Já falei aqui do PISO. Um espaço independente gerido por suas associações de artistas: Plataforma do Pandemónio e Astrolábio Itinerante e idealizado pelos dois presidentes dessas associações a Marta Moreira e eu, respectivamente. E já falei de como um dos meus sonhos era voltar a ter um laboratório P&B funcional e confortável. Com um pouco de criatividade, já está pronto!

E outro dia até revelei o primeiro rolo de filme por ali, sim. Um rolo de Double-X do meu passado, o último dos que eu tinha rebobinado para a Frofa em 2017 ou 2018. E que eu usei num passeio pelos arredores do Piso, num dia de inverno ensolarado, com uma Canonet QL17 que eu tinha que testar antes de entregar (com o visor recentemente limpo). O foco ficou impecável, o obturador também.

Para revelar o Double-X, usei o Rodinal produzido pela Foma, o Fomadon R09. Fiz uma diluição de 1+50 e um banho-maria para manter 24C num dia em que o Piso deveria estar a uns 16C.

O filme ficou pendurado secando dentro do laboratório e assim que estava OK foi direto escanear na minha caixa de reprodução com uma Canon 5DsR e uma objetiva Nikkor 60mm/2.8.

Para processar esses arquivos da 5DsR, usei o meu preset padrão e depois ajustei as pontas da curva de cada arquivo de acordo com as pequenas variações de exposição.

O grão do 5222 com Rodinal fica incrível, dá uma ótima sensação de nitidez. Óbvio que ainda tenho saudades dos meus scanners Cezanne nesses momentos, mas não posso reclamar desse setup atual, que é infinitamente mais leve e portátil.
Fazia muito tempo que eu não revelava filmes, que dirá um rolo apenas. Estava mais acostumado a revelar 4 ou 8 por vez, tanques cheios, litros de químicos. Poder revelar um rolo apenas e dar conta de escanear e ver tudo assim pronto, sem muito sofrimento, é gostoso também.



















