Os alemães devem ter uma solução mais elegante

 

Mas o fato é que na hora de juntar essa Technika III a partir de uma caixa de sucata, ficaram faltando as dobradiças da tampa. Elas são incorporadas à tampa em si, mas haviam sido removidas com uma lima provavelmente.

Essa dobradiça de R$1,20 serviu muito bem no espaço existente, com medo de que ela não aguente o dia-a-dia da Technika, usei Super Bonder para os parafusos ficarem bem firmes e Araldite no espaço entre a dobradiça a base preta, para pressionar esse lado da dobradiça no lugar.

Removi todo o resto de couro e de cola dessa Technika e ela é só alumínio! Algumas peças não combinam perfeitamente já que provém de diferentes versões da câmera.

Testes com Nippon Kogaku 55mm f/1.2

Essa é uma objetiva interessante, normalmente os exemplares que a gente encontra por ai estão entre os números de série 900.000 e 1.000.000. Essa tem número de série próximo de 180.000, ou seja, é bem mais antiga que a maioria das 55mm por ai.

Entre 2.8 e 5.6 é uma lente normal, mas o desfoque quando mais aberta é muito bonito.

Aqui acima e abaixo alguns exemplos em f/1.2

Testes com uma Nikkor 28-70mm AFS f/2.8

Essa objetiva tem o famoso (pelas razões erradas) motor de foco SWM, silent wave motor, que os norte-americanos chamam carinhosamente de squealing wave motor em função do apito que motor emite quando começa a oxidar, às vezes antes de mesmo da objetiva sair da caixa.

Existem inúmeros relatos na internet sobre os problemas que esse motor causou tanto na 28-70mm quanto na 17-35mm. Eu segui os ensinamentos de um mecânico dinamarquês para sanar os problemas dessa objetiva, mas ainda assim o problema volta em menos de 24 horas.

De qualquer maneira, eu fiz alguns filmes em um sábado com uma lente dessa, na esperança de que o exercício tornasse mais longo o tempo de funcionamento da lente antes do motor voltar a falhar.

Poderia me arriscar e dizer que é das coisas mais lindas que eu já fiz

Esse post for escrito em 2017 e recentemente editado, dai ele aparecer no topo do blog, como sticky por uns tempos.

Em 2015 eu estava fotografando bromélias com negativos de papel. Pera ai! Como assim!?

Tinha um contâiner de navio no jardim do Sesc Ipiranga. Aquilo era usado por uma galera e passou às mãos do pessoas das oficinas culturais de lá. Fizeram uma pequena reforma e chamaram a Beth Lee para colocar umas lentes numa janela que havia sido fechada com uma placa de madeira. Segundo a Beth, ela escolheu diversas lentes com os comprimentos focais que poderiam ser usados no espaço.

Dai, quando aquilo estava pronto, chamaram algumas pessoas para dar oficinas com aquilo tudo. Calhou que a minha oficina ficou no início de um mês, a programação impressa atrasou e quando cheguei para dar aula não haviam inscritos. Ou seja, eu tinha um laboratório com uma lente que viam um jardim, materiais diversos, tempo e estava sendo pago. E no dia seguinte a situação se repetiu. Coloquei uma cadeira na frente da lente e lá coloquei umas das bromélias que estavam penduradas no lado de fora do contâiner.

Do lado de dentro, havia um cavalete sobre rodas que servia para pendurar papel vegetal ou papel fotossensível. Fiz uma composição e fui nas minhas caixas de papel velho ver o que tinha disponível.

Acabei fazendo essa foto aqui. Tem uns 60x100cm. Expus o papel ali no cavalete, levei para uma mesa onde coloquei as calhas de revelação que eu levei. Revelei e lavei ali e colei na parede do contâiner com uma fita vermelha que eu tinha, só para fazer uma foto com o celular e invertei num app, para ver como ficou.

O mais importante, ela não tem par, mesmo olhando com as outras imagens feitas nesses mesmos dias, ela distoa do grupo. Era um pedaço de papel bem peculiar. É uma ponta de papel de rolo esquecida na caixa, fungos por todas as bordas, manchas diversas, marcas do papel enrolado.

O desfoque do menisco simples é incrível também. Veja como os pontos de luz entre as folhas das árvores ao fundo viram borrões pretos na imagem. Veja a distorção das árvores, como ela correm para os quatro cantos da imagem.

Mesmo a bromélia, que deveria estar em foco, não tem detalhes, mas em tamanho natural, 1:1, não há necessidade.

Não é lindo?

São galáxias, constelações, clusters de estrelas, umas viagem pelo espaço sideral.

Escrito em 2017, editado em 2026…