Inkset colorido feito em casa na Epson R3000

Essa história começou em Agosto de 2020, chegou aqui uma impressora Epson R3000 que tinha uns entupimentos. Me ocorreu de tentar fazer um inkset colorido improvisado em casa, usando a diluição do Carbono como exemplo e tintas vencidas ou de outros fabricantes como base.

Cheguei a fazer um post em Setembro de 2020 sobre essas idéias. Tinha conseguido umas tintas vencidas. Depois fiquei esperando a tinta amarela chegar da China. Isso só aconteceu entre o Natal e o Ano Novo. Então, no dia 31 de dezembro, aproveitando a tranquilidade que reinava na casa, fiz um primeiro teste.

Misturei a base usada para diluir o carbono e carreguei os tanques tipo CISS que eu instalei na R3000. A base foi usada para fazer o Light Cian, o Light Magenta, o Light Black e o Light Light Black. O Light Cian diluiu e ficou bem depois de 24h. O Light Magenta apresentou alguma separação. O pior foi o LLK, esse não misturou bem mesmo e algumas horas depois já estava separando.

De qualquer maneira, segui em frente. Ao ligar a impressora dessa vez, veja que já tinha usado os cartuchos com líquido de limpeza para um teste curto, a impressora ficou puxando tinta um bom tempo. Imagino que estava cuspindo a tinta parada na cabeça.

Eu tinha providenciado o software de manutenção para fazer um ink charge, mas deixei de lado. Pude ver a quantidade de tinta que foi puxada pela mudança no nível dos tanques.

Ainda tive um pequeno susto, perfurei um dos tanques internos e muita tinta se esvaiu para dentro da impressora. Fiz um reparo temporário e continuei.

Fiz algumas cópias com um papel genérico e brilhante, mas não tenho certeza de que a tinta nova já chegou à cabeça da impressora. Parece que ainda estou usando a tinta que estava parada lá dentro. Em algum momento será possível expelir toda a tinta velha e o líquido de limpeza, e dai sim chegar à tinta nova.

Encomendei novos tanques para poder parar de usar o que foi perfurado. Agora vou atrás de um papel fosco que eu possa usar nesses experimentos.

Caminhar por dentro das nuvens e numa cidade de outros tempos

Chegamos lá em Cunha de ônibus. Logo ao amanhecer ele parou na porta de uma padaria, que perfeito! Esperamos o pão chegar quentinho e tomamos café, na rua, no frio. Depois começamos a caminhada, que era morro abaixo.

Aos poucos, o Sol foi varrendo a névoa e queimando a gente, mais e mais. Chegamos nesse canto com umas construções abandonadas, não faltava luz. Eu tinha trazido um tripé, sonhando em achar um rio caudaloso para transformar em névoa. Foi em vão, o tripé ficou no ombro a caminhada inteira. Virou chacota quando perceberam quão pesado era aquele objeto inútil.

No pé do morro, no fim do dia, esperávamos o ônibus que nos levaria para a pousada. Vi essa família esperando do outro lado da estrada. O dia acabando e o tédio da espera. Estava orgulhoso da minha 135mm f/2.8 da Vivitar, que porcaria de lente.

Na manhã seguinte já estávamos em Paraty para passear antes de retornar. Uma volta pela cidade e um passeio de barco. O dia acabou.

Essa viagem não era algo cotidiano, lembro de estar afoito, querendo transformá-la em imagens importantes. A própria idéia de levar o tal tripé era algo assim, um desespero, da idade. A idéia que me atrapalhou mais do que ajudou. Uma boa reflexão para se fazer no último dia desse ano.

Nostalgia com os labs

O primeiro foi num quartinho dos fundos na casa da minha mãe. Acho que essa é a única foto que ainda tenho dele. Detalhe para o corte que fiz no tampo da mesa para poder fechar a porta do lab.

Depois cheguei a ter um por uns tempos na minha casa, ele foi desmontado e montado novamente quando voltei do ateliê com o lab. É confuso, mas mostro esse depois.

O seguinte foi quando morei no Canadá, ele era num canto da cozinha. Um tecido bege cobre as coisas nas prateleiras, mas não esconde a bagunça. Gosto de como a coluna do Elwood quase bate no teto.

Depois veio o ateliê na Tabapuã, esse foi o mais espaçoso e sensacional que eu já tive, uma pena que durou tão pouco. Mas foi bem aproveitado, fiz algumas cópias grandes lá e consegui padronizar a revelação de filmes, juntei mais tranqueiras e deixei ele bem cheio.

As fotos acima eram com ele arrumadinho (para mandar para uma revista), abaixo dois flagrantes do dia-a-dia. Detalhe para as duas copiadoras que faziam; a chave cair e para a câmera pinhole grandinha que eu descolei. As caixas de madeiras grandes eram resto de uma mudança e coloquei rodinhas para poder mudar as coisas de lugar mais facilmente no lab, dependendo da necessidade.

