passeei de carro com uma moça francesa hoje. lembrei do filme de agnes varda: les gleunesses, que se traduz por as respigadeiras, um quadro de um cara que eu sempre esqueço o nome. no quadro, mulheres catam do chão os restos da colheita que segue adiante. na frança é permitido por lei entrar em propriedade privada e recolher do chão exclusivamente o que for deixado para trás por aqueles que fazem a colheita para o dono da terra, ou algo assim. o filme de varda fala das pessoas que vivem assim, sem desembolsar dinheiro para comer. fala daqueles que encontram no lixo tudo que precisam, ou quase tudo. um advogada, lá pelas tantas, descreve o que é pegar uma geladeira na rua: é uma aquisição especial, porque o produto pertence a ninguém (dai o subtítulo desse blog). um conceito interessante. o lixo na frança não pertence ao estado. em outros países pertence, é uma maneira de tornar legal a disposição que o estado der para o lixo. aqueles que pegam lixo no japão se arriscam com a polícia. e assim vamos. mas o filme é imperdível, e inesquecível para mim. de lá para cá tenho incluído o filme em todas a bibliografias de todos os trabalhos que faço por ter essa certeza de que tudo mudou depois dele.

em lyon um figura muito gente boa explica para agnes que a prefeitura publica pequenas cartilhas que explicam para eles e outros como ele, onde ir para encontrar o lixo mais interessante. agnes corrige o moço: a prefeitura de lyon explica aos moradores onde ir para deixar o lixo! é tudo uma questão de perspectiva.

o mundo é muito rico. as pessoas não são tão brilhantes assim. o lixo, por sua vez, acaba sempre bem recheado. boa noite.

e ai, alguém tem uma impressora laser dando sopa por ai? falei sobre o livrinho ISPR que fiz com a laser do trabalho, e outro dia estava babando sobre o dito, admirando a qualidade daquela coisinha.

pô, dá para fazer coisas impressionantes com uma impressora laser. e olha que ela é só hardware…

bati um super papo com o gianini. ele me mostrou várias coisas novas que ele vem fazendo com os digiflashes. pensei em uma mesa redonda sobre tecnologia na manufatura de equipamentos fotográficos sendo desenvolvida aqui no Brasil, idéias.

ele me deu dicas para conseguir instalar o programa do scanner no laptop através de arquivos zipados em multi-volume. tô começando a perceber que daqui em diante muito do que se fará, se fará em software. hardware é coisa do passado.

Os anexos

comecei a pensar em coisas para adicionar ao TCC em forma de anexos, coisas relacionadas ao assunto e que eu já desenvolvi. imagens de lixo, imagens de reformas de ampliadores, imagens de oficinas de ccd linear, textos que já escrevi para o fotopro, lembrei até de um livrinho que publiquei com 20 exemplares: ISPR, sobre as peças de metal que a volks destrói. tenho juntado bastante coisa, e vou lembrando mais e mais.

A procura

noite de insônia. e o vizinho do 303 tem companhia. dai já viu, dormir fica bem difícil. meu! o cara ainda não aprendeu a colocar uma toalha entre a cabeceira da cama e a parede. mas falando de lixo, e do papo com a mocinha de santo andré: lixo, ou o que quer que seja, enfim, comecei a juntar imagens que já existem disso, e acho até que descobri que talvez já haja um trabalho de fotografia de lixo e de lugares onde ele pode ser encontrado. já disse que meu é lixo?
achei um bilhete escrito para a menina do 203 em fevereiro, da onde extraio a seguinte passagem que se refere à uma imagem da série das cadeiras:
“para mim ela é lixo de todas as formas. as cadeiras ficavam ali abandonadas nesse galpão, cobertas de poeira, sem ninguém para sentar nelas. eu até levei umas para casa, e elas me acompanham até hoje. (…) e acho que no fundo fiz isso porque na hora, as cadeiras não eram tão importantes para mim. ingenuidade a minha. e sorte. eu diria.
eu fico maravilhado com esse tipo de possibilidade: reconstituir a vida em um monte de coisas quase mortas.”
coisas quase mortas? será assim que vou chamá-las?

A tese

falei com meu chará. perguntei se ele achava que a minha tese era legal. a minha tese? nossa condição não nos permite produzir em quantidade sem depender de um fluxo de dinheiro grande, a apropriação (lá vou eu usando essa palavra) nos permite produzir mais com menos. a nossa situação produtiva melhora com o uso dos materiais velhos, abandonados, achados, procurados no lixo, etc e tal. enfim, apenas uma tese. eis que acho também que essa facilidade financeira gerada pela inserção desses materiais no processo produtivo alivia a mente do artista das questões mais palpáveis, dá uma tranquilidade que o artista consegue traduzir em criatividade mais ampla. enfim, apenas uma tese. é verdade que penso que o acaso tem um papel importante, e nos força a aceitar uma série de coisas que não aceitaríamos caso estivéssemos pagando, e caro, por cada filme e cada cópia em papel. mas a tranquilidade é de ouro.