Eu já tinha visto usarem um projetor de LCD como ampliador fotográfico. O resultado é interessante e segue as linhas das modificações que são feitas em minilabs antigos hoje em dia. Ontem um amigo me enviou um email sobre o Laptopogram, isso eu nunca tinha imaginado, sensacional.
Autor: Guilherme Maranhão
Megapinhole + Pinholeday
Nesse último domingo foi concluida a oficina de Megapinhole no Sesc Pompéia. Os alunos e a Wicca fizeram um registro bem bacana da oficina, pedi autorização para eles para poder dividir isso aqui.
Para dar uma idéia geral da coisa, eram dois dias de oficina. No primeiro domingo os alunos construiram uma pinhole com 54 orifícios onde cabe um papel de tamanho 24x24cm. No segundo domingo, usando uma caixa de secadora de roupa, eles fizeram uma câmara de 1 orifício que usa papel 75x100cm. O tempo ajudou e tivemos muito Sol em ambos os dias.
O segundo domingo era o PinholeDay comemorado pelo mundo afora. Para apimentar nossa experiência, ligamos um laptop no lab do Sesc Pompéia conectado em vídeo-conferência com o Fotoativa lá em Belém do Pará. Dividimos nosso entusiasmo pelo PinholeDay e algumas dicas na construção de nossos equipamentos. Inesquecível. Miguel Chicaoka nos levou por um tour virtual de uma exposição por lá.
A foto que subimos para o site do PinholeDay foi essa.
E agora, algumas imagens das oficinas:

Frente e verso da câmara de 54 orifícios. Usamos tubinhos de filme para delimitar o espaço das imagens no papel de alguns dos orifícios. A fita crepe marcava os orifícios já usados/expostos. Fotos: Vivi Peres

O resultado dessa câmara era algo assim:

Dá para ver que o Sol estava bem forte e nem sempre a gente conseguia contar 1 segundo e fechar o orifício a tempo do papel não tostar. Foto: todo mundo! Reprodução: Vivi Peres
Nosso teste inicial foi feito com mais tempo, o efeito ficou interessante, parece mais um fotograma disse alguém. Foto: todo mundo! Reprodução: Vivi Peres


Um detalhe da colcha de retalhos que virou a frente da câmara. Foto: Fernanda Franco
No segundo dia, a escala do nosso equipamento mudou. Note a mão da Daniela servindo de obturador! O Maurício segura a caixa pelo lado da tampa improvisada que fizemos. Foto: Vivi Peres

Passeando pelo Sescão! Foto: Fernanda Franco

Uma última foto do painel do pessoal do Fotoativa antes que ele se vá. Foto: Vivi Peres

Daniela, Vivi e Fernanda e eu lavando a nossa primeira foto. No fundo a caixa aberta. Foi mais ou menos nessa hora em que alguém me perguntou se eu já tinha feito um pinhole desse tamanho, a resposta é não, sensacional! Foto: Mauricio Silva

Nossa segunda imagem escorrendo após a lavagem. Nós só tínhamos duas folhas de papel desse tamanho. Chegamos a fazer uma terceira imagem juntando pedacinhos de papel com fita crepe! Foto: Mauricio Silva

Nossa fotos do segundo dia, fotografadas pela webcam do laptop e negativadas para que as fotos em si ficassem positivas.



O nosso ponto de contato com Belém. Foto: Vivi Peres

Para encerrar esse relato, a Wicca fez um resumão em vídeo do segundo dia da oficina.
BSB

A ida a Brasília estava fantasiada de viagem para registrar a festa dos 50 anos da cidade. O amigo Chico Rivers é quem realmente está levando a sério a idéia de registrar esse aniversário em imagens e eu fui lá para acompanhá-lo em uma de suas viagens. Fotografei uma outra história em filme, mas levei uma digital para registrar algumas coisas, algumas dessas imagens estão aqui. Acima: a Esplanada pela manhã. Abaixo: o show da Esquadrilha da Fumaça.

Aqui a criatividade dos turistas que visitam a Torre da TV, que deixam seus chicletes secando no holofote.

As paneiras em flor que dão uma cor especial ao mês de Abril na cidade.

Lixo, por toda parte.

Chico Rivers, aproveitando uma sombra.

Na volta a Sampa, uma espera.

