Fole DIY

Só uma última consideração sobre os materiais do fole: a idéia de usar o plástico preto da embalagem de papel fotográfico (Daniel Mitchell) foi ótima. Eu tinha dois sacos pretos de papel tamanho 50x60cm, um mais fininho, um mais grosso, usei o mais grosso (de um papel Ilford importado). Além disso usei um papel Colorplus preto pesado como estrutura do fole (tamanho A2, adquirido na Papelaria Universitária, R$5,60) e mais o tecido (forro 55% poliéster 45% algodão, R$7,20 por 1 metro que rendeu dois foles).

O próprio Mitchell fala em colocar tecido em ambos os lados do plástico para dar um ar mais profissional ao fole, eu não fiz isso. Porque? Porque todos esses materiais já eram coisa demais para o fole de uma câmara field (que tem menos espaço para o fole quando ela fica fechada). O tecido ficou virado para dentro, dando o acabamento fosco que o fole necessita. O plástico para fora.

Existem tecidos especiais para isso a venda em lojas no exterior e existem foles a venda para essa câmara no eBay, não era o caso, mas talvez essas soluções fossem mais indicadas para um caso tão específico.

Além disso, teoricamente o plástico não deve aguentar por tanto tempo quanto um tecido especial, vamos ver quantas fotos consigo fazer antes dos cantos do fole começarem a rasgar pela fatiga do material.

Fole DIY

Para começar refiz todas as medições do fole antigo e rasgado. Isso foi ainda mais difícil, porque é complicado esticar um fole rasgado ainda mais para medi-lo, mas enfim…

Ficaram assim as estruturas de papel novas. Depois disso, ainda usando a cola 77 da 3M colei isso ao tecido preto.

Imediatamente após a colagem, já refilei o tecido, deixando poucos centímetros para o fechamento do fole e só. Isso já foi um aprendizado da primeira tentativa, quando o excesso de tecido complicou o fechamento do fole depois.

Portanto, com o tecido refilado, fechei essa parte do fole (tecido e papel) e só com essa parte fechado é que comecei a colar o plástico na parte exterior.

Terminada a colagem do plástico pela parte externa, após refilar o plástico, o fole ficou assim:

Ai só faltava dobrar. Como bem escreveu um figura que fez um site que me serviu de referência nessa empreitada, não há como descrever a operação de dobrar um fole.

Menos problemas dessa vez, o fole não ficou perfeito, mas suas dimensões estão bem mais próximas e dentro do que é possível de usar nessa câmara. Agora o fole está na prensa, dando uma assentada. O próximo passo é cola-lo na câmara e ver o que acontece. Já já chegamos lá…

Fole DIY

Ganhei de um amigo o esqueleto de uma Toyo Field 4 3/4 x 6 1/2″ (que é um tamanho de filme que caiu em desudo).

A câmara veio com fole, mas o fole estava virando pó então separei os dois para evitar de sujar demais os mecanismos da câmara que estavam muito bons ainda. Veio também um back para filme 4×5″, mas minha idéia agora é fazer um back 5×7″ depois que eu terminar o fole.

O primeiro passo foi pesquisar na web onde encontrei alguns artigos sobre como fazer foles para câmaras, dentre eles os dois mais interessantes foram o do Doug Bardell e o do Daniel Mitchell. Dai estudei o fole antigo e tirei suas medidas (posteriormente descobri que cometi um erro nessa etapa).

O erro cometido tem a ver com o fato de achar que o fole era quadrado, ele não é, é ligeiramente retangular. Vacilo. Mas fui adiante sem saber e preparei a estrutura do fole como manda o artigo de Bardell.

Depois passei à montagem usando a cola 77 em spray da 3M segundo a dica de Mitchell e reutilizei um saco plástico preto de um envelope de papel fotográfico segundo uma outra dica dele também, que torna o fole bem mais barato, por sinal.

E depois coloquei o fole na prensa, para ver se ele pode ser comprimido o suficiente para ficar dentro da câmara. Isso funcionou.

Depois de umas horas na prensa, uma boa olhada no fole revela que ele não ficou quadrado na parte dianteira, fruto do erro no momento da medição do fole antigo. Uma das dias dos sites visitados era de providenciar material para mais de um fole, pensando que isso é algo comum de acontecer, ainda bem que segui essa dica, semana que vem dou notícias da próxima tentativa.

