O vídeo saiu pelo canal da Revista Zum:
“Concebido pela pesquisadora e fotógrafa paulista Cássia Xavier, o Fotoclube Lambe-Lambe reúne 16 fotógrafos lambe-lambe em atividade no Brasil e tem como objetivo promover encontros entre esses fotógrafos para troca de informações, conhecimentos e novas experiências em torno dessa técnica pioneira de fotografia ambulante. O mais recente dos encontros aconteceu em Poços de Caldas (MG), no último mês de agosto, e reuniu 12 fotógrafos de cinco estados diferentes que ocuparam a Praça Pedro Sanches na região central da cidade. Guilherme Maranhão foi até Poços para conversar com os fotógrafos e entender o atual cenário da fotografia ambulante no Brasil.///”
Autor: Guilherme Maranhão
Três perguntas para Isabella Finholdt sobre hashtags
No Instagram você usa algumas hashtags que me fazem imaginar você ali fazendo aquela imagem naquele instante (#shootlikeagirl, #womeninstreet, #girlsinfilm) e eu imagino também que você tem uma certa familiaridade com esses lugares fotografados à noite entre 2014 e 2016. Qual sua relação com esses lugares?
IF: A maioria dessas fotos fazem parte dos dois livros que elaborei pro meu TCC em artes visuais, Verão e Arrebol. Boa parte delas foram feitas no Taboão, no Butantã ou em Pinheiros, que são (ou foram no caso do butanta) lugares que moro e que passo ou frequento diariamente há dez anos. Acho que minha relação com os lugares é de familiaridade e nessa época estava procurando “ver de novo” as coisas que via/vejo todo dia, os ambientes de passagem, a paisagem cotidiana, etc

Ainda sobre a hashtag #girlsinfilm, quanto do seu processo ainda é analógico? Porque?
IF: A relação com o analógico pra mim é importante, foi o meio que aprendi a fotografar em 2011. Também pesquisei a construção de uma camera de grande formato em 2016/2017. Também presto serviço de digitalização.
Os dois projetos pessoais que ando tocando são digitais; embora as vezes use a Yashica 6×6 pro projeto do condomínio. Atualmente eu deixei um pouco de lado o analógico enquanto processo de trabalho e pesquisa pessoal, mas de vez em quando eu pego a Yashica, a K1000 menos, pra fotografar porque sou apaixonada pelo formato e por alguns filmes. Para mim as as coisas andam meio juntas, se tenho vontade vou e faço analógico também
E sobre o #workinprogress de retratos, você imprimiu provas para editar esse material? Como funciona essa etapa do trabalho?
IF: Esses retratos que postei são parte do projeto maior que to fazendo aqui no condomínio que moro; tenho algumas provas em diferentes tamanhos…imprimi muitas pequenas (tipo um A5) pra ter uma noção do material que já é grande, e algumas maiores para apresentar na mostra de portfolio do V Fórum Latino-Americano de Fotografia; eu editei algumas séries retratos externos, internos, paisagens etc… e tenho alguns conjuntos que gosto muito e que acho que funcionam bastante, mas a etapa da edição tem sido mais complicada pra mim, a real é que preciso trabalhar mais nesse sentido
Três perguntas para Michela Brígida sobre ensinar e aprender
Você foi âncora do programa online sobre fotografia, o Click na AllTV (uma grande inspiração do Foco Crítico), como foi essa experiência?
MB: Apresentar o programa Click foi um grande aprendizado pra mim, uma experiência que se integrou à minha formação em comunicação, uma vez que tivemos que dominar a rotina de produção, bem como as técnicas para apresentação e divulgação de programa semanal de TV. E tudo isso de forma voluntária. Conciliar todo esse trabalho, sendo uma jornalista e fotógrafa recém formada foi já um aprendizado e tanto!
Alem disso, aprendi muito a respeito desse universo da fotografia, tendo acesso a grandes nomes nacionais e internacionais.
Quantas transmissões você fez e quais o momento mais memorável?
MB: Acho que começamos em 2004. Fomos até 2009. Com um programa a cada domingo.
Houve muitos momentos memoráveis: quando entramos na câmera-caminhão-pinhole de Mica Costa Grande, quando entrevistamos fotógrafos que tenho como referência como German Lorca, Claudia Andujar, Thomas Farkas, Pedro Martinelli. Muitos momentos memoráveis.
Sobre o dia-a-dia nas aulas para a ETEC de Carapicuíba, o que você já aprendeu com os alunos?
MB: Tanto na Etec como na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, eu vejo que o que eu mais aprendo com esses alunos é ser uma pessoa melhor, mais paciente, mais compreensiva, mais humana, a enxergar e valorizar as produções, os novos trabalhos. Eles me ensinam a estar sempre renovando o olhar e isso é muito importante.
A Exa e seu espelho que serve de obturador
Há uns dias eu inclui um link nessa lista lateral, sob o nome de Panorâmica Reflex. É um link para um site sensacional que detalha o trabalho de dois alemães, um deles o responsável por essas modificações de câmeras Exakta para formato panorâmico e foi isso que me fez lembrar das Exa. Vale a pena conferir.
Mas antes, uma digressão sobre esse modelo das Exakta, a CameraPedia abre o verbete da Exa com a seguinte frase: “The Exa is a 35mm SLR developed by Ihagee, and is a simple but reliable version of the Exakta.” Uma câmera simples e essa definição não poderia ser mais verdadeira. O design da Exa foi simplificado com a decisão de transformar o espelho em parte do obturador e isso diminuiu muito a quantidade de partes móveis que precisam ser acionadas pelo mecanismo de disparo da câmera. Quando a Exa é disparada o espelho começa a subir e expõe o filme, logo uma outra peça sob o espelho sobe também e esconde o filme. O sistema não é tão preciso quanto um obturador de cortina, nem pode dar uma gama tão grande de velocidades, mas para uma câmera mais barata ele é bem eficaz. Vale ler esse artigo no Camera Quest também.
Quem acompanha o blog há mais tempo, talvez tenha visto posts que fiz sobre duas Exas modificadas que eu possuía. Bisbilhotei longamente as modificações que fizeram nessas câmeras e cheguei à conclusão que a simplicidade da câmera é a razão da sua escolha para essas finalidades. Não foi diferente, quando o Marco Kröger resolveu fazer uma panorâmica ainda mais versátil, depois de ter usado o modelo Varex nas suas primeiras câmeras, ele se virou para a Exa e não teve que lidar com a modificação de mais um obturador de cortina.
Três perguntas para Celso Eberhardt sobre tempos distantes
De passagem pela oficina do Celso Eberhardt, gravei 3 perguntinhas para ele sobre o passado distante.
Qual que é a sua memória mais antiga consertando câmeras?
CE: Eu tinha 13 anos, estava começando. Uma máquina pequena, 35mm, de fole, talvez fosse Zeiss, com a mola do obturador quebrada, tinha que desmontar tudo e eu não sabia como fazer. Ai eu comecei a desmontar e desmontei toda a máquina. Tinha um funcionário do meu pai falou: não é assim! Tirou, trocou a mola para mim, montou para mim. Mas isso ficou gravado na memória, era um obturador Compur.

