A tal da equalização de cores

Um dia nesse mês passado rolou uma discussão num grupo de Facebook voltado para o mundo da fotografia analógica. O assunto eram as cores presentes nos scans de negativos coloridos e esse texto a seguir é baseado num comentário que deixei por lá:

Para começar, o que mais vemos aqui no grupo são arquivos digitais criados a partir de negativos coloridos. Todo scan de um negativo colorido é uma interpretação, já que a base marrom/laranja está lá para facilitar a ampliação em papel colorido e o scanner precisa ignorá-la. E ignorá-la significa decidir onde ela começa e acaba para poder subtrair esse tanto de luz marrom/laranja do arquivo final.

Como é que o scanner faz isso?

Bom, uma vez que o scanner faz um preview da imagem, ele analisa os 3 canais (RGB = vermelho, verde e azul) e sugere de cada canal qual parte do histograma ele vai usar. Para compensar a base marrom é normal usar toda a informação presente no azul, um pouco menos no verde e bem pouca no vermelho (que terá mais informações). Esse uso desigual da informação dos canais é a parte mais importante do momento “scanner” e a maioria das pessoas deixa isso a cargo do software, que faz uma análise matemática da situação. (Num scan de cromo, o uso dos canais, em geral, é por igual, já para negativos é sempre desigual).

Essa modificação de quanto será usado de cada canal de cor é chamado equalização de cores, porque você pega um negativo que tem canais desiguais e equaliza. Imagine que o som está muito agudo e você está usando o equalizador para poder ouví-lo mais grave. No software Epson Scan, por exemplo, é muito fácil localizar um painel para fazer a equalização (por isso eu gosto tanto desse software).

Se a equalização foi feita corretamente, as sombras ficarão pretas e o branco ficará branco. Se a equalização não estiver ok na sombras, as sombras ficaram esmaecidas e podem puxar para uma cor. Em geral, nossos olhos resolvem melhor quando as altas luzes puxam para uma cor, mas quando é nas sombras ficamos confusos.

Repensando São Paulo

Tenho aproveitado esses dias longe das ruas para repensar as imagens que eu já fiz. tenho diversos conjuntos de imagens ligados a um evento específico ou a um processo específico. No entanto, de 1992 a 2019 eu fotografei São Paulo. Algumas semanas mais que outras, no mínimo uma fotografia pela janela de uma nuvem que aparecia no horizonte.

Comecei a organizar numa pasta algumas cenas internas e externas que representam um jeito de olhar para todos esses anos interagindo com essa cidade. A idéia é imprimir um mini-portfolio que caiba numa caixa 15x21cm, de papel Matt Fibre e tinta de carbono.