Repescagem é uma palavra muito associada ao futebol. E não é algo glorioso passar de fase num campeonato através da repescagem.
Às vezes olhamos nossos negativos e contatos com muita pressa. Uma foto ou outra fica para trás. Não basta ter percebido o ângulo ou a cena. Não basta ter tido o tempo ou a habilidade de fazer a foto. Ainda tem que lembrar que o negativo está ali e fazer com que ele vá para o papel.
E assim muita coisa nunca deixa de ser apenas um negativo.
Repescagem para mim é olhar caixas e caixas de negativos, em busca daqueles esquecidos. Aqui um que eu encontrei ontem, de 1999. Me pergunto como não me empolguei com a composição simétrica, nem devo ter visto o negativo direito, senão, teria ampliado a imagem.
Categoria: refotografia
Nem tive muito tempo de ficar chateado com um engravatado que cancelou um trabalho grande que eu estava fazendo. Um amigo me ligou pedindo ajuda. Ontem seu pai teve o mesmo fim da Francesca Woodman. E eu entendo tão bem porque fotografar nesses momentos, usar a fotografia para entender melhor esses processos, uma vida que se vai. E nessas horas, é engraçado como recorremos ao que nos é mais familiar, àquilo que usamos desde que aprendemos a fotografar. Meu amigo me pediu ajuda para comprar filmes preto-e-branco, iso 400, e me perguntou como tinha sido fotografar a doença de meu pai.
Fotografar não foi nada. Olhar as fotos depois é que foi e é intenso.
Lembrar da fotógrafa que viveu até os 22 anos de idade não é coincidência. Seus olhos claros sempre contrastados nas cópias em preto-e-branco e os olhos do pai do meu amigo: escuros, sempre distantes, densos. Pensei muito nela em Paranapiacaba, recentemente. Me despi em um galpão abandonado, feito de telhas de zinco, com chão de terra, em autoretratos. Lembrei das também ruínas onde ela posava para si mesma, me coloquei um pouco em seu lugar, agora só penso em voltar lá.
Ferramentas são câmaras análogicas, digitais, computadores, scanners, etc. São só ferramentas.
O Rafael me lembrou que a arte é uma atividade onde não há limites. Na verdade, é talvez também a única das atividades humanas em que isso (ausência de limites) é aceito, concordamos. E se a fotografia apresenta seus limites ao artista, suas limitações, o que fazer então?
Segue um comentário ao último post, que mais é uma questão ligada à última coluna publicada no Fotosite:
“glauco said… Agora fiquei curioso: onde revelar c41 sem banho branqueador?”
Ora, a resposta mais cretina seria: no laboratório, onde mais você revelaria um filme!?
O fato é que a revelação colorida pode ser feita em qualquer laboratório. No caso do professor Sérgio Ferreira ele usa as processadoras com controle de temperatura e semi-automáticas do Senac para suas aulas, mas nada disso é necessário.
Eu revelo os meus filmes coloridos nos meus tanques de aço inox com espirais, à temperatura ambiente. Sabe aqueles tanques que as pessoas chamam preconceituosamente de “tanques de revelar filmes preto-e-branco”? Sim, eles. E eu até poderia fazer um controle de temperatura por “banho maria”, mas não acho necessário dentro das minhas aplicações.
É só descolar a química, expor um filme teste e descobrir seus tempos de revelação. De preferência discutir os resultados com alguém e/ou mandar copiar as fotos desse filme num minilab para fazer uma avaliação.
Mais um copy and paste:
“Na época da invenção do daguerreótipo a exposição à luz era exageradamente longa e a cada mês ou mesmo semana avanços nas pesquisas tornavam possíveis exposições cada vez mais curtas. Nos anúncios dos comerciantes da fotografia esse tempo de exposição (cada vez mais curto) figurava sempre em destaque. Assim se media o avanço da técnica. Hoje é o megapixel que mede o avanço tecnológico da fotografia. E de lá para cá a história se repetiu exaustivamente. Não é difícil se imaginar a queda de preços que cavaletes e pincéis sofreram na década de 1840.”
