então, será que reciclar o lixo fotográfico é reprogramar esses equipamentos e materiais fotográficos? será que é dai que vem esse estranho sentimento de quando falo de software ou de papel mofado, falo de mesma coisa?

revirei uma caixa de cabos de computador, encontrados no lixo da tds lá no canadá. resolvi que alguns realmente deveriam ir para outras mãos, alguns ficaram, e possivelmente conectarão coisas inusitas um dia. paralelo para serial, etc e tal.

e teve uma experiência esses dias que foi fabulosa, ainda no tópico software/programa/flusser.

fui danças no milo’s garagem. assisti ao que foi descrito a mim como um “live PA”. enfim, dois jovens bem apessoados, trajando roupas quase comuns, cada um com seu laptop ao qual adicionaram um console. os ditos consoles que cada qual trazia nada mais eram do que uma peça de tamanho aproximado do dito laptop, mas cheio de dials e sliders (botões de girar e de deslizar).

dançávamos à música que esses dois jovens criavam mexendo esses botões. na tela, que ambos olhavam atentamente nada mais do que uma inteface cheia de número, gráficos, uma outra representação do console que eles tinham ali talvez. interfaces para controlar o software/programa.

fiquei pasmo!

a conversa finalmente rolou. com o luish, fomos ao atelier olhar umas coisas e falar, de flusser, do programa, e de softwares. o programa. luish contou de produção de filmes através da vetorização de imagens de vídeo. eu falei de iluminar uma cena com a luz (LED) infravermelho de um controle remoto. a discussão voltava sempre ao programa. hoje olho a minha 10D como um sensor CMOS preso a um palm dedicado. nada mais, só isso.

olho para o dauphin e imagino prendê-lo a um CCD também, e imagino também tudo que deveria aprender para conseguir programar esse conjunto.

a grande questão, em torno dos programas, que veio à tona várias e várias vezes hoje é como e o que aprender para programar. para ser capaz de desmembrar o firmware da DC50, para acionar a Polaroid 320 pelo cabo serial… etc.

a reciclagem desse lixo cibernético que eu já acumulo exige mais estudo. a experiência com os scanners para criar fotos digitais de fenda foi interessante, mas foi superficial até demais. agora, o desafio é entrar no mundo da eletrônica e no da programação.

exercício de memória, os artigos:

-anos 70 – sobre materiais fotográficos dos anos 70, dai o nome, como Ektachrome 160T 35mm e Plus-X 5×7″.

-atalhos digitais e analógicos – sobre coisas que li em Monforte e Troop, pequenas notas sobre a utlidade do sal de cozinha no quarto escuro e sobre as possibilidades de dissolver a imagem feita em impressora laser.

-materiais de artes gráficas – um pequeno relato do quanto esses materiais que consegui do Sr. Seara em London, Ontário, foram úteis no processo de renovação do trabalho sobre Osasco.

-juntando lixo – inicialmente chamado Sobre o Tempo, esse artigo conta como esperar o tempo certo pode fazer diferença no aproveitamento de coisas. como duas câmaras 4×5″ e mais uns pedaços avulsos viraram três!

-grandes formatos – correndo para o chuveiro com uma cópia enorme em papel colorido, lavar cópia de 1.3×1.6 metros não é nada fácil, principalmente numa residência…

-revelador cor – experimentos sobre um pequeno kit de revelação c-41, e como estiquei a capacidade dele.

-reforma do Durst 605 – conta o desafio de encontrar e produzir as peças necessárias para fazer o tal ampliador funcionar por 85 reais.

-secadora de papel – um pequeno guia de materiais simples e de fácil acesso para construir rapidamente uma secadora de papel fibra.

-foto montagens – um relato do processo de produção das séries de Cadeiras e das Plurais.

-ccd linear – bom, tem esse que eu cheguei a preparar, mas nunca foi utilizado, sobre o lance de criar os scanners para construir câmaras de ccd linear.

ainda me ronda a cabeça a tal conceito da imagem feita através do software. o software pode recriar o equipamento analógico, será?

isso me faz pensar em Flusser, como sempre. Flusser dizia que a câmara fotográfica era já em si um pensamento, um software, o tal programa. a câmara digital por sua vez assume isso com mais clareza. o software está mais claro como o elemento que interage com o referente (ou os photons por ele emitidos) para a criação da imagem.

mas então, quando poderemos reprogramar as nossas 10Ds e D100s? e partir para uma maneira nova de fotografar com essas câmaras? o programa da câmara, ou o programa do Flusser, será dominado por nós um dia?

quão ruim é a cor de uma imagem produzida por uma câmara de 6MP sem o tal filtro AA? poderemos arrancar essa merda desse filtro de anti-aliasing que borra todas as nossas imagens e sermos felizes? e dai aproveitar e fazer umas imagens em infravermelho bem legais?

Os materiais vencidos ou estragados, de um modo geral, não apresentam a consistência, de unidade a unidade, dos materiais dentro do prazo de validade e armazenados de maneira segura. Mas penso que a isso se resumem suas diferenças.

Não há uma quantidade enorme de acaso relacionada ao uso desses materiais.