ISO Alto

Laforet disse tudo “o 6400 é o novo 1600, talvez até o novo 800”, com a tranquilidade de quem diz que o cinza é o novo branco.

A nova câmara Canon 1D Mark IV de 16MP, como a Nikon D3s de 12MP, ambas ainda em pré-produção vão levar o ISO até a marca dos 102.400.

Laforet colocou online um filme produzido em ISO 6400, para testar a Mark IV, continuação do vídeo que ele produziu com a 5D MkII logo que ela apareceu. Gralbraith também fala da câmara. E o Digital Photography Review já deu a notícia.

O site da Canon tem algumas imagens, samples, mas nada feito em 102.400, que era justamente o que eu gostaria de ver. No mais, imagino que de agora em diante nem adianta se esconder no escuro.

A Invenção de Um Mundo

A Invenção de Um Mundo, no Itaú Cultural: exposição e debates, imperdível.

Ontem, quando Ronaldo Entler comentou as fotografias de Valérie Belin, me perguntei: o que será a cópia de uma cópia que não deu certo? Temo em descrever o assunto das fotografias dela aqui, não sei se seria capaz, mas são essas aqui. Os fotografados são cópias de algo que Entler caracterizou um original que não é, e colocou uma observação: se acaso o original estivesse ali, seria ele prontamente descoberto como tal? A palestra de Fontcuberta encerrou com uma fala sobre a possibilidade das fotografias dele agirem como uma vacina, criando anticorpos nos olhos. Mentira e verdade. Cheguei em casa, olhei para uma pedra, um presente que ganhei há muitos anos, nela uma palavra escrita: believe. Imediatamente pensei naquela série de tv que virou filme.

Mas o fato por trás de todos os questionamentos que surgiram foi o pensar. Como observador dessas imagens fui ativado, lembrando a fala de Rosângela Rennó em Paraty que comentei aqui. O anticorpo contra a mentira que Fontcuberta descreve é o ruído de Rennó, de certa maneira. Voltei para casa pensando nisso. No ônibus as imagens passavam pela janela, eu imaginava a exposição de Walker Evans que eu tinha acabado de ver no MASP. Na época em que essas fotografias foram feitas, o olhar aguçado de Evans talvez fosse suficiente para fazer surgir um braço invisível que saísse de dentro da fotografia e chacoalhasse a cabeça do observador. Infelizmente nossa percepção saturada nos impede de sermos sensíveis a esse braço invisível hoje, me parece. Hoje esbarramos nas poeiras que jazem ali, nas cópias vintage, esbarramos no contraste suave demais, será? Fontcuberta mesmo diz que suas fotografias são muito simples no fazer, a construção está no discurso, ali ele coloca um ruído muito intenso, que não passa despercebido mesmo meio a toda essa saturação. Aerofantes!!?!?!? Hahaha Erectus pseudospinosus!?!?!?!? Hahaha Um gênio!

Erosão?

Percebi que algumas fotos Polaroid mais antiga estão esmaecendo demais. O filme era o 57, formato 4×5″, usado no back 545.

Reproduzi um cópia para dar uma olhada de perto.

polavelho

Mal dá para entender qual era a imagem que aqui existia. Então apliquei uma curva violenta para pelo menos decifrar o que perdi. Não tento recuperar nada, mas criar algo novo, do que se perdeu.

polavelhocontrastado

As bordas sofreram mais com a degradação. No centro dá para ver a casa, o telhado da varanda nessa imagem de mútipla exposição.