Véu dicróico segundo Salles

O tal véu dicróico, segundo o Rodrigo W Salles:

“Bem, que eu saiba, véu dicróico (dicróico= duas cores) é o que se forma
sobre a superfície dos filmes, após processados, quando ocorrem
determinadas condições, usualmente durante a etapa da revelação. É um tipo
de defeito que, ao exame visual, apresenta cores diferentes conforme a
incidência da luz. Por transmissão a cor varia do vermelho ao laranja, e
por reflexão é verde amarelado.

É composto por prata metálica que se deposita no lado da emulsão.

O véu dicróico é facilmente produzido em filmes de alta sensibilidade (ISO
400 pra cima), quando revelados em reveladores que contenham solventes de
prata, como sais de tiocianato.

Também pode aparecer o dito quando o filme é fixado num fixador não ácido
ou mesmo sendo ácido, que esteja esgotado. Filmes subexpostos estão mais
sujeitos ao véu dicróico por terem quantidade maior de haleto de prata não
revelado, estando os últimos portanto disponíveis para a formação do tal véu.

A melhor maneira de retirar o o diabinho, segundo os irmãos Lumière, que
investigaram o problema, é uma solução de permangantao de potássio seguida
de um banho de sulfito.”

Fuçando no passado para fazer updates no glossário encontrei isso.

Kodak Gravure Copy em 5×7″

Usei novamente o filme ISO 3 em tamanho 5×7″ que havia usado com as esculturas de alumínio. O filme é da Kodak, chama-se Gravure Copy. É ortocromático, ou seja, sensível ao azul. Pode-se usar luz de segurança com filtro vermelho durante a revelação. A caixa sugere usar o DK-50 ou o D-11 como reveladores. Eu optei pelo Agfa 108 que é o revelador de papel que eu uso. Porque revelador de papel? Ah! O filme está vencido desde os anos 70, precisa um pouco mais de acelerador para dar aquele contraste. O revelador de papel também traz bastante redutor, brometo, para limpar a base que tenderia a ficar cinza demais por conta da idade.

O resultado é interessante, com altas luzes brilhantes.

O DK-50 é um revelador para fotos de luz controlada, que pode dar bastante contraste, mas não o suficiente. Se diluido e com um pouco mais de acelerador é um ótima alternativa para revelar um Tri-X vencido.

Quimiogramas no Sesc Santana

A oficina foi super interessante, o espaço era de frente para a exposição de Barros. Pensei muito sobre os quimiogramas, uma maneira bacana de mostrar a fotografia analógica sem a necessidade de um quarto-escuro.

O fato é que as imagens fotográficas se fazem, em geral, pelos contrastes. Não existe cinza se não houver preto e branco, o olho precisa de diferenças para enxergar formas, limites, blá, blá, blá.

No quimiograma o papel começa completamente velado. Não há contraste, há uma exposição total, se for revelado o papel fica preto, se for apenas fixado o papel fica branco. Para criar meios tons há um jogo complexo de brincar com a diluição dos químicos e com o tempo durante o qual o papel fica exposto a eles (em contato). Objetos junto ao papel podem mudar o efeito do químico. A diluição pode ocorrer durante a formação da imagem.

Ou seja, no quimiograma a revelação deve introduzir o contraste na imagem, ao contrário da fotografia convencional, onde se pretende uma revelação mais uniforme que deixa transparecer os contrastes registrados na película.

Revelador para alto contraste

Da página 140 do livro The Darkroom Cookbook de Stephen Anchell eu tirei a fórmula do revelador de papel fotográfico Agfa 108. Fazendo a conversão para volume a fórmula fica mais ou menos assim: uma colher e meia de chá de Metol, 5 colheres de chá de Sulfito de Sódio, 2 colheres de chá de Hidroquinona, 2 colheres e meia de sopa de Carbonato de Sódio e 20ml de solução a 10% de Brometo de Potássio para 1 litro de água. Não é necessário diluir para usar, fica forte e rápido.

É uma fórmula de alto contraste para filmes e eu a tenho usado com muita frequência nesses últimos anos, até porque a maioria dos papéis que eu uso estão ligeiramente velados. O brometo ajuda a manter esse véu baixo e nem sempre eu tenho que rebaixar a cópia depois de fixada.

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Durante anos eu acreditei que esse revelador era para papéis e usava ele sem problemas, aparentemente tive muita sorte, até um certo dia. Tive muita dificuldade com alguns papéis e realizei um teste há uns dois anos atrás, foi quando eu constatei o Agfa 108 e o Dektol causavam véu de base similares e comecei a pesquisar melhor. Acabei descobrindo a literatura original da Agfa e ele era listado como revelador de filme de alto contraste.

Desde então venho usando Kodak D-64b e GAF-110 com melhores resultados com os papéis realmente velados.

Editado em Junho de 2015.

Revelei uns filmes preto-e-branco (alguns que aguardavam há meses no laboratório, outros mais recentes, de Paranapiacaba). Eram rolos de Fortepan 100. Várias experiências com esse lote de filme que estava bem vencido. O revelador escolhido foi o FX1, uma fórmula do Crawley, algo semelhante ao Beutler. O resultado foi interessante, típico de um filme nessa velocidade com um revelador que promove tanta acutância.