BSB
Na mala:
Provia vencido
Água mineral
Muitas saudades do cerrado
Consistência e Intenção no Lab PB
No início de março escrevi aqui sobre algumas fotos que ampliei, uma pequena série que entitulei Outono de 1998. Desde o começo do ano tenho me debruçado sobre meu arquivo, tentando dar conta de ampliar várias histórias que ficaram esquecidas. Aos poucos tenho conseguido aumentar minhas horas de laboratório e seguir rumo ao passado.
Essa semana, em uma conversa com a Maitê sobre isso, constatei que o tempo do aprendizado do laboratório é bem diferente do tempo de aprender a fotografar. Pequenos ensaios fotografados se juntam em caixas aguardando a capacidade do fotógrafo de traduzi-los em cópias.
O fator agravante é que se tratam de grupos de imagens, que ao serem ampliadas, exigirão uma proximidade visual que as façam parecer um grupo. Isso é um desafio enorme, porque ali mesmo na banheira de lavagem, aquela simples inspeção das cópias lado a lado revela a criação ou não de um grupo de imagens.
Vários livros nos ensinam técnicas mais avançadas de laboratório: Ansel Adams: A Cópia (tá ai um cara cuja paciência e dedicação ao fotografar era bem próxima da que ele tinha dentro do laboratório); Michael Langford: Manual de Laboratório (editado pela Melhoramentos em 1981, um clássico dos sebos brasileiros); Eddie Ephraums: Creative Elements (um livro sobre fotografia de paisagem com uma parte enorme dedicada ao processamento de filmes p&b 35mm para qualidade); Larry Bartlett: B&W Photographic Printing Workshop (o autor tem outros livros sobre o assunto e foi o responsável por um projeto de livro do fabricante Ilford também). Mas esses livros tratam as decisões inerentes às cópias individuais.
As escolhas que fazemos no laboratório: filtro de contraste, tempo de revelação, revelador X ou Y, queimar aqui ou ali, passam a ser escolhas que respondem ao grupo de imagens e não mais à aquela cópia única, essas escolhas precisam unificar o grupo, criar uma visualidade que possa ser reconhecida. Se o fotógrafo abre um grupo de fotos sobre uma mesa, aponta para elas e diz: Isso é um ensaio blá blá blá, o trabalho de laboratório precisa corroborar isso. Isso pode afetar até a edição do trabalho, caso uma imagem não seja “traduzida” para o papel adequadamente. Um cópia, por exemplo, pode funcionar bem quando clara, mas precisar ficar mais escura para se encaixar num grupo de imagens num determinado ponto da edição, e por ai vai.
Enfim, é com isso que ando discutindo comigo mesmo dentro do quarto escuro esses dias. Não é à toa que há um enorme atrativo na edição digital de imagens, onde a previsibilidade dos resultados é instantânea e se pode olhar grupos de imagens e realizar qualquer mudança para que o grupo funcione melhor.
Relação de hardware e software ao longo do tempo
Essa história de descobrir como funciona o PFU DL2400 me deixou pensando um tanto na importância crescente do software em relação ao hardware.
Recentemente escrevi aqui sobre o scanner Scitex Smart 340L e tudo que passei para reativá-lo. O fato é que no software do Scitex a escolha da lente (o scanner possui várias das quais uma deve ser escolhida) é algo mais claro e evidente, sem fazer isso você não passa adiante. No PFU DL2400 eu nunca tinha me dado conta que essa escolha era possível, achei que ela era automática, dependendo da resolução que fosse pedida, mas foi um grande engano. Ambos os scanners funcionam da mesma maneira, só não é tão claro no software que faz o DL2400 rodar.
E um scan feito recentemente no DL2400 se mostrou tão ruim em relação ao Scitex que aquilo me fez começar a pensar. Dai eu descobri aquele menu onde se pode escolher entre duas lentes (somente duas se comparado com o Scitex que tem 5). O resultado do scanner PFU passou a ser imediatamente melhor do que o Scitex, meu queixo caiu.
Antes a comparação entre os dois scanners ia contra a percepção que tenho sobre a relação do software com o hardware ao longo do tempo. Isso mudou.
Em 1994, a Scitex faz esse scanner que cá está, quando foi lançado era o topo da linha de scanners, mas já era algo mais acessível para a época (US$ 40 mil). As lentes são impressionantes, todas da Rodenstock, os sensores enormes, as placas de circuitos densas, a estrutura que mantem tudo em seu lugar é pesada, o vidro onde apoiamos o papel é um senhor vidro. Há um investimento enorme em hardware, enquanto o software ainda é primitivo. Alguns anos depois a PFU faz o DL2400, que quando foi lançado era a opção mais acessível da linha (US$ 10mil). Seu corpo é de plástico como qualquer outro scanner, o vidro onde apoiamos o papel é apenas um vidro, mas o sensor lá dentro tem mais uns 5 anos de R&D dentro dele e o software Silverfast é impressionante.
Quer dizer, o hardware foi muito importante enquanto o software de processamento do sinal do sensor era limitado. Quando essa situação mudou, começaram a economizar recursos na construção de scanners e cameras. Isso também fica claro quando vemos um novo modelo de câmara digital com um sensor de mesmo tamanho físico, maior número de MP e menor quantidade de ruído, a solução para isso acontecer é o software.