Solargraphy • teste

solar

Uns dias atrás falei do projeto Solargraphy de Tarja Trygg. Inspirado nas dicas que ele dá no site dele preparei uma câmara formato 5×7″ com um pedaço de papel P&B fibra dentro (Ilford Gallerie, G3, vencido). E a câmara está ai, imóvel, desde o dia daquele post (28/10/09).

O tempo virou aqui em Sampa, o Sol abriu e nos últimos dias o céu esteve assim, completamente azul. Isso foi ótimo para por em dia uns projetos fotográficos e deve estar causando uma velatura bacana no papel dentro da câmara.

Coloquei o diafragma em f/45 e colei um filtro polarizador por cima da lente para diminuir um pouco mais a intensidade de luz. Apontei a câmara para o poente. Tive o cuidado de fazer uma limpeza especial da janela logo a frente da câmara, que estava imunda.

Exposições muito longas

Um figura chamado Tarja Trygg colocou no ar um site chamado Solargraphy.

Vale a pena olhar a galeria e ver se interessa ajudar o caro Tarja, como um voluntário, na sua empreitada.

Bom, se não for por isso, vale a pena porque as imagens e as informações do site são simplesmente incríveis!

Segure o fôlego e clique no link. Esse trabalho mexe com as bases da fotografia e questiona algumas das crenças mais simples que temos, como faz também o trabalho de Michael Wesely.

Objetivas adaptadas

Já faz um tempo que vejo no Flickr e nas mãos do Malva (tem um link ao lado, em referências) coisas óticas esquisitas sendo adaptadas a câmaras digitais para a concepção de novas visualidades. Foi o advento da Canon 5D, com seu sensor maior, que fez com que essa mania crescesse, mas nem tudo é em função do “bokeh” (uma outra palavra para desfoque, derivada de como os japoneses se referem a isso). Mais um link. Às vezes a foto é só bokeh!

E tem gente que vai atrás de lentes antigas que tem mais palhetas no diafragma, porque o bokeh fica mais bonito. Tem quem sai atrás das lentes que tem abertura f/1.2 ou f/1, tem também as lentes para televisão do passado que são bem claras, f/0.9!

Depois que eu adquiri a minha 5D comecei a experimentar com algumas dessas coisas. As lentes que possuo são minhas lentes Nikon que eu usava no meu passado analógico fotojornalístico. Uma 35mm/1.4, uma 50mm/1.4, uma 85mm/1.8 e uma 135mm/2.8 (todas pre-AI, ou seja, dos anos 60/70).

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Comecei usando a 85mm para testar o adaptador que eu fiz de lentes Nikon para Canon EOS. Interessante como na luz especular, do chão de epóxi, surgiram duas manchas, uma verde e uma magenta onde a lente focou o brilho do chão.

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O vignetting natural das lentes mais claras é lindo na digital. O foco da 50mm na textura do tecido ficou interessante, mas não é perfeito (talvez pela resolução ruim da lente, talvez pela resolução pouca da câmara para ver esse detalhe), o desfoque bem bom.

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Com a 35mm tive algumas surpresas. O desfoque é bem forte ao redor do centro da imagem. Mas olhando atentamente no cantos, ou nos pés da cadeiras da esquerda da mesa ou na placa cinza enconstada na parede da direita, se vê que em alguns lugares o foco retorna no fundo da imagem. Estranho. Isso é algo que nunca percebi antes, mas vou procurar em fotos mais antigas. O AWB da 5D ajuda bastante com essa lente, já que a imagem que se vê no visor é bem amarelada.

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A 135mm tem um corte muito bom, no original em RAW dá para observar bem a textura do tecido, ver os fios que o compõe, mesmo com a lente toda aberta. E o desfoque é lindo!

O adaptador usado nessas fotos é uma combinação de duas peças: uma traseira de uma lente Tokina para EOS que quebrou e um anel frontal de um duplicador bem velho para nikon. Lixei os dois e colei com Araldite. No fim das contas a espessura do adaptador ficou grande demais e o foco no infinito das lentes mais curtas sofreu com isso. Preciso ainda refazer o adaptador para aproveitar melhor as lentes.