Artigo na ZoneZero

Emplaquei um artigo na Revista do ZoneZero, é sobre Photofinish (a técnica de registrar em uma única imagem a chegada de uma corrida) e a relação que ela tem com a foto com scanner.

Sejam cavalos ou velocistas olímpicos, a coisa é bem simples, os pixels são os milésimos de segundo e no fim da corrida é só contá-los para saber qual o tempo de prova de cada atleta ou animal. Com o scanner é fácil bolar um sistema para contar quanto tempo leva cada pixel para ser capturado e dai você pode usá-lo para fazer algo semelhante ao photofinish, dá até para medir a velocidade dos carros passando na rua.

PFU DL2400 pro

Uma questão de escala. Finalmente, com ajuda de um francês boa praça, consegui fazer meu scanner novo funcionar. Para ilustrar o tamanho da criatura fiz uma foto dele junto com o que eu achava ser um scanner grande, um Umax 1220S. Para dar escala coloquei uma Nikon FM2 no meio. O Lynx A3 tem 25Kg e a julgar pelas marcas nele todo, ele foi jogado para lá e para cá no galpão das sucatas, impressionante como o vidro não quebrou e ele continua funcionando normalmente.

A comparação

A formação da imagem fotográfica

“Uma constante no meu trabalho, ir em busca de alterações no cerne do processo de formação da imagem, subverter a ferramenta produzida pela indústria.”
Escrevi isso um outro dia aqui. Desde esses dias tenho pensando muito sobre o tal processo de formação da imagem. Invejando ingenuamente a capacidade de criar densidade nos conceitos do Flusser, de tornar palavras simples como jogar coisas complexas que explicam muito sobre a fotografia, resolvi tentar formular uma afirmação sobre o processo de formação da imagem onde seria possível encontrar os seus fatores primordiais dentro do que é a linguagem fotográfica. Esses fatores são os que eu supostamente altero quando executo meus trabalhos, ou seja, será que eu realmente faço aquilo que descrevi na primeira sentença? Gostaria de chegar a um resultado que fosse “universal” dentro do pouco que conheço. A idéia é criar uma coisa mais abrangente para abrigar as várias maneiras diferentes de se trabalhar e formular um denominador comum entre os processos digitais e analógicos. Comecei com algo com dois parágrafos, fui editando, mudando palavras, acabei com: Uma imagem fotográfica se forma quando o objeto fotossensível exposto à luz é processado.
Daonde tiro os 3 fatores: o objeto, a luz e o processo. Existe, é claro, um repertório de possibilidades para cada um desses fatores, no lado prático das coisas, o objeto em si pode ser um filme fotográfico, um papel fotográfico, um CCD ou um CMOS, uma emulsão de cianótipo sobre uma matéria qualquer e por ai vai; a luz pode ser uma projeção de uma lente ou de um orifício, a própria sombra do assunto, uma velatura pela luz ou pelo tempo; o processo é algo que tanto pode ser feito por contato com líquidos de alguma maneira ou dentro de um computador, incorporando ruídos em ambas as possibilidades, e a posterior montagem.
Isso me serve pelo menos como uma premissa para explicar mais adiante meus fazeres e meus estudos fotográficos.

Em busca do software para o PFU DL2400 pro

Há três nomes para ele: PFU DL2400 pro, Qubyx Lynx A3 ou até Heidelberg F2400. É verdade que a Quato virou Qubyx enquanto ele ainda era vendido, de modo que na realidade são quatro nomes. Encontrei ele num galpão onde homens com marretas separam o plástico do metal do computadores e similares. Ele seria destruído pelo cobre que há dentro dele e não é muito, não. Um scanner em perfeito estado de funcionamento, para originais até o tamanho A3, com resolução até 2400 dpi sem interpolação. Mas para fazê-lo escanear de verdade é necessário um software, e ai a coisa complica. Ainda estou procurando.

Pluracidades

Já percebeu como as pessoas sempre estão indo pra algum lugar?
E a cidade é feita para os carros e não para as pessoas?
Nada que o Milton Santos já não tenha dito anteriormente, mas acho que isso é o pano de fundo dessa história. Pluracidades.

Já no plano da imagem, a padronagem que surge fala um pouco da coisas cíclicas e repetitivas, coisas que aparentemente não tem fim. E há uma separação entre o que se move e o que é estático, isso cria um desconforto, vejo ai um comentário sobre o aparelho, o programa, coisas que li no Flusser.

A elaboração se dá através do uso de um scanner ao invés de uma câmara comum. A imagem passa a ser adquirida em uma fração do espaço muito pequena, mas ao longo do tempo, ao contrário de uma câmara comum que fotografa uma fração de tempo ao longo do espaço. Uma constante no meu trabalho, ir em busca de alterações no cerne do processo de formação da imagem, subverter a ferramenta produzida pela indústria.