No telêmetro faltava óleo (ou melhor, graxa) e sobrava poeira no interior. Funciona. E foi interessante ver como seu projeto é simples. Uma grande sacada para fazer um instrumento barato.
Esses dias visitei um site que ensinava a construir um cabo disparador para algumas das câmaras da Canon. Fiz um, seguindo as instruções. Me espantei com a facilidade do empreendimento e com a utilidade da coisa.

É muito fácil construir o aparelho com as próprias mãos. Segundo Flusser as imagens técnicas são produzidas por aparelhos. Ele vai além: “A imagem técnica imagina textos que concebem imagens que imaginam o mundo”. Bom, esses textos podem ser encontrados com a ajuda do Altavista, e tem gente que também usa o Google.

No Bixiga encontrei um telêmetro e uns tubos de extensão que podem ser úteis um dia. Mantenho o estoque (segunda Levi-Strauss) crescendo. Assim vou expandindo as possibilidades.
Separei entre os negativos da série “Ao Lado” alguns para criar tiras em poliéster colorido transparente (DuraClear). Isso virou 4 negativos de 4x45cm que prentendo ampliar essa semana. É uma tentativa de reaproveitar um trabalho. A série tinha um significado momentâneo. E mesmo observando sob o ponto de vista desse significado, as imagens são muito ingênuas. Usei intervenções parecidas com as da série Plural, e imagino ter conseguido aproveitar as formas presentes nas imagens para criar outra imagem, outro discurso, deixando em segundo plano o conteúdo do registro das imagens.
Na série Plural, a soma dos diversos conteúdos diferentes, dos diferentes negativos, cria um novo conteúdo ainda maior do que a soma deles. Nesse reaproveitamento de Ao Lado, a justaposição de diversos negativos com conteúdo muito similar pode ter um efeito contrário, onde o conteúdo final é menor que o da soma. Estratégias para não jogar nada no lixo.
O resto dos negativos ainda não tem destino certo. Mas me sinto a vontade para experimentar a ação do calor sobre eles, calor intenso, uma coisa meio forno e fogão. Só não quero deixar um cheiro forte na cozinha.

No Rio pensei nas imagens da Francesca Woodman. A casa da minha vó é tão parecida com as ruínas que ela fazia de cenário. Talvez voltar aqui com um pouco de 5302.
Achei várias fotos antigas nessa mesma casa, lembrei do álbum do Dr. Raulino.
E aconteceram algumas coincidências: fui ver uma prova de vestido de uma noiva (digo: fotografar). Na parede desse atelier de costura aqui no Rio fotos assinadas pelo Azsmann. Será o pai, o filho ou o neto? Fotografia tradicional de casamento. Um dia antes de chegar ao Rio eu estava em Diadema acompanhando a Mostra de Artes, almocei em um restaurante a quilo e visitei um sebo ao lado. Procurei Clement Greenberg, sem sucesso, mas ao passear pela sala anexa me vi diante de um exemplar do livro do Azsmann (pai), de 1961, que eu tanto procurava. Amassado, com uma etiqueta colada permanentemente à capa, meio rasgado nas bordas, o livro estava ali esquecido. Fotomontagem e Arte, que livro sensacional!

A copiadora foi embora. Ainda restam algumas coisas que precisam ir também, mas o tempo está a meu favor. Recebi a lente prometida pelo Dimitri em troca de uma pequena chapa com o logotipo da Robot gravado. Foi uma delícia abrir a caixa que viajou do Arizona para cá trazendo a pequena 50mm de Jena. A lente imediatamente foi parar na câmara de scanner, a razão foi a escala de foco cheia de subdivisões muito úteis. Trocas interessantes, agora planejamos a continuação.
E essa é mais uma lente da pequena cidade de Jena que vem parar em minhas mãos. Cada uma percorre um caminho mais interessante ou inusitado. Não pudesse haver coincidência ainda maior, o Jan, meu amigo dos tempos de escola, mora em Jena hoje. Jan em Jena.
Li e reli artigos nos sites http://www.lowendmac.com e http://www.macintouch.com tentando desvendar mais informações sobre os computadores que procuro para por em funcionamento minha estação gráfica do século passado. Li sobre os problemas do ROM dos primeiros G3 beges e sobre os problemas do controlador IDE dos primeiros G3 azúis-e-brancos. É uma procura complicada.
Mas o fato é que disponho de vários itens SCSI que me foram doados no último ano e preciso conseguir fazê-los funcionar.

Muitas trocas acontecendo. Impressora, máquina de xerox, filtros e eteceteras prontos para ir embora. Maquinário pesado do laboratório volta para casa do atelier de um amigo.

A Kodak DCS420 funciona. Retirei a bateria recarregável que estava morta, criei um porta de entrada de força. Liguei na bateria ácido/chumbo. Achei um cartão no meio de vários que a câmara aceitasse. Liguei. Ela ligou. Cliquei. Ela clicou. Baixei as fotos e o CS reconheceu o RAW dela. Perfeito. As fotos são basicamente um magenta horrível, típico de CCDs envelhecendo. Muito ultravioleta atinge o CCD e os pigmentos que preenchem os orifício de captação da luz perdem a cor. Logo o CCD perde a capacidade de ler as diferentes cores também.

Um amigo me deu um antigo case para HD externo e eu consegui instalar um HD (IDE) retirado do Powermac 5500/250. Esse HD é bem especial, nele tem rodando cópias dos Photoshops 4 e 5, além de outros programas esquisitos para sistema 9 do Mac.
As fotos do Dr. Raulino são sensacionais, começam nos anos 30. O túnel 9 de Julho sendo terminado. O centro da cidade vazio e tranquilo. Os carros ali estacionados.

Para poder usar uma das lentes do Dr. Raulino, acabei tomando uma atitude sobre a antiga câmara do meu bisavô. Lá fui eu para a Rua São Bento, levar a IIIa para o Celso dar uma olhada. Revisão geral, trocar o semi-espelho do rangefinder e colocar um couro novo por toda a máquina. Preço justo, prazo longo, pelo menos assim dá tempo de juntar a grana para pagar o Celso!
O curioso é que ele, da mesma maneira que o Otávio da Angel fez, ao ouvir a história dos pertences do Dr. Raulino imediatamente foi em busca de um catálogo de preços e valores de equipamentos antigos. Quanto vale a tal lente do Dr. Raulino que serve na IIIa do meu bisavô? Nada exorbitante não. Mas isso parece ser o mais importante por ai.
Novamente perguntei pro Celso quando ele vai aceitar um estagiário. Não quero remuneração, não quero vínculo algum, quero estar ali umas duas manhãs por semana, e aprender. Aprender as coisas que o Celso sabe, e que provavelmente vão se perder no dia em que ele se aposentar. Não quero fazer uso comercial disso, só consertar as minhas coisas. Mas acho que o Celso vai levar tudo embora com o seu corpo.