das fotografias do século XIX, o estranhamento da luz do céu nublado numa cena que parece ser do interior de uma casa. Como seria bom um ateliê com uma luz dessas, uau!

Infravermelho com a Sony F828

Além de escanear o Tatuapé, aproveitei essas paisagens incríveis da cidade se modificando para fazer algumas imagens em infravermelho com uma nova câmera, uma Sony F828 de 8MP.

Essa câmera tem a função Night Shot, que por si só não é bacana para IR, mas que abre algumas brechas. Uma delas é que com o uso de um super imã, você pode mover o filtro IR-cut dentro da câmera abrindo as portas para o IR sem ter que acionar o Night Shot.

Usei um filtro de 850nm que é bem escuro, fotografei em RAW e em ISO 64 para segurar tudo que se pode e converti no Lightroom posteriormente. Um novo caminho para explorar.