Lithprinting

Recentemente entrei no laboratório para ampliar uma pequena série de imagens que foram capturadas em 1998, durante o Outono daquele ano. Esses negativos estavam guardados todo esse tempo, arquivados, esperando uma edição que fizesse algum sentido, sei lá. Ampliei umas 30 imagens, das quais editei depois 20 para compor o ensaio finalizado.

Os negativos não estavam exatamente contrastados e isso é um problema quando tudo o que você possui para ampliar é mais e mais papel vencido. Para você ter uma idéia, um papel vencido que eu peguei no Canadá já está comigo há 8 anos e não foi usado ainda, já teria dado tempo de vencer de novo.

Resolver esse problema era meu desafio esse dia.

Voltando alguns anos atrás, um dia a Graziella me mostrou (lá no lab do Edu) o que a Renata havia ensinado para ela: o tal lith printing. Essa técnica envolve a utilização de um revelador de fotolito, super diluído, para revelar um papel fotográfico comum (os de tom quente funcionam melhor).

Naquela época a Graziella me disse para diluir o revelador Kodalith 1+20 e revelar a cópia por 30 minutos! Putz, que chato, que demorado. Mas comecei a fazer e fiz algumas poucas vezes isso durante todos esses anos, o fato é que o papel podia estar velho que não fazia diferença, a cópia ficava contrastada e bem bacana (pro meu gosto).

Acabei deixando o lith printing de lado, usei o revelador Agfa 108 por uns tempos para conseguir o contraste que eu queria, rebaixando as cópias depois.

Pensando em como ampliar essas fotos de 1998 em 2010, foi que eu me embrenhei pelo Google atrás de respostas sobre o lith printing. Bom, a história dos 30 minutos foi uma grande furada! Na verdade, é uma maneira de garantir que os resultados entre as cópias vão ser bem próximos, mas com um revelador menos diluído, os tempos caem bastante e ficam mais possíveis para uma sessão onde se pretende ampliar 30 fotos de uma vez. O que acontece com os tempos curtos é que a primeiras fotos de um litro de químico não ficam tão interessantes quanto as últimas, quando a química começa a ficar exausta, mas existem alguns atalhos para envelhecer o revelador antes de começar a usá-lo!

Mas dai descobri talvez a coisa mais interessante: não é a exaustão da química que provoca o efeito do lith printing. O que provoca o efeito é a própria hidroquinona, numa solução com pouco sulfito, isso em inglês causa o infectious development (ou revelação infecciosa?). A hidroquinona age mais forte onde já está ocorrendo revelação, logo as sombras ficam super pretas antes das altas luzes começarem a revelar – dai o contraste que ajuda os papéis velhos! A última coisa a revelar é o véu de base, que estraga as fotos nos papéis vencidos.

Os brancos dessas imagens ganham um brilho químico, aparece um clima etéreo que não está no negativo. Não é para qualquer foto.

Dois links chamaram a minha atenção, ambos no site UnblinkingEye: uma introdução ao mundo do lith printing e uma página com fórmulas (evite as que contem Formaldeído, Formol, que é conhecido pelas suas propriedade cancerígenas). Os fóruns Photo.net e Apug tem bastante conteúdo a respeito e discussões muito recentes sobre químicos e etc, vale a pena, são muitos links para listar aqui.

Erosão

Estou me divertindo bastante com o envelhecimento dos meus Polaroids. É divertimento porque em 2006 tomei a iniciativa de reproduzí-los digitalmente enquanto ainda era tempo. Mês passado comecei a escaneá-los novamente para comparar as imagens com as de 3 anos atrás e a diferença é impressionante.

Acima, uma imagem reproduzida em 2006, abaixo a mesma imagem reproduzida em 2010.

Perceba que eu já utilizei os Polaroids após sua data de validade, não é a toa que o químico ressecou e não se espalhou bem pela superfície do filme durante o processamento.

Além disso, as impressões digitais do manuseio das cópias ficaram bem marcadas ao longo do tempo.

Um outro par de reproduções da mesma imagem.