Mas já na Tabapuã, tinha um outro espaço que ia ganhando importância, veja a pilha de scanners esperando serem desmontados nessa imagem. Detalhe para esse monstro que rodava Windows 98 e para o parassol que eu instalei no monitor.

Mais tarde, no outro ateliê na Rua Tabapuã, esse espaço de experimentação digital mais crescer um pouquinho mais.

O laboratório da Itacema aparece nesse vídeozinho aqui, é bem apertado o espaço, mas dá para ter uma idéia.

Alinhamentos

Há previsão de alinhamento quase perfeito entre Júpiter e Saturno amanhã.

Pensando nisso visitei as imagens de uma viagem à Belém para cobrir o Círio de Nazaré que fiz em 1998. De novo fui buscar as imagens que fiz entre as imagens “oficiais” da cobertura. No meio daquele caos, acho que consegui alinhar algumas coisas.

Inesquecível o fato de que na hora de revelar esses rolos de Neopan 400 eu acabei optando por um tanque grande, daqueles para 8 rolos de 35mm. Enchi o tanque demais e não sobrou espaço para ar. Mesmo fazendo as inversões, o revelador agitou muito pouco e as bordas dos frames ao longo da perfuração do filme receberão mais revelação que o miolo do frame. Quanta asneira. Só resolvi isso razoavelmente quando fiz esses scans e criei um preset do Lightroom com degradês que deram uma maneirada no problema.

Maresias, 25 anos atrás

Acho que foi logo depois que meu pai morreu, dois amigos me convidaram para ir acampar, eles eram do Rio e tinham essa fissura com Maresias. Era verão, mas calhou de ser uma semana de chuva e mosquitos.

Resolvi levar uma Pentax Spotmatic com umas lentes diversas e Fomapan F21 vencido para usar em ISO 25. Eu tinha começado a trabalhar no jornal, então pensei em um conjunto de fotos como uma matéria, pensei em entrevistar pessoas, um monte de idéias. No meio desses coisas, fui fotografando algumas anotações sobre esses dias que passei lá e hoje penso que isso fala um tanto do meu estado de espírito.

Lembro de aprender com os amigos a fazer Miojo dentro da sopa Knorr. Lembro que tinha um casalzinho na barraca ao lado que gastava um pote de repelente todo fim de tarde após o banho e o cheiro deles deixava a gente protegido ali ao lado. Lembro de conhecer um figura que fazia pranchas de surf por lá e aprender com ele como era a sequência das camadas e dos polimentos.

A chuva inundou a barraca uma noite, encurtou o acampamento, na manhã seguinte embalei minhas coisas e vim voltando sozinho para casa. Curtindo a viagem.

Pela BR-101 (Piaçaguera) passando por Cubatão vi o céu plúmbeo, nuvens baixas, a vegetação molhada, um pouco de chuva. Que lugar lindo! Não tenho uma foto sequer, nunca consegui passar numa velocidade adequada, uma pena.

Como conheci o Botequim do Hugo

Era 1994 e eu estava participando desses encontros no MIS-SP, era uma coisa chamada Projeto Foto-de-Autor. Quinzenalmente nós sentávamos ao redor de uma mesa e mostrávamos o que vínhamos produzindo. Mas quando comecei eu não estava fazendo nada em especial, trazia cada semana uma coisa diferente, um experimento, uma tentativa. Resolvi então explorar um assunto e produzir uma série de imagens para poder aproveitar melhor essa oportunidade.

Do altos dos meus 19 anos, achei por bem explorar os botecos do meu bairro. Lentamente fui descobrindo um a um e levava as fotos para a reunião seguinte. Lá pelas tantas descobri o Botequim do Hugo ali na Rua Pedro Alvarenga, 1014.

Na época usava um papel Talbot que vinha do Uruguai, era 9x14cm e o acabamento era “seda”. Era usado pelos fotógrafos de jardim. Fiz cópias dos retratos como abaixo e levei lá de presente. Esse do Hugo aqui ainda estava lá em 2019.

Quantos amigos levei nesse lugar? Quantos jogos de Copa do Mundo assisti lá? Bah, nem dá para saber.

Em geral fotografava em Kodak Tri-X com objetivas 50mm f/1.4 ou 28mm f/2.8 na minha fiel Nikon FM2. Filme era puxado boa parte das vezes, para 1600 eu arriscaria dizer. Afinal eram os anos 90 e puxar era essencial nessas situações de luz.

Já falei antes do Projeto Foto-de-Autor, foi aqui nesse post.

Continuei morando ali perto e frequentando o botequim. O Hugo tinha o hábito de conversar com os carroceiros da região e fazer algumas trocas com eles. Aos poucos o Hugo juntou uma enorme coleção de slides 35mm que foram postos no lixo por diversos paulistanos e filtrados até chegar às mãos dele. De vez em quando, quando o bar não estava cheio demais, o Hugo puxada uma caixa e fazia uma projeção impromptu. Quando ele comprou uma TV nova para a Copa do Mundo, convenci ele a me emprestar os slides da últimas caixa, levei ao estúdio, fotografei uns 400 deles e montei um DVD para ele deixar rolando na TV.