Só porque escrevi sobre o Mac ontem, hoje ele permaneceu ligado mais de uma hora, continuo com os dedos cruzados. O mais surpreendente disso tudo é que com esse Mac consegui ler um disquete de 3 polegadas e meia que é de densidade dupla, com backup de documentos criados por mim no Mac LCII que eu tive entre 1993 e 1996. Sensacional!
Me propus uma série de atividades no Carnaval, para correr atrás do tempo perdido e levar o TCC bem adiante enquanto há tranquilidade.
Pretendo também construir uma versão da Hasselblad SWC nesses dias, com uma lente de scanner, um back 6×6 da Singer e umas outras peças que forem aparecendo.
Autor: Guilherme Maranhão
Faz algumas semanas eu fui à uma empresa buscar uma doação de impressoras e scanners. As impressoras, uma pena, todas estavam com as cabeças entupidas pela tinta que havia secado completamente. A razão para o descarte era a interface dos aparelhos, as impressoras eram de porta paralela e os scanners de porta SCSI, ou seja, os novos computadores do escritório não aceitavam muito bem aquilo tudo.
Comecei a pesquisar o scanner mais importante dos que eu trouxe de volta e descobri que esse modelo da Sharp vendia por mais de dois mil dólares na época do seu lançamento em 1994. Escaneia até transparências tamanho ofício.
Fiz uma enquete rápida no Senac com alguns amigos e descobri que tinha um figura que tinha um Mac PowerPC antiguinho dando sopa, tomando poeira num estúdio fotográfico. A idéia de conseguir tal máquina seria por o dito scanner em funcionamento normal. Me foi oferecido e fui buscar. A máquina é sensacional, mas não fica ligada, algo na fonte, provavelmente…
A oficina no SESC e as aulas para os calouros do Senac foram duas oportunidades incríveis para por à prova algumas idéias. Surgiram coisas fantásticas disso, como por exemplo a nova versão de câmara feita com scanner que fez até agora imagens de 201 megapixels (duzentos e um). “Not bad”, diriam alguns. Pretendo ir além, mas ainda não sonho com GP, só MP.
O Temporal vem ai.
Em tempos de CS2 e outros atalhos que imitam o que se fazia “na unha”, percebi que além de estudar fotografia, estudar a música eletrônica seria uma outra maneira de chegar a um entendimento dos textos do Flusser. Talvez alguns de você já tenham ouvido falar de uma caixinha de música chamada TB303, é um sintetizador famoso que inclusive teve músicas dedicadas a ele. Para você terem uma idéia levou 18 meses para a Roland parar de fabricar o tal sintetizador, tão ruim era considerado seu som. Dai um DJ pegou um do lixo e começo a fazer música dançante com ele, isso deu origem ao Acid, estilo de música eletrônica. A coisa virou um sucesso, uma caixinha que vendia na loja por 200 doletas em 1982, é vendida usada no eBay por mil doletas em 2006. Acho que por enquanto isso é só um exemplo de como estamos no em pleno caos, e que ninguém sabe ao certo o que comprar e o que vender, onde investir. O TB303 é com certeza uma caixa preta, mais escura ainda é o emulador dele que eu baixei e instalei no meu laptop, é só o programa.
As ferramentas ficam obsoletas, a câmara de 2MP não é mais rentável. E foi produzida muita sucata, desde as câmaras de Niépce. Mas não são os equipamentos que são perdidos, o conhecimento necessário para operá-los também vai embora. O fotógrafo que fazia retratos em estúdio, usando filme em chapa 13x18cm, luz contínua, retocava o negativo com lápis, entregava a cópia de contato, com sua logomarca gravada em relevo na parte inferior da imagem, dele só restam algumas imagens perdidas em caixas de papelão pelas feiras de antiguidades. E infelizmente essas imagens não são capazes de contar em detalhes o que foi feito para elas existam.
Imagino o homem frente ao aparelho, frente ao computador. O homem nem sequer concebe o funcionamento daquela caixa bege. Flusser sintetiza essa imagem com o conceito da caixa preta.
Nossos corpos, nossas mentes, são feitos caixas pretas pela cultura. Nos ensinam o que fazer com eles, nos ensinam como o corpo deve reagir, como a mente deve pensar e ao longo da vida muitas pessoas experimentam uma certa impotência e uma certa cegueira em relação ao modo como esse conjunto corpo e mente funciona.
Mas fico por aqui, por enquanto…