Qual foi sua câmera predileta?
CE: Eu nunca tive uma câmera predileta. Eu usava uma Petri Color, porque eu viajava e nem focava. Ela tinha um automatismo arcaico, ela tinha tudo pronto. O fotômetro funcionava mil maravilhas e era foco fixo. Eu viajava de carro e colocava a câmera no para-brisa e fica clicando as coisa que eu achava bonito, sem olhar e sem parar.
E Leica quando começou a consertar?
CE: Me pai sempre fazia Leica e eu estava acostumado a ver as Leicas antigas de rosca, as primeiras M3. Foi um processo normal de aprendizado e de conserto, com a supervisão dele, no final da década de 1960, início dos 1970.
Três perguntas para Wagner Lungov sobre gelatina seca
A gente conversou recentemente e você me contou que já tinha feito 19 fornadas de gelatina seca. Quais caminhos te motivaram a produzir seu próprio material fotossensível?
WL: Foram vários pontos somados: Independência, diversão no processo de fazer, custo mais baixo que o de filmes comprados e possibilidade de usar algumas câmeras que foram feitas para vidro.
A gelatina seca apesar de ser vidro como o colódio, é um pouco mais prática no manuseio. Em geral, quanto tempo leva entre a produção das chapas e o processamento? Já levou suas chapas numa viagem?
WL: Ainda não tive o problema de chapas “vencidas”. Já usei até dois meses após a fabricação e processei semanas após a exposição. Sim, já levei em viagens e muitas vezes saio para fotografar apenas com placas secas. Não vejo muita graça em fazer o mesmo assunto com placa e filme, normalmente ou é um ou outro.

Você fez diversas variações lote a lote, qual foi o aprendizado mais interessante a partir dessas mudanças? Qual foi a dificuldade mais complexa de superar?
WL: Depois de fazer o curso do Roger Sassaki, no Sesc, comecei no meu laboratório com uma fórmula muito simples que tem no livro do Josef Maria Eder. Depois li muito sobre o que cada reagente faz e como cada parte do processo afeta o resultado final. Construí vários aparelhos para eliminar interferências manuais e poder repetir algo exatamente igual da última vez. Daí comecei a fazer variações, uma coisa por vez, nunca duas ao mesmo tempo, observando o resultado e ajustando a dose. Mas são tantas variáveis que mesmo na 19ª fornada ainda faltam muitas coisas a testar. Mas já passei a fase de frustração, isto é, da emulsão ficar imprestável. Isso aconteceu umas quatro vezes, mas hoje confio que vou conseguir usar e a dúvida está se vai ficar razoável, boa , ótima… Tenho feito fotografias sem tripé em fotos externas, já usei até 1/250s f/5.6. Já dá para pensar como ‘fotografia’ e não apenas como ‘tentando fotografar’.
A maior dificuldade foi acertar a viscosidade da emulsão para dar uma cobertura uniforme e sem falhas. Isso depende da gelatina, da concentração e da temperatura basicamente. O aprendizado mais interessante foi desenvolver uma forma de lavar a gelatina mantendo o controle de quanta água ela irá absorver. São coisas bem técnicas, mas o processo é mesmo técnico. Acho que não dá para ficar na tentativa e erro sem tentar antecipar na teoria qual é a validade de cada nova hipótese.